24 março 2015

Opinião: Um Amor Quase Perfeito (Sherry Thomas)

Editora: Quinta Essência/Leya (2011)
Formato: Capa mole | 328 páginas
Géneros: Romance histórico

Aviso: (Pequenos) spoilers.

Este parece ser o mês dos romances históricos, por isso porque não "abater" mais um livro que está nas minhas prateleiras e que, por acaso (só por acaso), é um romance histórico.

Como já devo ter dito centenas de vezes, o tema "casamento arranjado/casamento com problemas" é dos meus favoritos em romances históricos. Por isso preparei-me para uma boa leitura com este Um Amor Quase Perfeito (Private Arrangements).

E tive-a. Mas nunca esperei que fosse também uma leitura tão intensa, até porque Sherry Thomas é, já reparei, uma escritora mais vocacionada para as relações realistas do que muitas outras autoras dentro do género, e consequentemente os seus romances têm menos sensualidade e menos "romance". Ou seja, o romance é mais discreto, mais "fogo lento" do que "explosão instantânea" (no pun intended). Mas os seus livros não deixam de ser por isso boas leituras, cheias de pormenores históricos interessantes e fruto, obviamente, de uma pesquisa alargada (lembram-se de quando falei da pesquisa que muitos autores dos chamados "boddice-rippers" fazem e de como estes livros podem ser ricos em historicidade, como podem captar bem a época? Este livro fá-lo).

Estamos em 1883. Phillipa "Gigi" Rowland é filha de um industrial e de uma mulher da baixa nobreza rural. Uma família muito rica, certamente, que aspira a entrar na alta sociedade, algo que pode acontecer apenas se Gigi casar bem. E ela consegue o maior dos triunfos, ficar noiva do filho de um duque empobrecido. Mas quando o noivo morre num acidente, Gigi pensa que tudo acabou... até conhecer Lorde Tremaine, o novo herdeiro do ducado.

Camden, Lorde Tremaine, levou a vida toda a contar tostões, apesar de ser primo de um herdeiro a duque inglês e aparentado com metade das casas reais europeias. Mas, homem de palavra, não aceita a proposta de casamento de Gigi, quando esta a faz. Isto porque Camden já está comprometido com outra mulher.

Após algumas circunstâncias, Camden acaba por aceitar Gigi... mas não apenas porque ela pode saldar as dívidas da família. Camden ama-a e sabe que Gigi também o ama. 

Mas uma terrível traição vai separá-los durante dez anos, até que Gigi decide fazer algo escandaloso: pedir o divórcio. Camden, que vivera separado da mulher, nos Estados Unidos, volta a Inglaterra e pede apenas uma coisa: um ano de relações conjugais, para que ela lhe dê um herdeiro.

A história do livro vai alternando entre 1883 e 1893 e ficamos a saber como os protagonistas se conheceram, como se apaixonaram e porque acabaram por se separar. Na narrativa presente, vemos o evoluir dos sentimentos dos dois, os entraves colocados pelo passado e a forma como ambos viveram a vida. É claro que a questão aqui não é falta de afeto, o que me agradou imenso; a maioria dos romances históricos passam a ideia de que o amor vence e conquista tudo, mas este romance diz-nos que não. Que há coisas que podem estragar até o amor. Claro que, sendo este livro um romance histórico, creio que não será nenhum "spoiler" dizer que tudo acaba relativamente bem (até para a mãe de Gigi).

No geral, gostei das personagens. Gostei do facto de não serem demasiado torturadas, de serem realistas enquanto protagonistas. Gostei da escrita da autora, do detalhe histórico, do facto de o realismo e racionalidade do romance fazer com que esta seja, de facto, uma grande história de amor. Recomendado.


Outras obras da autora no blogue:

2 comentários:

Débora Ferreira disse...

Olá! Sempre adorei ler romances históricos e durante anos era praticamente o único género que lia. Curiosamente ainda não li nada dessa autora mas gostei da opinião. Talvez seja uma boa aposta para leituras futuras;)

Boas leituras!

slayra disse...

Olá!

Eu gosto de alguns dos livros da autora, mas não de todos. Ela é mais voltada para a construção das personagens e a descrição das personagens e os seus romances são menos... intensos do que muitos. Mas mesmo assim vale a pena! :)

Boas leituras para ti também Débora.