11 dezembro 2014

Opinião: Warbreaker (Brandon Sanderson)

Warbreaker de Brandon Sanderson
Editora: Gollancz (2012)
Formato: Capa mole | 672 páginas
Géneros: Fantasia
Sinopse.

Aviso: pequenos SPOILERS
O que dizer de Warbreaker? Foi possivelmente o livro que mais me desiludiu de Brandon Sanderson (até agora), o que me fez parar a “Sanderson-fest” que estava a fazer, lendo todos os livros do autor de rajada (a seguir a este ia iniciar a série Stormlight Archive).

Numa terra tropical, existe um reino, Halladren, governado pelo Rei Deus e o seu panteão de Retornados, pessoas que tiveram uma morte heroica e que voltaram como deuses. Os deuses vivem num enclave fechado, em mansões de luxo e são eles que tomam decisões governamentais, ouvem petições e fazem profecias.

Halladren é também uma cidade de magia (o BioChroma), onde feiticeiros denominados “Awakeners” (os que despertam) fazem magia através do Fôlego, algo que todos têm. Cada pessoa tem um Fôlego, mas podem acumular mais para “despertarem” objetos e fazerem funcionar pessoas mortas (que podem ser utilizadas no exército). Quanto mais Fôlegos uma pessoa colecionar, mais feitiços pode fazer mas também melhores serão os seus sentidos.

Não muito longe, em terras montanhosas, situa-se o reino de Idris, formado há 3 séculos pela antiga família imperial de Halladren, depois de terem sido expulsos. Idris é uma terra agreste que considera o estilo de vida de Halladren blasfemo. Mas, para evitar a guerra, o rei de Idris tem de mandar a sua filha, Vivenna, para casar com o Rei Deus.

Siri, a irmã mais nova de Vivenna é, ao contrário da irmã, voluntariosa e rebelde. Nunca ninguém pensaria que seria chamada para uma função importante. Assim, quando o pai troca as voltas a todos, Siri vê-se a caminho de Halladren para casar com o noivo da irmã.

Ao mesmo tempo, fala-se de guerra entre os reinos.

Esta é a história de Vivenna, Siri e de Lightsong, o deus da coragem que não acredita na sua divindade. E, claro, de um rebelde escondido com intenções vagas… rebelde esse que é um mestre na magia do BioChroma e que tem uma espada senciente.

Não consigo precisar bem o que fez com que torcesse o nariz a Warbreaker. Talvez seja o facto de a narrativa me ter parecido algo fragmentada e que se arrastava no tempo sem razão. Algumas partes do livro pareceram-me um pouco supérfluas, para dizer a verdade, muito tempo passado com as ruminações de Vivenna, que me pareceu uma personagem extremamente irritante até quase ao final do livro.

O problema aqui é que as personagens costumam ser um ponto forte dos livros de Sanderson… neste livro; nem por isso. Vivenna é irritante, com a sua mente fechada e a sua parvoíce e apenas se redime um pouco no final; Vasher, que é, supostamente, o herói do livro, mal aparece; e o Rei Deus e Siri poderiam ter sido melhor explorados. A única personagem sobre a qual gostei genuinamente de ler (tirando Nightblood, a espada encantada) foi Lightsong, o deus com dúvidas relativamente ao sistema religioso de Halladren. Gostei imenso desta personagem e de Llarimar o seu sacerdote-chefe. 

O sistema de magia também foi interessante, confesso, mas também não está assim muito desenvolvido. Nunca nos é realmente explicado o que é o BioChroma e como cria os Retornados, por exemplo. 

Achei que ficou muito por explorar neste livro e isso tirou-me um pouco o gosto da leitura, especialmente quando foram gastas tantas páginas em ações mundanas (por exemplo, Vivenna a encontrar-se com malfeitores para tentar sabotar os esforços de guerra de Halladren) e algo aborrecidas.

No geral, uma leitura interessante q.b., mas até agora o livro mais fraco de Sanderson. O mundo deste livro não tem aquela magia que o distingue de tantas outras obras de fantasia épica… confesso também que o facto de haver personagens que são deuses em todos os seus livros começa já a fartar um pouco, apesar da forma inventiva que o autor arranja para os explicar.

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