02 abril 2015

Opinião: Uma Fortuna Perigosa (Ken Follett)

Editora: Editorial Presença (2015)
Formato: Capa mole | 568 páginas
Géneros: Ficção histórica

Só muito recentemente comecei a ler livros do Ken Follett (com uma notável exceção). Apesar da sua enorme popularidade, tanto internacional como em terras lusas, confesso que tenho algum receio de ler este tipo de autores super famosos, com inúmeros bestsellers em seu nome. Isto porque, geralmente, estes autores escrevem thrillers e livros de ação que, para mim, se revelam leituras muito semelhantes umas às outras e de uma forma que não aprecio particularmente. Exemplos são os livros de Dan Brown, que li uma vez e já não consigo reler e os de James Patterson, que não achei nada por aí além.

Suponho que não serão os meus livros de eleição. Mas Ken Follett escreve também ficção histórica e, depois de ter lido o famoso "Pilares da Terra" (e de ter gostado) e o primeiro livro da trilogia "O Século" (do qual gostei ainda mais), comecei a pôr este autor num patamar diferente dos Dan Browns e James Pattersons do mundo.

Quando saiu este novo livro (novo como quem diz... a versão original é de 1993), corri a comprá-lo, até porque, mais uma vez, se tratava de um romance histórico. E não fiquei desiludida.

Corre o ano de 1866 quando uma tragédia se abate na Windfield School, uma escola preparatória para a classe média e para a classe abastada composta por homens de negócios. Um rapaz de 13 anos é encontrado morto numa lagoa e, no centro do mistério estão alguns dos seus colegas: Edward Pilaster, filho de um rico banqueiro, Micky Miranda, filho de um rancheiro de Córdova, um país na América do Sul e Hugh Pilaster, primo de Edward, cujo pai tem uma fábrica de tinturas. O segredo do que aconteceu naquele dia em 1866 vai unir estas personagens ao longo das décadas seguintes, acabando por dar origem a um acontecimento de proporções devastadores, que quase destruirá a família Pilaster, na altura uma das mais ricas de Inglaterra.

O livro explora então a vida destas personagens, a sua relação e o clima de segredos que são perpetuados por Augusta Pilaster, a matriarca da família que tem, deixei-me dizer-vos, uma afeição quase obsessiva pelo filho Edward.

As personagens não fogem muito aos seus papéis predefinidos. Ou seja, vemo-las crescer, certamente, mas as características fundamentais de cada uma continuam sempre inalteradas: Hugh é o homem reto e honesto, cuja vida está repleta de adversidades, quer nos negócios quer no amor; e claro, é um génio banqueiro. Edward é o indolente, o permissivo, aquele a quem tudo lhe é dado em virtude do seu nascimento e que, no fim, toma decisões desastrosas. Micky é o encantador de serpentes, sedutor e manipulador. E temos Augusta, também manipuladora, que apenas se interessa em avançar a causa do filho, cega aos seus defeitos e que quer mover-se em círculos cada vez mais elevados. Achei que a sua personagem é algo irrealista porque Augusta não me pareceu burra e, no entanto, apesar de estar casada com um banqueiro e de conviver com banqueiros, não mede as consequências das suas ações no banco.

O enredo está cheio de intrigas, segredos, traições e todas essas coisas que fazem uma boa telenovela e lê-se de forma compulsiva.

Gostei também de todo o desenvolvimento do mundo. Follett dá-nos informações aprofundadas sobre o sistema financeiro da época, sobre como eram geridas as instituições bancárias, sobre quais eram as leis relativas à finança e sobre o panorama económico da segunda metade do século XIX. E claro, sobre a posição destas famílias, muitas vezes mais ricas do que os próprios nobres, numa sociedade de classes rígidas. Esta foi, para mim, a parte mais interessante do livro.

O romance pareceu-me bastante irrealista, o que não me incomodaria tanto se não fosse uma força motriz para a criação de tanto drama para a nossa personagem principal: Hugh Pilaster.

No geral, um livro que se lê muito bem mesmo e que é extremamente interessante. Recomendado para quem gosta de ficção histórica. 

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