25 fevereiro 2012

Opinião: Vinte Mil Léguas Submarinas (Júlio Verne)

Vinte Mil Léguas Submarinas de Júlio Verne
Editora: 11 x 17 (2011)
Formato: Capa Mole | 574 páginas
Géneros: Ficção Científica
Descrição (GR): "1866. Um medonho monstro marinho tem provocado o terror nos mares e causado sérios danos às ligações transatlânticas. Para tentar capturar o terrífico animal, é enviada uma expedição da qual faz parte o professor Pierre Aronnax, um eminente naturalista especializado em criaturas marinhas. Porém, para sua surpresa, o monstro não é outro senão o Naulitus, um submarino construído pelo enigmático capitão Nemo, que convida o professor e os seus companheiros de viagem, o fiel Conseil e o irascível Ned Land, a embarcarem com ele numa fabulosa jornada que os leva a percorrer vinte mil léguas pelo fundo dos oceanos."
AVISO: Contém alguns SPOILERS!
Gostava de poder dizer que gostei deste livro, um dos mais conhecidos e aclamados do escritor Júlio Verne, mas a verdade é que a combinação de diário de viagens e tratado naturalista não resultou para mim.

Deste autor li há uns bons anos atrás o livro "À Roda da Lua", do qual gostei muito mais, apesar de Verne tender na sua escrita para a descrição exagerada e para a utilização de termos demasiado técnicos para o público geral. Isto verifica-se também em Vinte Mil Léguas Submarinas; de facto, a maioria do livro compõe-se de descrições da vida submarina e de que peixes, mamíferos e moluscos podem ser encontrados nos diversos oceanos e mares do globo. Não me entendam mal, não tenho nada contra e até apreciaria esta informação se me tivesse sido dada no contexto de uma história diferente. Mas isto é, efectivamente a história... uma viagem pouco acidentada a bordo de um submarino, narrada por um erudito e amante de peixes. Nem a famosa lula gigante (que nesta edição é um polvo) se demora muito tempo. Oh em raras ocasiões, existem perigos diversos (como o já mencionado polvo) mas são rapidamente resolvidos. Os rumos escolhidos pelo Capitão Nemo são também um mistério pelo que parece que aquele é apenas um excêntrico (e certamente que é, mas parece ser mais) com muito tempo para gastar.

Assim apesar de ter gostado de algumas cenas da vida dos habitantes do Nautilus (como as caçadas nas florestas submarinas ou a descoberta de civilizações perdidas), a maioria da narração fez muito pouco para manter o meu interesse até porque é bastante 'seca' e faltam-lhe pormenores que puxem o leitor.

Basicamente todo e qualquer aspecto interessante (se se for um leitor "comum" e não um biólogo marinho) foi retirado do livro. O Capitão Nemo viaja num barco invulgar por razões desconhecidas, mas nunca chegamos a saber porquê. O narrador, Aronnax está mais interessado em observar a vida marinha do que em perceber as motivações do seu captor. Também não se mostra interessado em fugir ou em descobrir como funciona o submarino (o próprio capitão dá de livre vontade toda a informação relevante sobre o Nautilus e certamente que a principio o nosso protagonista sente alguma curiosidade, mas depressa lhe passa).
Apesar de, no inicio andar toda a gente a tentar 'caçar' o Nautilus, quase nunca este se cruza com os seus caçadores durante os dez meses que o nosso herói e os amigos passam a bordo.

O desfecho é apressado, demasiado oportuno para os heróis e algo aleatório. O desenvolvimento das personagens é incipiente.

Ou seja, este livro é uma espécie de ensaio simplificado sobre a vida dos mares disfarçado de obra de ficção científica. Não há dúvida nenhuma de que Verne era um visionário e tinha uma imaginação incrível, mas teria gostado mais deste livro se fosse menos descritivo e tivesse mais... história. O conceito é engraçado (e seria fascinante no século XIX), mas pessoalmente não gostei da direcção tomada pelo autor.

1 comentário:

Frederico J. disse...

Recomendo-lhe a ler a continuação "A Ilha Misteriosa" onde Nemo explica muita coisa.

www.jvernept.blogspot.com