09 dezembro 2014

Opinião: Elantris (Brandon Sanderson)

Editora: Gollancz (2011)
Formato: Capa mole | 615 páginas
Géneros: Fantasia

Elantris, a primeira obra do escritor Brandon Sanderson, transporta-nos a mais um mundo repleto de magia e de intrigas políticas e religiosas.

Elantris foi outrora chamada “A cidade dos deuses”. Povoada por seres de pele prateada e cabelo branco capazes das mais incríveis magias, a cidade era o centro do reino de Arelon e os seus habitantes – seres humanos transformados pelo Shaod – eram venerados como deuses.

Mas algo aconteceu e os habitantes de Elantris perderam a sua magia e tornaram-se seres doentes e repulsivos. O povo de Arelon, sempre invejoso dos seus “deuses”, atacou a cidade e uma classe mercantil tomou conta do reino, instalando-se em Kae, uma das cidades que crescera à sombra de Elantris.

Dez anos mais tarde, a princesa Sarene do reino de Teod prepara-se para viajar para Arelon para se casar com o príncipe Raoden, de forma a que ambos os reinos possam fazer frente à expansão do império de Fjordell e da religião Shu-Dereth.

Quando Sarene chega, percebe que se tornou viúva. E que o reino de Arelon corre grande perigo pois um dos padres do Shu-Dereth, uma religião baseada na ambição e na força, tenta converter as massas. E fazer com que estas odeiem os habitantes de Elantris.

Raoden, por sua vez, passou pelo Shaod e foi fechado na cidade decrépita de Elantris. Privados da sua magia pelo estranho acontecimento de dez anos antes, todos os que sofrem o Shaod se tornam mortos-vivos de pele cinzenta e com chagas, sem cabelo e sem forma de curarem as suas feridas. Isto enlouquece a maioria dos novos habitantes de Elantris, mas Raoden está decidido a resistir e a fazer com que estas pessoas tenham uma vida condigna. Pelo caminho, começa a tentar perceber as razões da queda de Elantris.

Elantris foi uma boa leitura, tal como previa. Gostei bastante das personagens e do mundo desenvolvido por Sanderson. Sarene foi uma personagem divertida de conhecer, pois ela tem um temperamento forte e sabe tomar decisões. Raoden é um bocado perfeito demais (aliás ambas as personagens, Raoden e Sarene, o são), mas mesmo assim é impossível não se gostar dele.

Apesar de ter gostado da leitura, é bastante óbvio que Elantris é a primeira obra de Sanderson. O mundo é mais genérico, menos complexo do que o apresentado na trilogia Mistborn – Nascida das Brumas; as personagens são demasiado “coloquiais” por vezes, tendo em conta que se tratam de princesas, príncipes e nobres e o reino de Arelon, as antigas religiões que fazem parte da trama, o sistema de magia e o passado de Elantris podiam ter sido melhor desenvolvidos.

No entanto, este livro tem já aquela qualidade que nos faz querer ler mais e mais para saber qual é afinal o segredo da queda de Elantris. Que acabamos por saber.

No geral, um bom livro de fantasia, que deu gosto ler, mas que precisava de algumas arestas limadas e mais alguma complexidade ao nível do mundo e das personagens.


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