31 agosto 2014

Opinião: Meu Único Amor (Cheryl Holt)

Meu Único Amor de Cheryl Holt
Editora: Quinta Essência/Leya (2014)
Formato: Capa mole | 390 páginas
Géneros: Romance Histórico
Sinopse.

AVISO: esta opinião é meio "rant"
A minha primeira experiência com Cheryl Holt não correu muito bem. O seu livro "Total Surrender" tornou-se dos poucos que não consegui acabar, devido tanto à história, que para mim era bastante banal e tema de imensos livros (muito melhores) do género, como à escrita que achei sinceramente estranha e demasiado dramática.

O dramatismo excessivo foi também uma das coisas que me desapontou neste livro. Retirou realismo à história e fez com que as personagens parecessem pouco ajuizadas.

A protagonista é Maggie Brown, filha ilegítima de um duque e de uma prostituta de luxo chamada Rose (daquelas que são sustentadas por homens nobres e tudo o mais). Depois da morte da mãe, Maggie e a sua amiga (e igualmente antiga amante de vários homens da alta sociedade) decidem ir passar uns dias à beira-mar, uma vez que sem a proteção do... protetor de Rose, serão expulsas do local onde viveram e ficarão na miséria.

Durante as férias conhecem dois irmãos que parecem (e se apresentam) como sendo de classe média e Maggie apaixona-se imediatamente por um deles, sem suspeitar que é de facto o Marquês de Belmont. 

Quando Maggie volta para Londres, descobre que a única solução é prostituir-se pois não encontra quem lhe dê emprego. E fatidicamente acaba por se tornar amante do marquês.

A partir daí é só drama. Já não chegava o insta-love, o irrealista amor à primeira vista, que sinceramente não me parece assim muito romântico para ninguém, especialmente o público-alvo deste tipo de livros (mulheres adultas), Adam (o marquês) é um idiota horroroso durante quase todo o livro e Maggie demasiado permissiva das suas parvoíces, excetuando uma ou duas ocasiões. A perda da virgindade é um drama, woe, que dor e depois o Adam ainda decide que a culpa é toda da Maggie (não é um doce meninas?); o tornarem-se amantes é um drama, woe, o Adam não se quer tornar no pai que manteve uma amante (coisa normalíssima na época, é de relembrar); e depois, woe, pobre Adam tem de casar com outra pessoa e pronto não pode continuar a ter sexo desenfreado com a Maggie e ainda lhe diz "minha menina se engravidas meto-te na rua, bastardos é que não" (então não tenhas sexo com ela, totó).

Basicamente, o livro todo foi uma pity party constante, geralmente a de Adam que tinha a Maggie mesmo onde queria (como prostituta privada), mas depois culpava-a interiormente por toda a angústia emocional por que estava a passar, porque não se podia casar com ela! E a culpa disso era toda dela, a mazona, porque raio é que não podia ter nascido noutras circunstâncias? Huh? Estava a estragar tudo, buaaaah!

A Maggie também teve os seus momentos, foi ridículo o quanto se humilhou por amor. Só não dou uma classificação mais baixa ao livro porque ela teve os seus momentos, momentos em que decidia que estava era farta e respondia à letra. Pena não serem mais frequentes.

Tudo o que possivelmente se possa imaginar de dramático aconteceu neste livro: discussões, angústia, mortes, separações, desentendimentos, gravidezes, etc e tal.

Compreendo a ideia da autora: queria retratar a posição difícil das mulheres na época e também dos nobres e das suas obrigações pessoais. E queria retratar a luta interior de Adam contra tudo o que lhe fora ensinado. Infelizmente nesta última parte não foi bem sucedida porque o Adam é, supostamente, um homem adulto e se ainda não sabe pensar por si aos 29 anos, nunca aprenderá certamente. Tudo o que a autora conseguiu fazer foi transformar o herói numa criança mimada e birrenta.

No geral, demasiado dramático e não gostei por aí além do herói. A classificação parece destoar porque no fundo estava a gostar do início, achei que ia ser um daqueles livros em que os protagonistas fazem tudo para ficarem juntos e não um livro em que o herói desvirtua e humilha a heroína de todas as formas possíveis e ela deixa, na maioria das vezes. É este "na maioria das vezes" que salva o livro. Isso e a escrita. Felizmente, a tradução salvou-me da escrita demasiado vitoriana da autora que me tinha desagradado no outro livro. Tenho mais livros de Cheryl Holt na prateleira (eu e as minhas compras por impulso), mas não sei se lhes irei pegar tão cedo. 

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