07 outubro 2014

Opinião: Omens (Kelley Armstrong)

Omens de Kelley Armstrong
Editora: Random House (2013)
Formato: e-book | 400 páginas
Géneros: Mistério, Fantasia urbana 
Sinopse.

É bastante difícil escrever uma opinião sobre um livro que é uma mescla de tantas coisas que é quase impossível defini-lo.

Afinal, "Omens" é um livro de mistério, terror ou fantasia urbana? Um pouco de tudo, suponho.

Não sou estranha à obra de Kelley Armstrong, que me deliciou há uns tempos com a sua trilogia juvenil "The Darkest Powers". Sim, ok, não achei que fossem livros terrivelmente bem escritos mas eram boas leituras, compulsivas.

Era isso que esperava de "Omens", o primeiro livro de uma nova série, desta vez para o público adulto. E foi, de certo modo, isso que obtive. Mas também obtive muito mais.

Olivia Taylor-Jones é uma jovem de 24 anos que faz parte da elite de Chicago. Rica, glamorosa e noiva de um promissor CEO, Olivia passa o seu tempo entre as caridades, o voluntariado e outras coisas com que as jovens da sua classe social se ocupam.

Mas tudo muda quando Olivia descobre que foi adotada e que os seus pais são assassinos em série, culpados da morte de oito pessoas. Com os jornalistas à perna e a mãe adotiva sem saber o que sente sobre esta revelação, Olivia foge e dá consigo numa pequena cidade chamada Cainsville. Cainsville é peculiar, parece ter parado no tempo e parece ser o lar de várias pessoas excêntricas. Mas é aqui que Olivia vai recomeçar a sua vida, ao mesmo tempo que tenta descobrir-se a si própria, tenta descortinar a verdade por detrás dos assassínios de que os seus pais são acusados e confronta-se com a aterrorizante questão de ser ou não filha dos seus pais.

"Omens" é, primeiro que tudo, um mistério. Olivia descobre que é adotada e que os seus pais são assassinos em série, e sofre um choque. Mas ao mesmo tempo, quer saber a verdade, acerca de si mesma e dos seus pais. Para isso, forma uma equipa com um advogado interesseiro chamado Gabriel.

Muito do livro é dedicado ao mistério de um dos assassínios duplos cometidos pelos pais da Olivia. Provas indicam que estes podem não ter sido responsáveis por esse crime e Olivia decide que tem de saber se tal é verdade. Ao mesmo tempo, vemo-la criar raízes na pequena cidade de Cainsville, que é bem mais do que aparenta.

Olivia é uma personagem muito bem construída. Carismática e bastante insegura, é bondosa, mas não se define apenas pelas suas boas qualidades (como uma boa Mary Sue). Tem também alguns defeitos e é alvo de um crescimento marcado neste primeiro livro. Olivia perde todos os pilares que seguravam a sua antiga vida e tenta, durante todo o livro, fazer sentido da nova, tenta descobrir qual é o seu lugar.

Isso não significa que o livro seja particularmente introspetivo, porque não é. Não faltam cenas de ação e mistério para manter a narrativa fluída. 

Não falta também uma pitada de sobrenatural, uma vez que Olivia parece ter o dom de interpretar portentos (mas nunca nos é dito com clareza se ela tem ou não apenas uma imaginação ativa), o que contribui também para a sua confusão.

No fim, estes "ingredientes" juntam-se para formar uma história interessante, de leitura compulsiva e sem paragens. A jornada de Olivia e as pessoas que conhece são bastante intrigantes e a fluidez e ritmo da narrativa asseguram que o leitor está sempre com vontade de ler mais.

No geral, muito interessante e um bom começo para uma série de mistério com um pouco de sobrenatural à mistura (mas de forma subtil e de certa forma, mais "realista").

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