25 fevereiro 2010

Opinião: A Paixão de Emma

A Paixão de Emma de Charlotte Bingham
Editora: Edições Asa (2010)
Formato: Capa Mole | 288 páginas
Géneros: Romance, Ficção Histórica
Sinopse (Edições ASA): Emmaline sempre ouvira a mãe dizer que, como a mais velha de quatro irmãs, casar deveria ser a sua prioridade e dever. Contudo, o tempo passava sem que se vislumbrasse qualquer proposta de casamento. Até que num baile organizado em sua casa, um belo desconhecido a convida para dançar. Ele chama-se Julius e, na manhã seguinte, pede a sua mão. Cheia de esperança e vontade de começar uma nova vida, Emmaline deixa a América rumo a Inglaterra. Porém, quando chega, depara-se com uma casa estranha, repleta de pessoas invulgares e criados excêntricos. Um cenário bastante distante do glorioso lugar que Julius lhe descrevera. Na verdade, à medida que os dias passam, o próprio noivo parece ter-se tornado irreconhecível. Emmaline sente-se cada vez mais só e infeliz, chegando até a pôr em causa o futuro da relação. Mas isso é antes de o passado de Julius, e a história daquela enigmática casa, lhe serem desvendados.
Basta olhar para a minha página no Goodreads para perceber que gosto bastante de "Romances Históricos". Sempre achei que eram óptimas distracções para quando nos estamos a sentir mais desanimados e pretendemos o equivalente literário de um chocolate.

Foi por isso que peguei com algum entusiasmo nesta nova oferta literária do género, "A Paixão de Emma". No entanto, fiquei bastante desiludida com o livro, pois não é, nem de perto nem de longe tão bom como a maioria dos outros livros da mesma categoria. Aliás, não entendo bem como é que um livro tão desinteressante foi publicado e pior ainda, escolhido pela ASA para publicação em Portugal quando há tantos outros livros do género muito mais meritórios da "honra". Passo a explicar.

Primeiro, achei extremamente difícil gostar das personagens (com a notável excepção dos criados dos Aubrey, especialmente Wilkinson e Agnes e mesmo esses...) ou conectar-me com elas. Pareceram-me quase todas muito pouco... reais; a família de Emmaline parece-se com uma grande mancha, e não conseguiria distinguir uma personagem de outra, pois a única característica que os une é o desprezo por Emma. Esse desprezo é quase caricatural... como as irmãs malvadas da Cinderella no clássico da Disney. Por sua vez, Emmaline é uma personagem fraca e as emoções que demonstra durante o livro não parecem corresponder às situações em que se encontra. Julius deixou-me perplexa... quase não parecia humano, mas mais um robô ou algo do género, uma vez que quase sempre o seu comportamento me pareceu bizarro.

Depois temos a história. O enredo é bastante simplista e está muito mal explorado, para já não falar do facto de que é bastante previsível. Ao mesmo tempo, a linha de acção é confusa e é quase impossível dar pela passagem do tempo, devido ao modo como o livro está escrito. De facto todo o livro parece bastante irreal... Julius ora aparecia em casa ora desaparecia de casa, nas alturas mais estranhas e nunca havia maneira de o leitor saber se o protagonista se encontrava presente. Ele aparecia de repente (quando no dia anterior, estava supostamente em França ou algo do género) para o jantar e tentava parecer misterioso (tendo apenas conseguido parecer ser o homem mais aborrecido à face da Terra).
Foi por isso que a história de amor me pareceu tão pouco realista... Julius aparenta ter muito pouca personalidade para além de quase nunca estar em casa e é um mistério para mim como é que Emma se apaixona por uma pessoa que não se dá a conhecer. Ao mesmo tempo não nos é permitido conhecer os pensamentos de Julius pelo que nunca chegamos a saber como e quando é que se apaixonou por Emma.

O estilo de escrita também não é dos melhores. Não sei se a autora escreve mesmo assim, ou se foi da tradução, mas frases como "A Emma está muito bonita esta noite, muito bonita" ou "Emma não deve fazer isso, não deve" repetem-se com frequência e tornam-se irritantes, no mínimo.

No geral, uma obra muito fraca tanto em termos de estilo de escrita como em termos de história e personagens.

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