26 setembro 2014

Opinião: Para Sempre (Judith McNaught)

Para Sempre de Judith McNaught
Editora: ASA (2014)
Formato: Capa mole | 448 páginas
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

"Para Sempre" é a minha estreia com a autora Judith McNaught, mas não a minha estreia no género do romance histórico. Talvez seja por isso que não adorei este livro tanto quanto estava à espera de adorar com base na sinopse e nas opiniões positivas sobre este livro e sobre a obra da autora em geral.

Victoria Seaton vive na América no início do século XIX e é filha de um médico. É uma jovem relativamente feliz, que tem uma família relativamente normal e um rapaz a quem está prometida.

Mas tudo isso muda quando os pais de Victoria morrem num acidente de carruagem e ela e a irmã são mandadas para a Inglaterra para morarem com os seus parentes ingleses; que são, nada mais, nada menos do que uma duquesa e um duque.

Separada da irmã, Victoria vai ter de se adaptar a uma sociedade completamente diferente da que conheceu enquanto espera que Andrew, o seu jovem prometido, a venha buscar.

Começando pelo que gostei, o que mais me impressionou foram as diferenças entre as sociedades americana e inglesa. Descendentes de colonos, os americanos estavam na altura, ainda a desenvolver a sua sociedade e mais preocupados, provavelmente, com a sobrevivência do que com a etiqueta. Já a sociedade inglesa era, na época, altamente cerimonial e rígida e a autora descreve tudo isso de forma simples mas vívida. 

Gostei também da personalidade de Victoria. Ok, ela é um bocado uma "Mary Sue" que sabe fazer de tudo um pouco desde disparar uma arma, a montar um cavalo sem sela, passando pelos remédios e cataplasmas que aprendeu a preparar com o seu pai. Todos os criados, aldeões e animais gostam dela. É sinceramente, um bocado demais, só lhe faltou começar a cantar. E, uma vez que é evidentemente corajosa, não entendo porque aturou tanta parvoíce do herói, mas enfim.

Não gostei particularmente de Jason. É demasiado arrogante, frio e um idiota chapado. Ok, o passado dele é negro e torturado, mas não desculpa todas as suas ações (inclusive a parte em que forçou as suas atenções na heroína... tipo, nojo? Quer ela tenha gostado no final ou não, ela disse "não".)

A história não é uma surpresa por aí além, é o enredo formulaico deste tipo de livros e quem já leu tantos como eu não consegue sentir a história com a mesma força que sentem aquelas pessoas que só leem um destes romances de vez em quando.

No geral, foi uma boa leitura dentro do género. Não gostei muito do herói, a heroína podia ter mostrado mais coragem e fogo e o romance entre ambos teve alguma química, mas nada de especial. Achei também que a resolução foi demasiado apressada, que Jason, tendo em conta a sua personalidade, capitulou, digamos, demasiado depressa. Para já não falar na cena com Andrew, que não ficou de todo resolvida.

Recomendado, mas com algumas reservas; se preferem os vossos heróis torturados mas com princípios sólidos, Jason não é o ideal.

No entanto, esta história dramática e fulgurante irá, sem dúvida atrair muitos amantes do romance histórico. Além disso, a construção ao nível histórico está, penso eu, bastante bem conseguida. 

2 comentários:

Paula disse...

Bem, eu leio imensos romances de época e sem dúvida esta autora está no meu top. Foi a primeira a marcar este género por isso nem concordo que a Julia Quinn seja a Jane Austen moderna. Apesar de antigas as histórias dela mantêm uma originalidade que falta à maioria das autoras do género atuais. Sem contar que as histórias dela são mais intrincadas e maiores. Com voltas e reviravoltas. E eu adoro ter mais páginas para ler, quando amo uma história. Acho é que tiveste azar com o teu primeiro porque calhou-te logo um dos heróis da autora que "forçam" uma situação. O conselho que te posso dar é que aguardes pelo último da trilogia, que é lindíssimo, na minha opinião. Se esse não te arrebatar então é porque esta autora não te fascina mesmo.

Carla disse...

É curioso como as opiniões podem ser diferentes. :)

Já eu gosto muito do Jason. É um herói atormentado que, pela sua história de vida, sente uma profunda descrença nas pessoas e sobretudo nas mulheres. É um cínico que não acredita em amor porque nunca lhe deram razões para acreditar. Nunca o conheceu. O bonito nesta história para mim é que ela trata da redenção de Jason através do amor. E mesmo quando ele força as suas atenções como dizes, é porque as respostas ambíguas dela o levaram a acreditar em certas coisas. No momento em que percebeu que estava enganado nós acedemos aos pensamentos dele e sinceramente eu não consegui ficar chateada com ele porque ele próprio culpou-se o suficiente pelo que fez. Depois nunca mais fez um único avanço mesmo tendo direito a isso. É m tipo de herói de que nem todas gostamos, mas pelos quais eu sinto imenso carinho quando se redimem de verdade. E os desta autora redimem-se sempre.

A questão com o Andrew ficou totalmente resolvida. Ela sofreu com o facto de terem sido enganados mas percebeu que ele era só um amigo. Quando disse que não podia voltar com ele estava nitidamente a dizer-lhe que amava o marido. Ele foi à vida dele e ela à dela. Não sabemos o que lhe aconteceu a ele? não, mas precisamos obrigatoriamente de saber?