30 maio 2015

Opinião: A Lâmina (Joe Abercrombie)

Editora: Gailivro/ 1001 Mundos (2011)
Formato: Capa mole | 624 páginas
Géneros: Fantasia

Mais um livro das minhas prateleiras conquistado.

Este "A Lâmina" é a obra de estreia de Joe Abercrombie, um aclamado escritor de fantasia britânico.

Segue as desventuras de três personagens muito diferentes entre si, que têm todas, aparentemente, a particularidade de serem... más pessoas. Ou pelo menos é o que é apregoado, porque sinceramente nunca me pareceu que qualquer uma delas fosse particularmente malévola... apenas humana.

Logan Novededos é um bárbaro do norte que anda com uma má sorte desgraçada. O seu bando foi atacado e morto às mãos de estranhas criaturas, que denominam "cabeças rasas". E ele próprio anda fugido, quer dessas criaturas, quer do novo, autoproclamado Rei do Norte. Quando um aprendiz de mago lhe diz que o grande Bayaz, o Primeiro dos Magos, pede a sua presença, Logan encolhe os ombros e pensa: "porque não".

Jezal dan Luthar é filho de uma poderosa e nobre família da União, uma potência política e militar encaixada entre o norte (que tem povos reminiscentes dos vikings) e o sul (onde residem povos com uma cultura parecida com a da antiga civilização chinesa, talvez). O seu título militar foi comprado pelo pai e tudo o que Jezal quer fazer é ser um típico adolescente (apesar de não o ser, em idade) e beber, ir para a cama com montes de gajas e, no fundo, curtir a vida. Infelizmente, sem saber bem como acabou inscrito na "Prova" uma competição onde guerreiros combatem por honrarias e prémios.

Glokta, antigo soldado é hoje um Inquisidor de Sua Majestade. Com o corpo e a alma partidos, parece conseguir alguma felicidade em arrancar à pancada e através de tortura, todo o tipo de confissões aos traidores (sejam elas verdade ou não). Vai-se ver metido numa conspiração política cujo objetivo não é claro.

E são estes os heróis improváveis deste livro. Oh... há ainda Ferro Maljinn uma antiga escrava do Imperador (do Sul), cuja especialidade é desancar tudo o que se mexe.

Como já terão podido adivinhar (talvez) pelas minhas descrições algo sarcásticas das personagens, este livro não me encheu, de todo, as medidas. Para uma fantasia épica tão popular e bem cotada, achei que foi extremamente... aborrecida.

Primeiro problema: o mundo. Tão genérico, senhores. As ideias sem qualquer originalidade, os reinos estereotipados, enfim, podia chamar-se "Mundo de fantasia A-3" ou "União" que seria a mesma coisa. Não há descrição que permita a visualização das cidades, da geografia (exceto que no norte está frio e no sul há desertos, I mean, really?), da história... de nada. A mitologia, o pouco que o livro dedica a ela, pareceu-me vagamente interessante e pode ser a única razão pela qual continuarei a ler esta série. De resto... total snoozefest. Pelo menos não há elfos e anões. Ainda.

Segundo problema: as personagens. As suas ações não parecem ter qualquer sentido. O Logan embarca numa viagem para ir conhecer o Primeiro Mago porque... não sei. O Jezal é o mestre da indolência. O Glokta é constantemente usado pelo Inquisidor chefe e sabe que está a ser usado mas não faz mais do que seguir ordens. 

Depois temos o Bayaz, que é um mago Mui Poderoso e que anda de um lado para o outro a intrometer-se em todo o lado e a dizer que é um homem que viveu há eons atrás (e espera que todos acreditem assim, sem mais nem menos).

E nem me ponham a falar da Ferro. A solução dela para tudo é dar porrada em toda a gente. Muito profundo.

Terceiro problema: a história. E qual história, pergunto eu. O livro tem umas impressionantes 624 páginas que são passadas a... apresentar as personagens. I kid you not. Intriga política? Bem, uma coisinha incipiente lá pelo meio, mas apenas para mostrar que o Glokta não tem tomates e que o Bayaz tem todo o direito a interferir em tudo. No fim de tudo, as personagens andam de um lado para o outro a realizar ações perfeitamente corriqueiras: Logan viaja com Bayaz para a capital da União, Jezal treina-se para os Jogos da Fome a Prova e Glokta recebe ordens para torturar pessoas because... razões (que nunca percebemos porque a tal intriga política não leva a lado nenhum e as pessoas torturadas e afastadas não parecem ter assim tanta importância, no final fica tudo em águas de bacalhau). O Bayaz fala numa demanda (uuuuh!) mas isso é só para o segundo livro.

Gosto de personagens desenvolvidas, mas 1) 624 páginas é demais e 2) se realmente se tem de utilizar 624 páginas para o fazer, por favor deem-me personagens que sejam mais do que estereótipos de personagens de fantasia épica (o bárbaro, o guerreiro e o inquisidor) sem profundidade! Vá lá isto não é um RPG online. 

No geral... desapontante. Apenas a mitologia e a promessa da visita a novos mundos me fez ter interesse no segundo livro.

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