20 março 2015

Opinião: The Diabolical Miss Hyde (Viola Carr)

Editora: Harper Voyager (2015)
Formato: e-book | 464 páginas
Géneros: Ficção histórica, steampunk, fantasia urbana

Decidi ler este livro depois de ver uma opinião muito positiva do mesmo no blogue Smart Bitches, Trashy Books. Pareceu-me uma transição interessante dos romances históricos que andava a ler para outros géneros (neste caso, fantasia urbana, steampunk e mistério), por isso arrisquei.

"The Diabolical Miss Hyde" é, sem dúvida, uma leitura multifacetada, que mistura diversos géneros e linhas de ação de forma mais ou menos coerente e eficaz.

Eliza Jekyll vive numa época vitoriana um pouco diferente da que conhecemos. Invenções diversas permitiram a utilização de eletricidade nas mais diversas máquinas, desde o sistema elétrico comum (iluminação de ruas e de casas), até meios de transporte (como o metro), entre outros. O estado parece também ser muito mais totalitário, com a Sociedade Real, uma organização dedicada à ciência e dedicada também a erradicar aquilo que considera crendices (magia, por exemplo) e "heresias científicas", a ter um comando quase total da sociedade.

No entanto, tal como na nossa época vitoriana, as mulheres são também consideradas seres inferiores. É por isso que Eliza encontra tanta contestação à sua ocupação: médica e médica legista.

Eliza tem também de ter muito cuidado com a Sociedade Real, porque ela tem um segredo sombrio: tal como o seu pai, Dr. Jekyll, também Eliza tem uma "sombra" ou segunda personalidade dentro de si: Lizzie Hyde, uma mulher desenrascada e sociopata. 

O livro abre com Eliza e o seu amigo inspetor da polícia (cujo nome não me lembro) a investigar um assassínio brutal de uma mulher. Remy Lafayette, um agente da Sociedade Real, aparece na cena do crime e Eliza pensa que finalmente foi descoberta.

Este livro foi certamente uma leitura interessante. Já tinha lido um livro que misturava steampunk com elementos do livro The Strange case of Dr. Jekyll and Mr Hyde de Robert Louis Stevenson, mas foi uma obra para jovens adultos e sinceramente não gostei assim muito.

Já este "The Diabolical Miss Hyde" tem todos os elementos para uma boa leitura: um mundo interessante e bem construído, um mistério horripilante, elementos sobrenaturais subtis e uma heroína carismática (mais Lizzie do que Eliza, no entanto).

 A autora foi parcialmente bem sucedida na construção deste livro que explora tantas vertentes. O seu mundo inclui dois lados opostos e aparentemente irreconciliáveis: um mundo mágico onde as crianças têm caudas de rato e as pessoas fazem magia e um outro mundo onde inovações tecnológicas e experiências científicas aprovadas são postas ao serviço da sociedade. É também um mundo à beira da revolução social e política.

Achei o mundo imaginado por Carr muito intrigante e bem conseguido. É descrito em termos claros (e muitas vezes num inglês mais das "classes baixas" pois é Lizzie quem fala) mas não deixa de ser fascinante e, talvez por ser apresentado de forma tão... crua, parece estranhamente realista.

As personagens de Lizzie e Eliza também me pareceram bem desenvolvidas e interessantes assim como Mr Todd, um assassino em série por quem Eliza tem uma paixoneta que se pode tornar mortal (Mr. Todd gosta de brincar com facas).

Este livro explora então estes mundos, as duas personalidades que vivem dentro de um só corpo e também um mistério, uma vez que Eliza é médica legista e está a investigar um crime. Na maioria das vezes, a autora consegue um equilíbrio mais ou menos balançado entre tudo isto; afinal, para desenvolver Eliza, Lizzie precisa de ter também tempo de antena e Eliza tem de ter alguma angústia emocional. O mistério é um pouco relegado para segundo plano e a resolução parece um bocado forçada, mas mesmo assim é um mistério intrigante.

A parte que mais sofreu, na minha opinião, foi a interação entre Eliza/Lizzie e o misterioso Lafayette. Isto porque Lafayette tem também os seus segredos, mas já se estava a passar tanto no livro que foi impossível fazer com que este personagem fosse mais do que um estereótipo do homem torturado e alfa.

No entanto e no geral, esta foi uma leitura extremamente satisfatória. Apesar da capa um bocado a pender para o boddice-ripper, este livro não se foca particularmente no romance (que, aliás, é quase inexistente, a não ser aquando das perturbadoras confissões de Mr. Todd), mas sim no desenvolvimento de personagens (quase sempre) complexas, de um mundo original e intrigante e de um mistério que fará as delícias de quem gosta deste género (especialmente mais na onda de "Mentes Criminosas"). Recomendado! 

1 comentário:

Leitora disse...

Olá
Tenho muita pena de não ler inglês pois já me apercebi que muitas pessoas em vários blogs lêem em inglês o que torna a leitura muito fiel à real escrita.
Gostava muito de ler este livro mas acho que ainda não está traduzido para português.
Boas leituras e beijocas;)