12 abril 2015

Opinião: The Devil Takes a Bride (Julia London)

Editora: HQN Books (2015)
Formato: e-book | 368 páginas
Géneros: Romance histórico

Continuo com a pancada dos romances históricos e, entre tanta leitura, continuo a encontrar algumas obras do género que tratam de mais do que simplesmente a atração entre duas pessoas.

Este "The Devil Takes a Bride", o primeiro livro que leio da autora Julia London, é mais uma história sobre um casamento arranjado (um tema de que gosto muito, reitero). 

Grace Cabot tem pouco tempo para se casar bem. Agora que o seu padrasto, o Conde de Beckington morreu e que a sua mãe está demente, depressa esta e as suas irmãs serão postas na rua pelo novo conde e pela sua ambiciosa noiva. 

Por isso, Grace vai para Bath e arranja forma se ser apanhada numa posição comprometedora com um jovem de quem ela gosta bastante. Infelizmente, quando chega a altura, encontra-se num abraço amoroso com... o irmão mais velho do seu pretendido!

Geoffrey, o Conde de Merryton é tido como altivo, reto, seco e afastado da sociedade. Quando segue furtivamente o irmão até a uma loja escura em Bath, acaba numa posição comprometedora com uma jovem de boas famílias pelo que tem de casar com ela.

Este livro trata então de um casamento arranjado e do dia a dia de duas pessoas que se veem forçadas a casar, apesar de mal se conhecerem (isto seria bastante normal na época). Mas há uma dificuldade acrescida: Geoffrey sofre do que hoje conhecemos por TOC ou Transtorno obsessivo-compulsivo. Como tal, tem de completar diversos rituais, muitos associados ao número oito, para conseguir "afastar" os seus pensamentos infames ou malignos, que se centram, sobretudo em fantasias sexuais.

Devo dizer que a personagem de Geoffrey me interessou bastante, porque foi intrigante ler sobre uma pessoa com uma doença quase desconhecida no século XIX (e considerada um tipo de "loucura" pelo menos até meados do século) e com uma educação rígida e puritana, que considerava pensamentos e fantasias sexuais que hoje não nos chocam tanto, como erradas ou malévolas (sexo com mais de uma mulher ao mesmo tempo, bondage, etc.).

Também gostei do facto de o amor pela heroína não ter curado Geoffrey... isso seria o cúmulo do irrealista, mas por vezes já espero tudo. O que retirei daqui foi que, para pessoas com esta doença (tal como acontece com a maioria das doenças do foro mental), uma das coisas mais importantes é o amor, compreensão e apoio de quem é importante para eles.

A exploração deste tema pela autora foi bem conseguida, sem dramas excessivos por parte das personagens ou uma compreensão desmesurada por parte de Grace, porque convenhamos: quem não sofre deste transtorno não pode compreender plenamente os mecanismos pelos quais opera, especialmente se estivermos a falar de uma pessoa sem informações sobre a doença... a reação seria estranheza, pura e simplesmente, pelo menos de início.

No geral: embora, em termos de esquema de enredo, este livro não fuja muito ao que é típico no romance histórico, o facto de introduzir uma personagem que necessita de bastante desenvolvimento, torna a leitura bastante interessante.  

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