25 julho 2014

Opinião: Sanctum (Sarah Fine)

Sanctum de Sarah Fine
Editora: Amazon Children's Publishing (2012)
Formato: Capa mole | 448 páginas
Géneros: Romance paranormal, Fantasia Urbana, Lit. Juv/YA
Sinopse.

O primeiro comentário que me saiu mal acabei de ler o livro (não em voz alta, mas foi o que escrevi aqui primeiro) foi "é desta que desisto do YA". Não porque este livro tenha sido horroroso, mas porque até tinha um conceito giro, mas a autora estragou tudo... com o insta-love (a.k.a. amor instantâneo).

Lela Santos, a nossa protagonista é uma jovem que teve uma vida complicada. Órfã desde cedo, andou a entrar e a sair de casas de acolhimento durante muito tempo e sofreu às mãos de um dos seus pais de acolhimento, Rick. Como consequência, decidiu que não valia a pena viver mais no tormento em que se encontrava e decidiu tirar a sua própria vida. Apesar de ter sido salva no último segundo, Lela ainda teve uma visão do local para onde são mandadas as pessoas que cometem suicídio; e as Portas do Suicídio passaram a ser um motivo frequente dos seus pesadelos.

Depois de ter dado uma sova no seu padrasto abusador, Lela é mandada para um centro de delinquentes e depois para uma nova casa de acolhimento. Aqui vai começar uma nova vida e conhecer Nádia, a rapariga mais popular da escola, que inesperadamente, se torna sua amiga. Mas a vida de Nádia está longe de ser perfeita e quando ela se suicida, Lela fará tudo para garantir que a amiga não é enviada para o lugar sombrio que invade os seus piores sonhos.

E é isto. Pareceu-me sinceramente que seria um bom livro, um bocado mais "dark" do que o normal para a literatura YA, mas isso para mim é um bónus. E até começou bem: a Lela tinha espírito e parecia que o "mundo sobrenatural" apresentado no livro seria baseado nas conceções de Céu e de Inferno de muitas religiões, particularmente da Cristã. Esperava que a autora desenvolvesse este aspeto; era, aliás, o ponto que me deixava mais entusiasmada relativamente a este livro.

Mas depressa descarrilou. A Lela conhece um gajo todo bom chamado Malachi e BAM! Insta-love. E em vez de desenvolver o mundo a autora passa a focar-se na relação destas duas personagens que, claro, se sentem incrivelmente atraídas uma pela outra e blah, blah, é amor.

Para ser sincera, Malachi é um protagonista estereotipado, sim, mas mais simpático do que muitos dos protagonistas que povoam a fantasia urbana juvenil. 

Mas, enfim, irrita-me ver um bom enredo e uma personagem que parecia forte minados pelo insta-love irritante por um gajo todo bom e torturado. A partir desse momento a história passou a ser bastante mais aborrecida para mim; a Lela farta-se de pensar em como o Malachi é bom, o Malachi sofre em silêncio por amor, aparecem umas criaturas estranhas que vêm de outra dimensão e que acabam por estragar um bocado o imaginário que estava à espera de encontrar neste livro. De qualquer forma, a obra redime-se um pouco no final, mas não o suficiente para me tentar a ler mais.

No geral um livro que poderia ter sido muito melhor. A autora teve a oportunidade de escrever sobre assuntos sérios e desafiantes, mas decidiu que o insta-love era mais importante e para se centrar nisso, desistiu de um desenvolvimento mais aprofundado do mundo e das personagens. Desapontante.

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