30 agosto 2014

Opinião: Se eu Ficar (Gayle Forman)

Se eu Ficar de Gayle Forman
Editora: Editorial Presença (2014)
Formato: Capa mole | 216 páginas
Géneros: Romance, Lit. YA/Juv.
Sinopse.

AVISO: Alguns SPOILERS (nada de especial)
(A edição lida foi a inglesa, mas apresentam-se os dados da portuguesa)


Se eu ficar de Gayle Forman, é um pequeno livro, que se lê depressa, apesar do seu assunto. A autora consegue que o livro seja de leitura compulsiva, apesar de falar de um trauma complicado e levantar questões bastante reais sobre os sobreviventes de qualquer tipo de tragédia.

Mia é uma jovem de 17 anos, com uma vida normal: tem uma família carinhosa, um namorado que ama e os desafios normais inerentes à sua idade, como se irá para Nova Iorque deixando para trás a sua família e namorado, mas seguindo o seu sonho de se tornar uma artista de sucesso ou se fica.

Depois de um acidente que a deixa em coma, Mia terá de fazer uma escolha bem mais vital: deverá ficar... ou ir?

Todo o livro se centra nesta questão. Mia sofre um acidente de carro logo nas primeiras páginas, mas antes temos um vislumbre da vida que leva, na forma como brinca com o pai, a mãe e o irmãozinho mais novo, Teddy.

Ao longo do livro, Mia vai tendo vislumbres da sua vida sem que isso se torne numa corrida para responder àquela pergunta vital que tem agora pela frente. E se, alguns diriam que Mia parece algo deslocada e pouco emocional, creio que isso só torna a situação mais real, mais pungente, mais... humana. Mia está em choque. Está cansada. Quer que tudo acabe, mas não sente o que deveria sentir (tradicionalmente). Pergunto-me quantas pessoas pensam, perante uma determinada situação se não "deveriam sentir... mais". Mas a forma como Mia lidou com os seus sentimentos, como se estivesse anestesiada, pareceu-me... muito realista. Pelo que gostei de ler a forma como esta personagem foi escrita, muito mais do que se estivesse à beira do desespero.

As personagens que a acompanham nesta viagem também são dignas de nota. A amiga Kim, Adam o namorado, os avós. Forman captou bem as diversas formas como as pessoas lidam com a dor, desde oestoicismo ao histerismo.

Nem me reconheci ao ler este livro. Até chorei. E isso é algo invulgar relativamente a livros. Acho que está bem escrito, sem floreados ou emoções desnecessárias. É simples e cru, como as emoções humanas são na sua forma mais pura, sem as racionalizações que lhes impomos depois.

No geral, uma leitura impressionante. Quando uma pessoa lê muito acaba por ser preciso muito também para que um livro nos toque verdadeiramente. Para mim, o facto de a autora não cair num excesso de dramatismo foi o que me fez realmente sentir ligada a este pequeno livro tão grande.

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