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21 junho 2013

Curtas: Fantasia épica e urbana

Ora cá temos mais uma edição das "Curtas". Li estes dois livros recentemente e, como sempre, não tenho muito a dizer sobre eles. Ou melhor, sobre os "Broken Kingdoms" até tenho, mas é basicamente o que disse sobre o primeiro livro e não vale a pena estar a repetir-me.

Editora: Orbit (2010)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Género: Fantasia
Mini-review: Esta sequela do livro The Hundred Thousand Kingdoms, passa-se cerca de 10 anos depois do primeiro livro.
Após os acontecimentos no final da obra anterior, o mundo dos humanos mudou. Sky, a cidade dos Arameri é agora denominada "Shadow" devido ao facto de se encontrar por debaixo da Árvore do Mundo, uma árvore gigantesca que cresceu na cidade há 10 anos. Os descendentes dos deuses descem ao mundo dos mortais e misturam-se com eles. É neste mundo que vive Oree, uma artista cega cujo amante é o deus Madding.
Gostei deste livro. Foi uma leitura compulsiva porque a autora sabe bem como prender a atenção do leitor. Mas os problemas que tive com o primeiro livro (falta de desenvolvimento do mundo e das personagens) repetem-se em The Broken Kingdoms. Além disso, fiquei desapontada com o facto de, depois de se ter dado um acontecimento tão importante e que mudou potencialmente o mundo inteiro, a autora tenha escolhido dar-nos tão pouca informação acerca destas mudanças.
No geral, uma boa leitura, mas ainda não é desta que lhe dou 5 estrelas... apesar de ter gostado bastante do livro.


Editora: Zebra (2010)
Formato: Capa mole | 337 páginas
Género: Fantasia urbana
Mini-review: Mais um livro de fantasia urbana que tinha lá para casa e que decidi ler por... razões. Uma boa palavra para descrever este livro é: genérico. Outra seria: confuso.
Genérico porque o mundo é isso mesmo: um mundo genérico de fantasia urbana. Com vampiros sedutores e lobisomens sexy. A descrição destas criaturas sobrenaturais é... genérica. A nossa heroína é... genérica (uma humana normal que consegue ter uma data de criaturas paranormais atrás dela e a seduzi-la).
Confuso porque alguns dos acontecimentos no livro não fazem sentido. Pareceu-me quase que faltavam partes lá pelo meio. As acções das personagens deixaram-me muitas vezes especada a olhar para o livro. E já agora, não gostei particularmente de nenhuma delas. O romance (se é que se pode chamar romance) não teve qualquer magia ou química.
No geral uma obra bastante... genérica dentro do género. O único ponto positivo foi a escrita, que até se lia bem. E pronto, o cinto falante (yep, leram bem). 

17 junho 2013

Opinião: The Hundred Thousand Kingdoms (N.K. Jemisin)

The Hundred Thousand Kingdoms by N.K. Jemisin
Editora: Orbit (2010)
Formato: Capa mole | 427 páginas
Géneros: Fantasia
Descrição (GR): "Yeine Darr is an outcast from the barbarian north. But when her mother dies under mysterious circumstances, she is summoned to the majestic city of Sky. There, to her shock, Yeine is named an heiress to the king. But the throne of the Hundred Thousand Kingdoms is not easily won, and Yeine is thrust into a vicious power struggle with cousins she never knew she had. As she fights for her life, she draws ever closer to the secrets of her mother's death and her family's bloody history.
With the fate of the world hanging in the balance, Yeine will learn how perilous it can be when love and hate - and gods and mortals - are bound inseparably together. "
Ultimamente parece que ando numa de fantasia épica (a culpa foi da Whitelady que me convenceu finalmente a começar a saga Kushiel). No outro dia, estava a ler a Bang! 14 e deparei-me com uma página de sugestões onde se mencionava o livro de estreia da autora norte-americana N.K. Jemisin, intitulado The Hundred Thousand Kingdoms.

Como é fantasia, como foi recomendado pela Bang! e como até tenho a trilogia em casa por ler, decidi que estava na altura de pegar neste.

E digo-vos, foi, primeiro que tudo, uma leitura compulsiva. Jemisin escreve bastante bem, com uma fluidez surpreendente que nos cativa.

Depois temos a história, claro. Um mundo fantástico onde o planeta inteiro (quase literalmente) é governado das sombras por uma casta, os Arameri, que controlam não só uma fonte infindável de riqueza, mas algumas das divindades que criaram o mundo, assegurando assim uma hegemonia duradoura. Os Arameri dizem-se "conselheiros" mas na verdade controlam o Conselho dos Nobres. Isto pareceu-me extremamente original e interessante. E foi.

A nossa protagonista é Yeine, uma jovem de um reino do Norte que é chamada à cidade "central", Sky, onde vivem os Arameri. A verdade é que a mãe de Yeine era filha da chefe do clã dos Arameri e agora que o chefe se encontra no fim da vida, a jovem é chamada para tomar parte na corrida à sucessão onde tem como rivais dois primos.

Mas Yeine não sabe quase nada do mundo vil dos Arameri. A sua ida a Sky vai mergulhá-la num mundo cheio de perfídia e enganos onde nada é o que parece... nem mesmo os deuses escravizados que os Aramenri usam tanto como entretenimento como arma.

The Hundred Thousand Kingdoms surpreende principalmente pelas ideias da autora. O facto de os deuses servirem, em regime de escravatura, os mortais é algo raro (ou pelo menos para mim, que não leio assim muita fantasia épica) e gostei da forma como Jemisin descreveu as divindades, os seus poderes e a forma como se relacionam com os humanos.

A narrativa tem um ritmo regular que mantém o leitor embrenhado na leitura (ao contrário do que aconteceu com The Killing Moon, um outro livro que li da mesma autora) e nem mesmo a sua natureza algo fragmentada (que é explicada com o desenrolar dos acontecimentos) torna o livro difícil de acompanhar ou aborrecido. Yeine, a nossa narradora divaga por vezes, mas isso não interrompe o fluxo da narrativa.

A forma como muitos dos protagonistas foram retratados (especialmente os deuses escravizados) também contribuiu para que este livro fosse uma leitura tão agradável.

No entanto, nota-se que este é o primeiro livro da autora. Ela cometeu um erro que me parece ser de principiante: notei que nalgumas das comparações que ela fazia, utilizava referências do nosso mundo. Do género "A sala era tão grande que cabia lá um elefante"; sendo um mundo ficcional completamente diferente, estas referências não existiriam (elefantes também não, provavelmente).

Além disso, apesar de alguns aspectos do mundo terem sido adequadamente desenvolvidos (os deuses e a respectiva mitologia - apesar de esta ser algo básica e previsível), outros ficaram por explicar (por exemplo, o nível tecnológico de Sky... não existem carros, mas pelos vistos existem canalizações e torneiras, etc).

Achei também que tudo ocorreu demasiado depressa: as descobertas de Yeine sobre a Guerra dos Deuses e sobre os objectivos dos Arameri pareceram-me demasiado apressadas e sem explicação satisfatória. A peculiaridade de Yeine foi arrumada a um canto quando poderia ter adicionado interesse à história, se explorada.

No geral, uma boa obra de fantasia. N.K. Jemisin tem certamente uma boa imaginação e um talento para contar histórias. Faltou mais desenvolvimento do enredo, do mundo e das personagens (com as quais, tal como no outro livro da autora, não me consegui ligar), incluindo o romance que me pareceu também apressado e pouco verosímil. Mas gostei imenso das ideias da autora. Uma série a seguir.
English Review  |  Outros livros da autora: The Killing Moon (EN)

03 julho 2012

Review: The Killing Moon (N.K. Jemisin)

The Killing Moon by N.K. Jemisin
Publisher: Little, Brown (2012)
Format: Paperback | 404 pages
Genre(s): Fantasy
Description (GR): "In the ancient city-state of Gujaareh, peace is the only law. Upon its rooftops and amongst the shadows of its cobbled streets wait the Gatherers - the keepers of this peace. Priests of the dream-goddess, their duty is to harvest the magic of the sleeping mind and use it to heal, soothe . . . and kill those judged corrupt.
But when a conspiracy blooms within Gujaareh's great temple, Ehiru - the most famous of the city's Gatherers - must question everything he knows. Someone, or something, is murdering dreamers in the goddess' name, stalking its prey both in Gujaareh's alleys and the realm of dreams. Ehiru must now protect the woman he was sent to kill - or watch the city be devoured by war and forbidden magic."
WARNING: SPOILERS!
I'm a bit confused about this book. I liked it a lot, but I didn't love it. I had high expectations and they were met but I still can't say I read it compulsively and loved every minute of it. So I am sorry if the review is a little more "scattered" than usual.

"The Killing Moon" is a really good book. The world-building is excellent; intricate and thoughtful, careful to go one step further the usual fantasy fare. The issues and problems it tackles are well explored, for the most part. What will we do for peace? How far are we willing to go to maintain it? When is killing acceptable? Where do we draw the line?
The book deals with these questions flawlessly through the world-building, the characters' development and the ideology without almost never passing judgment at the extremes presented.

That said, I didn't love this book. Why? Because I couldn't connect with the characters. There was no emotional link and I think that is what failed.

The main characters are Sunandi, a foreign ambassador in Gujaareh (the place where most of the action takes place), Ehiru, a priest and a dream Gatherer and Nijiri, Ehiru's apprentice. Gatherers collect "dreamblood", an ethereal and magical substance that comes from dreams. Which is fitting since Gujaareh's patron Goddess is Hananja, a deity of dreaming. They also kill all those accused of corruption (considered a disease of the soul) by severing the soul from the body and leading it to Ina-Karekh, the land of dreams where Hananja rules.

This dreamblood and its associated substances (dreambile, dreamichor and dreamseed) are connected to the soul and their use can cure many diseases either physical or psychological. So dreamblood is actually very valuable. It is controlled by the Hetawa, the temple of Hananja.

See, I had my first problem here. Our main character, Ehiru is a completely pious and faithful mercy assassin. In the tradition of the truly brainwashed he carries his duties with the utmost conviction. But when he finds out his little utopia is not very utopic at all he has no crisis of faith. He still believes in his religion's moral precepts. To be fair when he learned the whole truth (which was pretty obvious since, hello, humans will be humans and his temple controls 100% of the most important substance in their peace-loving city) he was half mad, but still.

In the end I just couldn't connect with Ehiru. He was probably not the most important character (I'd say that honor belongs to Nijiri) but there was no change at all in him (oh, wait, he was going mad). He was the same until the end although his world had been turned upside-down. Nijiri had the same kind of evolution, which annoyed me.

Basically I felt the characters were a bit empty and not very realistic. The author spent so much of her time setting up her world (and a great job she did too) that she just didn't invest enough in the characters. I'd have liked to read a more character driven novel. I'd have liked to see Ehiru or just Nijiri be angry and doubt everything they knew and took for granted. That would have had much more impact, in my humble opinion. But alas (ahah), I am not the author and she did not write this book solely for me.

Overall, "The Killing Moon" is a great read. The meticulous world-building with a slight Egyptian influence will appeal to fans of complex and well thought out fantasy books. I'd have liked more character development though. Still, very good. Recommended.

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