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07 fevereiro 2025

Opinião: Verity (Colleen Hoover)


Editora: Topseller (2019) 

Formato: Capa mole | 320 páginas 

Géneros: Romance, Mistério

Sinopse.

AVISO: isto é uma tirada raivosa cheia de spoilers 

Este livro é... tão mau. A coisa mais improvável de sempre. É suposto eu acreditar que os seres humanos se comportam assim?

Ora vejamos:

Temos a Verity... "Olá, eu sou Verity e eu sou (não) uma psicopata, deixem-me apenas escrever tudo sobre os meus crimes num word, imprimi-lo e deixá-lo numa caixa qualquer onde qualquer pessoa o pode encontrar e lê-lo."

Temos o Jeremy: "E eu sou o Jeremy, o marido e passei anos e anos com a minha mulher, mas vou acreditar neste texto aleatório que li no computador dela. Não lhe pergunto nada, não a confronto, apenas decido que ela é culpada e nunca acho estranho que ela tenha esse texto num computador com fácil acesso e sem qualquer password". "Ah e sou podre de bom. Porque tipo, protagonista e tal."

Desconhecida: "E eu sou a principal personagem feminina (literalmente não me lembro do nome dela e terminei o livro há 10 minutos) e eu vou apaixonar-me à primeira vista pelo protagonista masculina porque é claro que sim, e vou descobrir o manuscrito sem nunca vou parar para pensar COMO SERIA ESTÚPIDO ALGUÉM DETALHAR OS SEUS CRIMES POR ESCRITO E OS IMPRIMIR!!!"

Ufa, já me sinto muito melhor.

Este livro é tão básico e sinceramente só literatura má. E nem sequer estou a falar das cenas de sexo tiradas a papel químico do pornhub. Senti vergonha alheia ao lê-las, a sério.

Falta consistência, personagens notáveis, originalidade e, acima de tudo... não faz sentido nenhum. Vá lá, a Verity conseguiu enganar médicos e enfermeiras sobre o seu estado? Não há TACs no hospital onde ela estava? Equipamentos de monitoramento e pessoas que foram para... sabem, a Universidade de medicina e podem distinguir com facilidade um coma falso de um coma verdadeiro? Se me dissessem que ela subornou alguém, então... talvez. Mas não, só enganou toda a gente porque... Porquê? Por que não foi diretamente à polícia se o seu marido a estava a tentar matá-la?

Os personagens são tão... burros. E inconsistentes. Então, os supostos crimes da Verity foram abomináveis, mas os crimes do Jeremy eram justificados? Sim, fixe, então está bem.

Nem sei bem o que representa o final. A Verity era inocente? Culpada? Final aberto, é o leitor a decidir? Porque no geral, neste tipo de livros deviam atar-se as pontas soltas. Para ser honesta, o último capítulo é demasiado complicado. Não entendi. Não achei que fosse um "twist". É só um final sem sentido.

Isto... foi tão mau como uma novela mexicana. Não sei de onde vem a alta classificação no Goodreads, porque digo-vos, este livro não faz sentido. De todo. Simplesmente não faz sentido. Não faz sentido. Ou talvez seja um thriller altamente sofisticado que eu não entendi.


22 março 2023

Opinião: Um Acordo Muito Sedutor (Maggie Robinson)

Um Acordo Muito Sedutor de Maggie Robinson
Editora: Editorial Planeta (2015) 
Formato: Capa mole | 336 páginas 
Géneros: Romance histórico
Sinopse.

Uma história bastante típica dentro do romance histórico, cuja resolução é fraquita, especialmente porque havia lugar para um mistério interessante, se o mesmo tivesse sido bem desenvolvido.

E a tradução não ajudou. Tenho visto imensos erros de tradução em livros, mas este livro foi dos piores. A tradução literal abunda e faz-me questionar se a tradutora percebe realmente o inglês e as suas nuances. Algumas frases foram traduzidas tão literalmente que nem sequer faziam sentido. É por isso que os tradutores devem ser profissionais formados e não umas pessoas quaisquer que fazem barato e "até percebem mais ou menos de inglês" (claro que não sei se será este o caso... mas sei que é esta a mentalidade relativamente à profissão/trabalho de tradução). O resultado nunca é satisfatório e é insultuoso para os leitores, que não pagam pouco pelo livro, depararem-se com uma qualidade que deixa tanto a desejar. Enfim.


12 agosto 2017

Opinião: O Leitor do Comboio (Jean-Paul Didierlaurent)

O Leitor do Comboio de Jean-Paul Didierlaurent
Editora: Clube do Autor (2017)
Formato: Capa mole | 196 páginas
Géneros: Lit. Contemporânea
Sinopse.

AVISO: ALGUNS SPOILERS

Um pequeno livro, que se lê de uma assentada, O Leitor do Comboio retrata a vida rotineira de Guylain Vignolles, um jovem de 36 anos, solteiro, dono de um peixinho dourado.

Guylain é uma pessoa vulgar num mundo de pessoas vulgares; todos os dias apanha o comboio para o trabalho, tem de aturar um chefe mandão e prepotente, um colega ao mesmo tempo ambicioso e mediocre e uma tarefa que detesta: destruir livros.

A única altura do dia em que Guylain Vignolles é alguém diferente e mágico é durante a viagem do comboio, onde lê páginas soltas que arranca das entranhas da "Coisa", a máquina que transforma livros em pasta de papel reciclável. Estas "peles vivas", como lhe chama, são o que resta dos livros enfornados e destruídos e fazem as delícias dos seus companheiros de viagem. Também poderão ser aquilo que mudará a vida de Guylain para sempre.

Não é muito comum para mim ler livros sobre pessoas "reais" com vidas reais. Leia-se: pessoas com vidas vulgares, monótonas e repetitivas; no fundo parecidas com a minha. O meu objetivo ao ler livros é viajar na companhia de seres invulgares, mesmo que comecem como eu, normais e com vidas normais pois é sabido que na maioria dos livros, eles depressa descobrem a existência de um mundo bem mais interessante.

Mas este livro, "O Leitor do Comboio", foge a essa regra. Guylain Vignolles é o mais normal possível: vive num pequeno apartamento, tem um trabalho monótono e previsível, é tímido e apagado; em suma é o que tanta gente é. O que nos permite, de certo modo, identificarmo-nos com a personagem. O que gostei.

O que me desapontou aqui não foi a natureza da história (algo que eu sinceramente temia que acontecesse), mas sim o facto de ela nunca ter chegado a "levantar voo", por assim dizer.

Vignolles é arrancado da sua vida sempre igual por dois acontecimentos: o convite de duas senhoras idosas para que vá à sua casa de repouso ler todos os sábados de manhã e a descoberta de uma pen drive repleta de textos escritos por uma jovem chamada Julie.

Apesar de acompanharmos Guylain a duas leituras na casa de repouso e de o ouvirmos a ler no comboio excertos do diário de Julie, nunca vemos grandes alterações na sua vida diária. A procura por Julie acontece em segundo plano e apenas devido à pesquisa de um dos amigos de Guylain; e este nunca colhe frutos da sua nova atividade no lar.

Assim, o livro acaba como começou... sim, o autor diz-nos que os esforços da nossa personagem podem ser recompensados, mas nunca vemos essas recompensas, essas mudanças.

No geral, este livro entreteu-me, mas soube-me a pouco, parece inacabado. Acho que é um dos poucos livros que já li até hoje que tem conteúdo a menos em vez de a mais e que beneficiaria de mais páginas e desenvolvimento.

Detalhes da versão original:
Título: Le liseur du 6h27
Ano: 2014

23 março 2015

Opinião: Conspiração Mortal (J.D. Robb)

Editora: Chá das Cinco/SdE (2011)
Formato: Capa mole | 333 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica

(A versão lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da edição portuguesa.)

Para mudar um pouco "de ares", decidi retomar a leitura da série "Mortal" de J.D. Robb (ou Nora Roberts). A minha última leitura, em finais de agosto do ano passado, tinha sido pouco satisfatória, talvez porque tinha andado a ler os livros todos de seguida e, assim, foi-me difícil não reparar que as histórias eram sempre parecidas.

O oitavo livro não foge muito à fórmula a que J.D. Robb já nos habituou em livros anteriores, mas desenvolve as personagens principais e introduz um crime que, mesmo sendo cometido por uma pessoa mentalmente instável, se distingue um pouco dos crimes anteriores.

Eve é chamada a uma cena de um crime, cuja vítima é um sem abrigo. Devido à sua filosofia, Eve sente que tem de "defender os mortos", independentemente da sua classe social pelo que, apesar de muitos polícias não se importarem muito com tais mortes, Eve irá fazer tudo para descobrir o culpado. Além disso, o coração do sem abrigo, de nome (ou alcunha) Snooks, foi levado. Eve, cedo suspeita que um cirurgião profissional possa estar envolvido no caso.

A sua investigação leva-a a descobrir que crimes semelhantes tiveram lugar em diversas cidades não apenas nos EUA mas também na Europa. À medida que Eve se aproxima do culpado, forças poderosas tentam impedir a sua investigação das mais diversas formas... parece que este assassino tem boas ligações.

Como disse, este livro não foge muito do estilo dos anteriores. No entanto, há mais tensão e um maior sentido de urgência, porque o assassino tem alguma influência em diversos meios políticos e Eve sofre alguma pressão para encerrar a investigação. Pressão essa, que não a impede de continuar, até que os seus inimigos tomam medidas drásticas.

Gostei deste livro devido à tensão que mencionei acima e porque, pela primeira vez, vemos Eve completamente vulnerável. Ela que é sempre tão dura e pronta para todas as situações, que vence constantemente os seus fantasmas, mostra-nos, neste livro, um lado mais humano. E Roarke também, de certo modo. Apesar dos constantes "Amo-te", de ambas as partes, senti que neste livro a relação deles foi testada pela primeira vez, realmente testada e isso deu mais alguma profundidade às personagens.

No geral, uma leitura que me agradou. O intervalo que fiz entre leituras de livros desta série ajudou certamente, mas penso que este livro é mais rico do que alguns dos anteriores, em alguns aspetos. Explorou-se um tipo diferente de crime, a questão da ética nas experiências médicas e ficámos a saber um pouco mais sobre como funciona a medicina em meados do século XXI.


Da mesma série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal
  6. Vingança Mortal
  7. Oferenda Mortal

06 novembro 2014

Opinião: O Primeiro Marido (Laura Dave)

Editora: Topseller (2014)
Formato: Capa mole | 255 páginas
Géneros: Romance
Sinopse: "Annie Adams está a alguns dias de celebrar o seu 32.º aniversário e pensa que encontrou, finalmente, a felicidade.
Jornalista, escreve uma coluna semanal sobre viagens e passa a vida a explorar os lugares mais exóticos e interessantes do mundo. Vive em Los Angeles com Nick, o namorado com quem já pensa casar, numa relação aparentemente feliz que já conta com cinco anos. Quando Nick chega a casa e a informa de que, «segundo a terapeuta», talvez precisem de «um tempo», Annie fica destroçada.
Perdida num turbilhão de sentimentos, Annie acaba por conhecer Griffin, um charmoso chef, que de imediato a conquista. E em apenas três meses, Annie dá por si casada, a reconstruir a sua vida numa zona rural do Massachusetts.
Mas quando Nick lhe pede uma segunda oportunidade, Annie fica dividida entre o seu marido e o homem com quem ela sente que deveria ter casado."
Ora bem, vamos lá então tecer uma opinião ao livro “O Primeiro Marido”. Que também pode ser intitulada “Como a Patrícia é enganada, vez após vez, pelas sinopses e capas dos livros e mesmo assim não aprende a lição”.

“O Primeiro Marido” conta a história de uma mulher (não me lembro do nome dela, I kid you not, mas isso agora não interessa nada) que tinha uma relação com um homem que, de repente decidiu que queria “dar um tempo”. E a mulher, com o coração partido, vai a um bar, embebeda-se, conhece um homem giro e, três meses mais tarde está casada (não, não estou a gozar).

E o resto do livro é uma espécie de “overload” de prosa horrorosa, pseudo poética que pretende dizer muito e vir mesmo, mesmo, do coração, mas não diz nada e quase não passa de um conjunto de frases aleatórias.

E o que se aprende com esta treta deste livro é que a protagonista tinha uma vida em que se sentia confortável (lembrem-se quem não gostava era o namorado) e que chega um homem qualquer todo bom e ela casa-se, e de alguma forma ele convence-a de que ela não sabe bem o que quer (ela escrevia sobre viagens, viajava e sentia-se bem com a sua vida), mas ele sabe e é ir viver para a aldeia onde ele nasceu (população 300) e tentar arranjar lá emprego enquanto ele abre o restaurante dos seus sonhos. E sinceramente, este livro é uma treta tão grande que já me saía incredulidade pelos olhos.

Assim, com uma prosa pretensiosa e horrível e uma história que pretende mostrar como uma mulher “se encontrou a si própria” (vivendo intensamente os sonhos do seu homem), esta é uma das piores leituras deste ano. Bestseller do New York Times ou não. 

29 agosto 2014

Opinião: Oferenda Mortal (J.D. Robb)

Oferenda Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2010)
Formato: Capa mole | 284 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

Aviso: contém pequenos SPOILERS para o livro anterior.
(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).

Este sétimo livro da série "Mortal" abre de forma semelhante a todos os outros e tem uma estrutura semelhante a todos os outros: crimes em série, o Roarke a mudar os seus horários para cuidar da Eve e para se intrometer na investigação criminal, conferências de imprensa e muito sexo entre o casal principal.

Assim, foi com alguma apreensão que iniciei a leitura. Afinal, tenho gostado bastante da série, mas mesmo assim não posso deixar de admitir que a fórmula em todos os livros é idêntica, ainda mais nestes últimos em que Eve já confrontou parcialmente os "demónios do passado" e está a construir uma rotina. Rotina essa que nos é apresentada no livro.

E, durante grande parte do livro, esta semelhança com livros anteriores fez com que a leitura andasse mais devagar do que gostaria.

Em Oferenda Mortal, estamos na época natalícia, uma época bastante stressante para a maioria das pessoas e ainda mais para Eve, que nunca teve de se preocupar em arranjar presentes para ninguém e agora tem uma data de amigos e mesmo uma família.

No entanto, parece que há outras pessoas que também têm memórias traumáticas deste período e quando um assassino em série vestido de Pai Natal, começa a atacar, Eve terá de despender esforços (que lhe podem custar mais do que o normal, pois ainda tem sequelas de ter sido atingida por uma arma no livro anterior) para impedir que mais pessoas morram.

O que me irrita um bocado nestas investigações é que a Eve nunca chega lá sozinha. Há sempre um elemento de sorte, ou tem uma testemunha ou o assassino comete um erro. Apesar de investigar que se farta, a Eve nunca chega à conclusão correta e diz: "É este o criminoso. Vamos prendê-lo". E isso não ajuda a que o leitor a veja como muito boa naquilo que faz, como todas as personagens insistem que ela é.

Mas voltando a este livro em específico, este estava a ser uma leitura bastante típica para esta série. O que salvou realmente o livro foi Peabody, que finalmente mostrou alguma emoção para além de uma admiração desmesurada por Eve (que às vezes consegue ser bastante mal criada para a sua ajudante), McNab o detetive informático e Charles, o prostituto com quem a Peabody sai algumas vezes. Roarke e Eve limitam-se a repetir tudo o que fazem noutros livros.

No geral, uma leitura que me custou por causa da sua semelhança com outros livros da série. Como é que os leitores ainda não se fartaram ao fim de 40 livros não sei. Vou ler os próximos, mas se a fórmula para os mistérios continuar a mesma e se não houver mais desenvolvimento de Eve e Roarke (por amor da Santa, zanguem-se ou algo do género!), por mais que goste da série, acho que não vale a pena continuar e ler 532 vezes o mesmo livro. 

Da mesma série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal
  6. Vingança Mortal

20 agosto 2014

Opinião: Vingança Mortal (J.D. Robb)

Vingança Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2010)
Formato: Capa mole | 301 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

E cheguei já ao sexto livro da série "Mortal". Esta série é bastante viciante e o leitor (neste caso, eu) quer sempre saber mais sobre as interessantes personagens que povoam o mundo, pelo que continuamos a ler. Os mistérios e o intrigante mundo futurista são ótimos bónus!

Em Vingança Mortal, Eve terá de jogar um perigoso jogo com um psicopata cujo objetivo é vingança... vingança contra Roarke e todos os que o ajudaram no passado, aquele passado sombrio, na Irlanda do qual sabemos tão pouco.

Numa corrida contra o tempo, Eve tem de tentar resolver as adivinhas que lhe são transmitidas pelo assassino para conseguir chegar a tempo ao local onde as vítimas sofrem mortes horrorosas.

Temos também um elemento religioso nestes crimes, que a meu ver não foi suficientemente bem explorado, mas pronto.

Neste sexto livro ficamos então a saber mais sobre Roarke, sobre o seu passado e sobre as tais ações objecionáveis de que já se vem falando desde livros anteriores. É um forte teste ao carisma da personagem, uma vez que finalmente temos uma visão bem mais clara do que Roarke fez e de quem ele é realmente. Já não é apenas uma personagem misteriosa e um pouco "dark".

Gostei do facto deste livro ter tido um pouco mais de ação do que os anteriores (sem exageros e sem comprometer o enredo), com uma perseguição a alta velocidade e tudo. 

Vemos também as primeiras "sementes de discórdia" entre o casal de protagonistas, o que me pareceu bastante realista tendo em conta a natureza das infrações de Roarke.

Vemos também que Eve, longe de ser perfeita, não se abstém de utilizar métodos menos "legais" para apanhar os criminosos.

No geral, mais uma boa leitura. Acho que a autora apanhou novamente o ritmo que tinha falhado um pouco no livro anterior e que as personagens sofreram um desenvolvimento marcado neste livro.

Outros livros da série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal

18 agosto 2014

Opinião: Envolvidos (Emma Chase)

Envolvidos de Emma Chase
Editora: Topseller (2014)
Formato: Capa mole | 256 páginas
Géneros: Romance contemporâneo
Sinopse.

Para mim é um bocado difícil escrever uma opinião acerca deste livro, primeiro porque não tenho grandes termos de comparação (não leio assim muito romance contemporâneo, se bem que isso parece estar a mudar este ano) e segundo porque apesar de ter gostado do livro em geral, a personalidade do protagonista masculino precisava de ser completamente reciclada porque é um machista idiota na maioria das vezes.

"Envolvidos" conta-nos a história de Drew e Kate, dois jovens ambiciosos que se conhecem quando Kate é contratada para trabalhar na empresa de Drew. 

Drew é o típico mulherengo que tem uma mulher diferente todas as semanas, que não se quer comprometer e que se acha muita bom. É também o narrador da história e manda com cada bitaite mais parvo, que sinceramente não sei se ele teria conseguido ter uma relação, mesmo que quisesse uma.

Kate é uma rapariga ambiciosa, moderna e que se sabe defender e redimiu, na maioria das vezes, o livro. 

Quando estas duas personagens se conhecem até se dão bem, mas depois começam a competir por um cliente e é essa parte do livro que é realmente divertida, com a sua relação cheia de tensão e as partidas que pregam para "sabotarem" o trabalho um do outro.

Claro que entre as discussões vai existir bastante tensão sexual e tudo o mais. E Drew irá certamente aprender um pouco mais sobre o amor (afinal isto é um romance).

É como digo: no geral, não desgostei do livro. Calculo que o objetivo da narrativa era ser hilariante, mas sinceramente não achei grande piada à maioria das saídas de Drew. Achei mesmo que algumas delas eram sexistas e que a personagem (nem consigo pensar nele como pessoa porque era demasiado estereotipado: um estereotipo do que uma mulher - a autora - pensa que um homem pensa) era demasiado convencida para que se gostasse dela. E sinceramente, qual é a pessoa inteligente que acha que um homem está sempre a pensar em sexo? Ainda estaríamos na Idade da pedra, se assim fosse. :P

No geral, uma leitura leve, rápida e agradável q.b. Não é nenhuma obra-prima; as personagens são tudo menos desenvolvidas e são bastante estereotipadas, o enredo é fraquito e sinceramente o sexismo (ah e tal, aquelas mulheres com quem eu durmo são umas fáceis/galdérias - como se ele não fosse?) chateou-me um pouco (mas só um pouco), mas não foi mau. Uma boa leitura de praia, desde que não se espere muito.

15 agosto 2014

Opinião: O Jardim Encantado (Sarah Addison Allen)

O Jardim Encantado de Sarah Addison Allen
Editora: Quinta Essência/Leya (2008)
Formato: Capa mole | 270 páginas
Géneros: Romance contemporâneo
Sinopse.

AVISO: Pequenos SPOILERS
"O Jardim Encantado" é o segundo livro que leio desta autora e estava preparada para gostar imenso. E na verdade, gostei. Não, a sério. Apesar de lhe ter dado apenas três estrelas. O problema não foi o livro em si, mas... o seu tamanho. Mas já lá iremos.

Numa pequena cidade do sul dos Estados Unidos vive a família Waverley, que sempre foi considerada estranha pelos vizinhos, apesar da sua estranheza ser aceite. O que se passa por detrás dos muros do famoso jardim das Waverley, com a sua antiga macieira é mais ou menos um mistério... ou pelo menos é suposto ser; a verdade é que todos sabem que as mulheres Waverley têm algumas capacidades especiais.

É por isso que Claire Waverly se dá bem no seu negócio de catering. Claire teve uma infância atribulada, com uma mãe "aventureira", até a irmã, Sydney nascer e a mãe as levar a ambas para a cidade de Bascom. Claire, encantada com a nova estabilidade, continua a manter viva a herança das Waverly; Sydney, sufocada pela rotina da vida em Bascom, foge à primeira oportunidade, decidida a ter aventuras, como a mãe antes dela.

"O Jardim Encantado" conta a história destas irmãs e das suas vidas. Quando Sydney regressa a Bascom com uma filha, tanto ela como Claire terão de enfrentar os seus medos e velhos ressentimentos que têm uma com a outra e, no caso de Sydney, com a herança mágica das Waverley.

Claire terá de aprender a abrir mão do controlo total da sua vida e a deixar entrar outras pessoas, incluindo o vizinho Tyler e Sydney terá de aceitar o seu lugar no mundo e de lidar com os seus erros.

Ao mesmo tempo a autora descreve-nos a magia subtil das Waverley e os respetivos talentos de cada uma das mulheres da família: o talento de Claire com as flores e os seus usos, o talento de Sydney com os penteados e o de Evanelle, a prima afastada das Waverley, em presentear as pessoas com objetos de que virão a precisar. Achei que o "realismo mágico" foi muito bem conseguido neste livro.

O meu único problema é que a autora escolheu operar grandes mudanças nas suas protagonistas e pareceu-me que as mesmas não se operaram de forma assim muito gradual. O desenvolvimento das personagens e do romance é apressado e merecia mais; muito mais, porque a história é tão boa e as personagens tão humanas, que mereciam mais detalhe, mais introspeção, mais sumo.

No entanto, achei que esta leitura foi bastante agradável, no geral. Recomendado para fãs de romance contemporâneo que não se importem com um pouco de magia.

14 agosto 2014

Opinião: Cerimónia Mortal (J.D. Robb)

Editora: Chá das Cinco/SdE (2010)
Formato: Capa mole | 269 páginas
 
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

O quinto livro da série mortal debruça-se, ao contrário do anterior, num tema tão antigo como o tempo: as religiões. Os crimes que a Tenente Dallas investiga em Cerimónia Mortal têm contornos religiosos algo macabros e envolvem athames, muito sangue e mesmo corações desaparecidos. Estes homicídios vão levar a tenente Dallas a lidar com alguns conceitos que vão contra a sua natureza lógica e analítica. Ao mesmo tempo, Eve conhece um lado do seu marido que desconhecia.

Devo dizer que este volume me desiludiu um pouco. Não porque não tenha sido uma leitura interessante e compulsiva, mas porque achei que Robb não desenvolveu tão bem o seu mistério desta vez. A conclusão foi apressada e pouco satisfatória: basicamente, Eve só descobriu o culpado porque o mesmo a raptou e lhe ia fazer mal. Senão, a detetive andaria completamente a leste, por assim dizer.

O argumento de "natureza versus educação" surge novamente neste livro (embora muito menos vincadamente do que no anterior) e centra-se também nas crenças religiosas e em como ainda continuam vivas e fortes, apesar de estarmos nuns meados do século XXI muito desenvolvidos a nível tecnológico.

Como também já referi anteriormente, Eve fica a conhecer uma faceta antes desconhecida de Roarke que tem, afinal, respeito pelo oculto. Apesar de não haver um desenvolvimento marcado ao nível das personagens neste livro, sinto que o casal de protagonistas avançou um pouco na sua relação, pois a mesma encontra-se agora mais aberta.

No geral, mais uma leitura bastante interessante. Não gostei tanto como de outros livros da série, mas Cerimónia Mortal é uma boa adição à série e será uma ótima leitura para quem gosta de mistérios ou da Robb (ou Nora Roberts).


Outros livros da série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal

12 agosto 2014

Opinião: Êxtase Mortal (J.D. Robb)

Êxtase Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2009)
Formato: Capa mole | 268 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

(A edição lida estava em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa)

O quarto livro da série "Mortal" abre com a lua de mel de Eve e de Roarke, fora do planeta, numa futura estância de luxo (ainda em construção). Mas Eve nunca consegue (nem quer) muito tempo livre e aparentemente, a morte persegue-a: um suicídio no local, vai ser o ponto de partida para o próximo mistério que Eve terá em mãos.

Êxtase Mortal, foi mais uma leitura agradável com a sua escrita fluída, personagens intrigantes e ritmo regular e nunca entediante. O mistério é bastante fácil de resolver, como sempre, mas não tira por isso encanto à leitura.

Desta vez, Eve depara-se com uma série de suicídios que ela considera suspeitos. As vítimas morrem com um sorriso de pura alegria na cara e Eve luta para provar que existe influência externa (ou seja, que se tratam de homicídios). Surge neste livro um interessante debate (que achei que podia ter sido bastante mais aprofundado, mas pronto) sobre a "natureza versus a educação" que vai ainda mais longe do que o descrito em Divergente e entra mesmo na influência da composição dos nossos genes e como isso pode determinar por completo as nossas escolhas.

Outro aspeto que achei interessante é que, pela primeira vez, a arma do crime é um dispositivo existente neste mundo de ficção científica desenvolvido por J.D. Robb.

A narrativa continua a incluir tanto os passos de Eve para descobrir o que se passa como o desenvolvimento da sua vida pessoal, com Roarke. Este livro contém acontecimentos bastante fortes que poderiam ter tido, na minha opinião de leitora, um impacto mais forte nestes dois personagens. Achei que foi um conflito que se resolveu demasiado depressa e que, tendo em conta o passado de Eve, não deveria ter sido assim. Mas pronto.

No geral, mais uma boa leitura. Cada vez gosto mais desta série policial e de ficção científica que combina diversos elementos como a construção e desenvolvimento do mundo, das personagens e da história de forma tão equilibrada e envolvente. Ainda bem que a série tem muitos outros livros para devorar.

Outros livros da série:

30 julho 2014

Opinião: Fama Mortal (J.D. Robb)

Fama Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2009)
Formato: Capa mole | 286 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

(A versão lida está no inglês original, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Com o terceiro livro da série "Mortal" (Fama Mortal) voltamos a focar-nos na vida da agente da polícia de Nova Iorque, Eve Dallas.

Neste livro temos, como sempre, mais um mistério para resolver e é um mistério que tem contornos muito pessoais para Eve: a sua amiga Mavis é acusada do homicídio de uma modelo muito conhecida, chamada Pandora. Eve terá de fazer tudo para ilibar a amiga enquanto tenta manter-se imparcial. Ao mesmo tempo, tem de lidar com o seu iminente casamento com Roarke, o milionário que ama e com recordações da sua infância, que começam a regressar na forma de pesadelos.

Gostei bastante desta leitura. É, maioritariamente, um livro de Suspense romântico porque uma das componentes essenciais da série é a vida romântica de Eve, mas mesmo assim, Robb conseguiu dar protagonismo suficiente ao mistério que envolve supermodelos, drogas feitas com plantas experimentais e corrupção. 

Como nos livros anteriores, o mundo futurista está tão bem inserido na narrativa que o leitor não sente qualquer estranheza ao ler sobre ele. Viagens para outros planetas? Parece plausível. Colónias terrestres? Certamente. Comunicadores que cabem na palma da mão? Nada de especial.

A escrita de Robb é harmoniosa, envolvente e interessante. Apesar de ter havido uma parte lá para o meio que achei um bocado frustrante, porque Eve não andava nem desandava com a resolução do caso, no geral, este livro foi uma leitura muito satisfatória.

Também gostei bastante das mudanças que se estão, lentamente, a operar em Eve. Tem de enfrentar os seus medos relativamente ao casamento e começa a recuperar da amnésia que tem desde os oito anos sobre a sua infância... as revelações deste livro são perturbantes e deixam ao leitor a vontade de saber como irá Eve lidar com tudo o que se passou; será que aprenderá finalmente a pedir ajuda?

A nova personagem, a agente Peabody também me surpreendeu pela positiva. Com o seu humor seco e a sua pose rígida, pareceu-me uma adição interessante ao rol de personagens da série.

Irei certamente ler mais livros da série. Estou a gostar imenso e acho que a autora combina os diversos elementos de forma muito natural e fluída, o que é algo que não acontece assim tanto como desejaríamos. Uma série para continuar. 

26 julho 2014

Opinião: Grande Mulher (Danielle Steel)

Grande Mulher de Danielle Steel
Editora: Bertrand (2014)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Géneros: Romance contemporâneo
Sinopse.

Danielle Steel é outra daquelas autoras super populares que também nunca me tinha aventurado a ler, possivelmente pelas mesmas razões que tinha para não ler Nora Roberts: é uma autora famosa que escreve dentro do género do romance contemporâneo e "ai minha nossa e se tenho de dizer mal de um dos livros dela"?

Mas este livro pareceu-me bem pela sinopse. Pareceu-me interessante que a personagem tivesse problemas de autoestima e fiquei curiosa sobre a forma como a autora lidaria com um tema assim (com muito drama, supunha eu).

Victoria Dawson sempre sentiu que os pais não gostavam muito dela. Para eles, tudo o que fazia estava errado e até a sua própria aparência (loura, com um corpo cheio de curvas e com tendência para engordar) os parecia desgostar. Felizmente, a irmã mais nova de Victoria é tudo o que os pais sonham: bela, magra, sempre pronta a agradar. O tratamento diferente que os pais dão a Victoria e a Grace poderia tornar Victoria amarga, mas apenas faz com que ela adore a sua irmã... sentimento que é mútuo. No entanto, Victoria sabe que tem de se afastar de casa e do ambiente tóxico mesmo que signifique perder o contacto com a irmã.

Foi uma leitura... satisfatória. "Grande Mulher" lê-se rapidamente, a narrativa é fluída se bem que algo impessoal; não há muito diálogo no livro e a autora parece ser mais adepta de nos explicar o que se passa do que descrever e tentar envolver o leitor na história (é mais "tell" do que "show"). No entanto, isso não me incomodou grandemente. Li o livro depressa, com interesse. É uma leitura leve e não tão dramática como estava à espera.

As personagens são bastante estereotipadas e representam as características amplificadas do que... devem representar. Os pais de Victoria são supostamente pessoas normais, mas algumas das suas atitudes, amplificadas para nos fazer sentir empatia para com a heroína suponho, quase que os fazem parecer vilões dos desenhos animados (lembro-me assim de repente da madrasta malvada do filme "Cinderella"). Gostei de Victoria mas tive pena que ela nunca confrontasse realmente os pais.

No geral, uma leitura rápida e leve, apesar dos temas que aborda. Não desgostei, mas ao contrário do que aconteceu com Nora Roberts, não sinto curiosidade em ler mais livros de Danielle Steel.

22 julho 2014

Opinião: Glória Mortal (J.D. Robb)

Glória Mortal by J.D.Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2008)
Formato: Capa mole | 254 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

(A versão lida está no inglês original, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

O que dizer sobre este segundo livro da série mortal que não tenha dito já na opinião anterior? 

Porque "Glória Mortal" tem as mesmas qualidades e defeitos do livro anterior: protagonistas interessantes que nos puxam, um mundo intrigante e um mistério que é razoavelmente cativante e mantém o leitor interessado mas que não é propriamente difícil de deslindar.
Em "Glória Mortal", Eve tem de descobrir o autor de uma série de crimes que têm como alvo mulheres de sucesso com uma presença pública. Neste livro vemos Eve a lidar com a dor das famílias envolvidas e como os sentimentos pessoais podem afetar julgamentos e mesmo o decorrer da investigação.

Temos também alguns desenvolvimentos surpreendentes relativamente à vida pessoal de Eve, nomeadamente no que diz respeito à sua vida amorosa e à sua relação com Roarke (que, surpreendentemente, não é o idiota possessivo que parecia no primeiro livro... gostei bastante dele neste segundo volume). 

Tal como no primeiro livro, a componente romântica desenvolve-se demasiado depressa e sem as nuances necessárias para parecer "realista", mas Roarke e Eve são um casal extremamente fofinho e penso que foi uma das razões pelas quais gostei tanto deste livro apesar do seu mistério simplista.

No geral, uma boa leitura. Ok, o mistério não foi nada de especial, é pouco elaborado e é fácil de desvendar, mas as personagens e o seu desenvolvimento dão brilho à obra. Vou continuar a ler, sem dúvida.

20 julho 2014

Opinião: Nudez Mortal (J.D. Robb)

Nudez Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2008)
Formato: Capa mole | 246 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo
Sinopse.

Nora Roberts é uma autora mundialmente famosa e top de vendas em Portugal, mas por qualquer razão nunca me senti tentada a ler nada dela. Talvez porque o seu género de eleição é o romance contemporâneo, do qual fugia até recentemente por razões que nem para mim são claras; talvez porque, devido à sua fama, Nora Roberts me aterrorizava: e se eu não gostasse dos seus livros?

Mas, quando me deparei com críticas aos seus livros da Série Mortal no blogue Estante de Livros, decidi que era tempo de me aventurar. E não como o fiz há anos atrás, com uns livros quaisquer dela que metiam vampiros e que li já com uma mente fechada e preconceituosa (tinha lido o Crepúsculo - ou tentado pelo menos - há pouco tempo). E assim escolhi a série Mortal, que escreve sob o pseudónimo de J.D. Robb.

Ainda bem que "dei ouvidos" à Célia! Finalmente um thriller/mistério que não achei irritante! Ok, a Eve é uma mulher durona ao estilo de tantas heroínas de fantasia urbana, mas há algo de apelativo nela e nunca é "durona" demais. Parece ter um passado tortuoso sobre o qual o leitor descobrirá, espero, mais em livros seguintes da série e tem uma coisa que falta a tantas "mulheres fortes": empatia.

O mistério em si não é assim muito elaborado, mas entretém. O mundo parece bastante interessante e é desenvolvido com muita mestria por Hobb, com um equilíbrio que poucas vezes vi (li) entre o "info-dump" (onde as personagens explicam verbalmente o mundo em que se movem) e ações que permitam ao leitor "visualizar" o mundo. Basicamente, a construção é fluída e não interrompe a narrativa, não se torna "o elefante na sala". O leitor sente-se quase imediatamente a entrar no mundo da heroína (em meados do século XXI).

As personagens também brilham bastante. Já falei de Eve, que me agradou imenso como heroína. Roarke, o misterioso ricalhaço e o segundo protagonista, também me agradou, estranhamente, uma vez que é mais ou menos um estereótipo do macho alfa: rico, possessivo e demasiado confiante. Mas isto é temperado por uma preocupação genuína por Eve e pelas pessoas de quem gosta, o que o torna mais... humano e menos homem das cavernas. 

Achei que a parte romântica se processou demasiado depressa, mas de resto gostei bastante e deu-me vontade de ler outros livros de Nora Roberts.

No geral, uma leitura surpreendente, pela positiva. Estou já a ler o segundo volume e parece-me que me vou divertir bastante com a Série Mortal. Recomendada para quem gosta de Romance de suspense.

17 julho 2014

Opinião: A Princesa Guerreira (Barbara Erskine)

A Princesa Guerreira de Barbara Erskine
Editora: Planeta (2011)
Formato: Capa mole | 670 páginas
Géneros: Mistério, romance contemporâneo, fantasia, ficção histórica
Descrição: "No limiar entre o sonho e a vigília, a loucura e a clarividência, duas mulheres separadas por dois mil anos de História partilham o mesmo segredo, nas encruzilhadas e labirintos de uma perseguição milenar.
Jess, professora em Londres, é vítima de um ataque de que não consegue recordar-se. Tudo indica que o agressor é um homem que a conhece bem. Assombrada pelo medo e pela suspeita, Jess refugia-se na casa isolada da irmã, na fronteira do País de Gales. O silêncio que procura é, porém, interrompido pelo choro de uma misteriosa criança.
A casa, a floresta que a cerca e o vale mais abaixo transportam ecos de uma grande batalha, travada dois mil anos antes. Ali caiu Caratacus, liderando a resistência das tribos da Britânia aos invasores romanos. O rei foi capturado e levado para Roma como prisioneiro, juntamente com a mulher e com a filha, a princesa Eigon.
Sentindo-se impelida a investigar a história de Eigon, Jess segue os seus passos até à Roma de Cláudio e de Nero, onde a princesa assistiu ao grande incêndio, presenciou a perseguição movida aos cristãos e privou com o apóstolo Pedro. Aqui, talvez o mistério da extraordinária vida de Eigon se desvende, ou Jess se abandone progressivamente à sua obsessão, arriscando uma proximidade crescente com o seu agressor."
Ora bem, por onde começar. Talvez pelas expectativas que tinha para este livro. Pela sinopse pareceu-me um livro bem ao estilo da Susanna Kearsley uma autora da qual li dois livros no ano passado e dos quais gostei. Estava à espera de uma narrativa que interligasse passado e presente de forma fluída, com personagens interessantes e uma descrição da época romana que me parecesse viva.

Em vez disso levei com uma história mal amanhada com personagens apenas superficialmente desenvolvidas, um século I d.C. apenas esboçado (e cheio de imprecisões históricas), um enredo confuso e uma dor de cabeça por revirar imenso os olhos (na verdade não, mas suspirei bastante.

Quando era criança, ensinaram-me uma anedota que não tem assim muita piada e que provavelmente não será a mais apropriada tendo em conta as circunstâncias do país (ou talvez seja ideal, quiçá), mas que me permite efetuar uma comparação semi-inteligente. Era mais ou menos assim: era uma vez uma família pobre; o pai era pobre, a mãe era pobre, os filhos eram pobres, o mordomo era pobre, a criada era pobre, o jardineiro era pobre... eram todos pobres.

E este livro é assim mesmo. Substituam "pobre" por confuso e terão este livro bem descrito. Era uma vez um livro... o enredo era confuso, as personagens eram confusas, a construção do mundo era confusa... era tudo uma confusão. Que se prolongava por umas dolorosas 670 páginas.

Então é assim. A nossa protagonista Jess (qualquer coisa) atrai as atenções de um estupor de um homem e infelizmente é violada depois de uma festa. Em vez de ir à polícia decide não contar nada a ninguém e despedir-se do emprego e fugir para a casa da irmã, nas remotas montanhas do País de Gales. Quando lá chega, percebe que o local está assombrado pelas filhas de um rei do século I d.C., chamadas Glads e Eigon. Sem sabermos bem como ela fica determinada a descobrir o percurso de Eigon, que foi levada como prisioneira para Roma, depois do seu pai, Caratacus ter sido derrotado. Esta empatia vem do facto de também Eigon ter sofrido às mãos de um legionário chamado Titus. O livro conta alternadamente a vida de Jess e de Eigon, que têm de fugir dos homens que lhes fizeram mal, em I d.C. e no presente.

Pareceu-me uma história bastante interessante. Não sei muito sobre a conquista romana da Bretanha (?) e na sinopse dizia que Eigon tinha assistido ao incêndio de Roma no tempo de Nero e privado com S. Pedro! Claro que achei altamente!

Mas... enfim, não foi tão impressionante como eu pensei que ia ser. Não consegui sentir empatia por nenhuma das personagens, apesar das suas terríveis experiências. A maioria do livro é preenchido por acontecimentos corriqueiros, especialmente nas partes de Eigon. Jess vai ficando cada vez mais enredada na vida de Eigon acabando (bem cedo no livro) por abandonar a sua racionalidade e pondo inclusive a sua vida em perigo (o homem que a magoou continua atrás dela) só para descobrir o que se passou com Eigon.

As partes de Jess são ligeiramente mais interessantes, mas também há muito recurso a cartas de tarot e a guias espirituais que sinceramente não me pareceram muito vertentes muito bem exploradas (e quando exploradas, foram-no de forma um bocado para o... piroso).

Isto para já não falar da construção do mundo. Jess viaja do País de Gales para Roma mas nunca temos descrições que nos permitam imaginar os cenários. O mesmo se passa na época de Eigon; Roma e Bretanha são descritas de forma incipiente e muitas vezes com pouca precisão. Hades, o deus grego do Submundo é adicionado ao panteão romano, por exemplo e Jesus Cristo está já divinizado para os cristãos, quando nesta época ele era geralmente considerado um profeta e não tanto "o filho de Deus". Até a região celta e o druidismo são explorados apenas de forma superficial.

Nem me façam começar a falar das personagens. Já referi que Eigon e Jess são desinteressantes; o mesmo se passa com o resto do cast das personagens; os amigos e família de Jess são quase indistinguíveis uns dos outros, o interesse amoroso é irritante (e nem sequer quase se percebe como é que as personagens se apaixonam... só estão juntas para aí umas três vezes!) e os vilões são vilões só porque sim. Não há qualquer profundidade nas personagens.

No geral, um livro fraquito. A narrativa não flui bem entre os momentos de presente e passado, as personagens são pouco interessantes, a descrição do mundo deixa a desejar e a leitura torna-se por vezes aborrecida. Por tudo isto, A Princessa Guerreira (que nunca pega numa arma durante todo o livro, creio) não resultou para mim. Recomendo Susanna Kearsley e Diana Gabaldon para quem quer ler livros do género.

07 maio 2014

Opinião: Submissa (Shayla Black)

Submissa by Shayla Black
Editora: Chá das Cinco/SdE (2013)
Formato: Capa mole | 328 páginas
Géneros: Romance contemporâneo, Lit. erótica
Descrição (GR): "Kimber Edgington é uma virgem de vinte e três anos que está apaixonada, desde a adolescência, pela estrela de rock Jesse Mcall. Kimber sabe que estão destinados um para o outro e sonha com um casamento, mas a fama e viagens de Jesse tornaram-no uma celebridade conhecida por todo o tipo de aventuras sexuais. 
Determinada a provar que é uma mulher à altura para Jesse, Kimber recorre à ajuda do guarda-costas Deke Thornton, um amigo de longa data, e implora-lhe que a inicie no mundo do prazer. Embora Deke a avise de que está a brincar com o fogo, aceita, não querendo que a beleza inocente da jovem seja manchada por outros. É então que Deke e o seu amigo Luc dão a conhecer a Kimber as delícias do êxtase. O que Kimber ainda não sabe é que talvez não seja Jesse o homem certo para realizar os seus sonhos, afinal, é Deke quem invade as suas fantasias…"
A minha estreia "oficial" no género dos livros eróticos (excluo o Nove Semanas e meia porque acho o foco da história não é apenas o erotismo), podia ter sido melhor. Na verdade, apesar de ter revirado os olhos bastantes vezes ao longo desta leitura, por a achar inerentemente irrealista nalguns aspetos, não posso dizer que foi uma leitura propriamente penosa.

A protagonista desta história, Kimber, tem 23 anos e está a "guardar-se" para o amor da sua vida, a superestrela musical Jesse Mcall. Kimber sabe que os gostos do cantor são diferentes, que gosta de ménages pelo que decide pedir ajuda a um antigo empregado (?) do seu pai, que é conhecido por ter exatamente o mesmo tipo de preferências sexuais.

Deke sempre se sentiu atraído sexualmente por Kimber, mesmo quando ela tinha apenas 17 anos. (Aparentemente isso significa que ela é a mulher da sua vida, mas irei falar disso mais tarde). Por isso, quando ela lhe aparece à porta a pedir que ele a eduque sobre ménages, ele não fica propriamente satisfeito. Mas o seu parceiro de ménages, o seu primo Luc acha que devem dar uma oportunidade à rapariga. E Kimber decide que quer realmente começar a sua educação sexual na área, mas não quer sexo vaginal, porque se quer manter virgem para Jesse (revira olhinhos). Tudo o resto? É permitido. :P

E, enquanto Kimber aprende o que é fazer parte de um ménage decide também que talvez se esteja a apaixonar por Deke.

Enfim, esta leitura não constituiu propriamente uma surpresa. Esperava montes de sexo. Tem montes de sexo. O que não esperava era um tratamento tão "medieval" (nas palavras de uma pessoa com quem discuti isto) do tema da virgindade. Durante a sua "educação", Kimber participa em diversos atos sexuais que vão desde o sexo oral ao anal e, no entanto, continua a ser considerada "virgem" porque o seu hímen não foi tocado. Este conceito parece-me ser bastante ultrapassado (ou devia estar) e sinceramente, preocupa-me que a literatura contemporânea continue a perpetuar uma ideia errónea da virgindade feminina. Mas pronto, é um livro de ficção e não é o primeiro que leio que o faz.

As descrições de cenas de sexo, apesar de quentes q.b. (escaldantes, por vezes, eheh), acabaram por se tornar um bocado aborrecidas (eu sei, também fiquei surpreendida), porque havia tantas e havia tanto foco nas mesmas que o desenvolvimento da história (já de si fraquita) e das personagens sofreu.

Achei que o enredo não foi suficientemente desenvolvido. A premissa inicial (a Kimber aparecer na casa do Deke para lhe pedir que a "ensinasse") pareceu-me irrealista e não foi um bom começo para o que se adivinhava uma história de amor. No final, não consegui perceber muito bem como é que os protagonistas chegaram à conclusão de que se amavam. A história secundária, do maluco que persegue a família de Kimber não passa de uma desculpa para os protagonistas se encontrarem e... terem sexo.

Deke é previsivelmente torturado, mas a fonte dos seus medos é, para falar bem e depressa, uma parvoíce irrealista. Sinceramente, enquanto obstáculo a uma relação, não me convenceu.

Quanto às personagens, não gostei particularmente de nenhuma delas, exceto, estranhamente, de Kimber que mostrou ter personalidade, coragem e força. Mostrou ser uma mulher moderna e confortável consigo mesma. Kimber foi, juntamente com a escrita fluída, um dos pontos mais fortes do livro. Luc também me pareceu uma personagem equilibrada e espero que tenha um livro no futuro, porque me parece ser bem mais complexo do que Deke.

No geral, um livro pouco surpreendente que não é mais do que apregoa: um livro repleto de cenas de sexo com muito pouca história e um pobre desenvolvimento das personagens. É um bom livro para ler quando não se procura nada mais do que uma leitura extremamente leve, divertida e sexy.

11 abril 2014

Opinião: Nove semanas e meia (Elizabeth McNeill)

Nove semanas e meia by Elizabeth McNeill
Editora: Quinta Essência (2014)
Formato: Capa mole | 150 páginas
Géneros: Romance contemporâneo, Lit. erótica
Descrição: "Quebraram todas as regras
Esta é uma história de amor tão pouco frequente, tão apaixonada, tão extrema e tão real que o leitor não pode deixar de seguir, fascinado, o seu desenvolvimento ritual. Duas pessoas cultas, civilizadas e independentes conhecem-se um dia por acaso numa rua de Nova Iorque, um domingo de maio nos anos setenta, e iniciam uma relação que em breve se tornará uma experiência sadomasoquista de rara intensidade. Desde o início, estabelecem espontaneamente entre eles estímulos sexuais que obedecem a um ritual instintivo de dominação e humilhação, ritual que é aceite primeiro com surpresa e depois com prazer genuíno, pela autora desta história chocante. Naturalmente, à medida que a relação progride, o casal embarca em jogos cada vez mais elaborados e sofisticados que, após nove semanas e meia, conduzem a mulher a uma absoluta falta de controlo do seu corpo e mente.
A verdadeira história de submissão sexual que inspirou o filme de culto: uma história perturbadora e fascinante, uma obra-prima da literatura erótica, que irá prendê-lo até à última página."
Sinceramente nem vou dar uma classificação a este livro. Porque não consigo, porque é demasiado perturbador, tão perturbador que ainda agora acabei de o ler e sinto que tenho de o expurgar de alguma forma da minha mente.

Quem nunca ouviu falar do filme Nove Semanas e meia? Bem, suponho que muita gente, mas tendo crescido nos anos 90 ouvi falar dele se bem que nunca o cheguei a ver. No entanto conheço-o como um filme erótico de alguma notoriedade. Por isso, quando vi esta nova edição na livraria e como me sinto algo curiosa com este fenómeno da literatura erótica, decidi comprá-lo e começar por aqui as minhas leituras dentro do género.

Não sei se fiz bem ou se fiz mal. É verdade que não tenho grande repertório relativamente a literatura erótica mas duvido que isto possa ser considerado um livro erótico per se. Oh, sim há sexo. E sexo sadomasoquista definitivamente. Mas creio que o livro se foca mais na componente emocional, uma vez que, tal como a heroína de "Cinquenta Sombras de Grey", também a protagonista deste livro (da qual nunca sabemos o nome) entrou quase que "por acidente" num mundo sobre o qual sabia muito pouco. Eu confesso que também sei muito pouco sobre SM mas sempre pensei que era algo que duas pessoas faziam com um conhecimento antecipado daquilo em que se iam meter, devido a um gosto por esse tipo de práticas sexuais, para além de, claro, terem uma boa dose de confiança um no outro. A protagonista deixa-se arrastar pela excitação e pela liberdade que lhe dá a submissão e acaba, penso eu, por se perder a si própria e a sua identidade. A sua experiência é ao mesmo tempo libertadora e aterradora até que acaba por a destruir.

O protagonista é um Mr. Grey dos anos 70; charmoso, rico, manipulador e acostumado a ter tudo o que quer. Ele vai "treinar" a protagonista para que ela seja aquilo que ele quer, sempre que ele quer. Quando ela quebra ele deita-a fora, descarta-a. Foi uma das coisas mais perturbadoras que já li... O amor enquanto força destrutiva. A autora não tenta disfarçar o carácter do protagonista: ele pode ser charmoso mas é também violento e manipulador e isso vê-se claramente. Não há embelezamentos de personalidade.

Para mim o que se destaca neste livro é a profundidade das mudanças operadas na protagonista. Como ela acaba por se perder, viver apenas para o protagonista (do qual também nunca sabemos o nome), ficar presa naquilo que pensava ser uma espécie de liberdade. Como os jogos sexuais e a submissão acabaram por tomar conta de toda a sua vida, se tornaram uma obsessão.
E como esta liberdade fictícia a arruinou no fim. O sexo podia ser bom, mas tinha consequências. É por isso que todas as fangirls do Mr. Grey deviam ler este livro... Porque é assim que acaba a história. Não em romance mas em terror.

No geral... indescritível.

07 agosto 2013

Opinião: Mariana (Susanna Kearsley)

Mariana by Susanna Kearsley
Editora: Asa (2013)
Formato: Capa mole | 352 páginas
Género: Romance, Ficção histórica
Descrição (GR): "Julia Becket acredita no destino. Ela tinha apenas cinco anos quando viu Greywethers pela primeira vez, mas soube de imediato que aquela era a sua casa. Vinte e cinco anos depois, tornou-se finalmente sua proprietária. Mas Julia depressa começa a suspeitar de que existe algo de poderoso e inexplicável por detrás da sua decisão radical de abandonar Londres e começar de novo numa pequena aldeia. Os novos vizinhos são calorosos e acolhedores, muito particularmente Geoff, o aristocrático proprietário de Crofton Hall, com quem sente uma ligação imediata. Mas a vida tal como ela a conhecia acabou, e outra bem diferente está prestes a começar. Uma vida que inclui Mariana, que habitou aquela mesma casa trezentos anos antes e cujo destino ficou tragicamente por cumprir. A história de Mariana vai- se revelando a pouco e pouco, apoderando-se da sua vida como um feitiço. Ao longo dos séculos que separam as duas jovens, uma promessa de amor eterno aguarda o desfecho que o destino lhe negou. Conseguirá Julia desvendar no presente os enigmas do passado? Será que Mariana esteve sempre à sua espera?"
AVISO: SPOILERS (assinalados).

Se mistérios e thrillers não são o meu género de eleição, é certo que torço também o nariz ao romance contemporâneo. Não sei bem porquê (talvez tenha lido demasiadas vezes o "Diário de Bridget Jones" na minha juventude). Mas quando a Catsadiablo gosta de um livro e o recomenda, obviamente que uma pessoa fica mais predisposta a ler algo do autor.

Cinquenta mil visitas a Fnacs, Continentes e afins depois, ainda não tinha encontrado o livro (em Portugal intitulado, "O Segredo de Sophia"), pelo que me decidi a comprar antes este, que é da mesma autora. 

Ainda bem que o fiz. Este livro foi uma leitura extremamente agradável e viciante mesmo.

Julia sonha com uma determinada casa desde que a viu pela primeira vez, aos cinco anos. Para ela Greywethers é efectivamente a sua casa. Por isso, quando surge a oportunidade de a comprar, Julia reúne as suas poupanças e juntamente com a herança deixada por uma tia, compra a casa, que data do século XVII. Depressa começa a ter estranhas visões, que incluem um cavaleiro montado num cavalo cinzento e uma jovem chamada Mariana. Quem é Mariana e qual é a relação desta com Julia?

O tema deste livro é um amor tão forte que atravessa os séculos. Geralmente não vou muito à bola com este tipo de histórias, porque são quase sempre exageradas e melodramáticas, mas neste caso, a autora conseguiu um equilíbrio perfeito e felizmente o enredo não é "foleiro" nem ao estilo de uma novela da TVI (não é por nada, mas o nível de drama nessas novelas é demais para o meu gosto... só isso). Júlia é uma personagem simpática, de quem é fácil gostarmos. Quanto ao herói (do qual também é extremamente fácil gostar, para que saibam... é muito querido)... bem, é aqui que começam os spoilers. Porque, sim, este livro foi bastante absorvente; sim, gostei da leitura e do ritmo da narrativa e das personagens e mesmo do romance, em geral. Mas este livro tem um triângulo amoroso e não creio que lhe tenha sido dado o destaque necessário. Como explicar? Aqui vai. (SPOILERS ahead!)

A Mariana reencarna na Julia e esta segue a viagem daquela e vive o seu romance em "visões" do século XVII. Ora, o herói, o Richard de Mornay também reencarnou. E a heroína passa o livro quase todo a pensar que ele é uma determinada pessoa e só no final (literalmente nas últimas páginas) é que se apercebe que é outro homem. Logo, não há grande desenvolvimento na relação entre a Julia e o Richard de Mornay do século XX. Para já não falar do facto que o homem que a Julia pensa ser Richard de Mornay tem muito mais destaque do que o que é efectivamente Richard de Mornay; e a Julia gosta dele (do primeiro e não do segundo). No entanto, quando ela descobre a verdadeira identidade do Richard parece conseguir descartar os seus sentimentos pelo outro homem, assim sem mais nem menos. Basicamente, esta dinâmica pareceu-me estranha e pouco convincente. FIM dos SPOILERS.

No geral, um livro muito ternurento. Bem escrito, interessante, com uma pitada de história à mistura. Só tenho pena que o final tenha sido tão abrupto, que a relação entre os protagonistas tenha parecido bastante vazia e que o facto de Julia se sentir atraída por outro homem no presente não pareça ter criado conflito. Mas isso é um ponto menor. Recomendado.

13 julho 2009

Opinião: Austenlândia (Shannon Hale)

Austenlândia de Shannon Hale
Editora: Editorial Presença (2013)
Formato: Capa Mole | 184 páginas
Géneros: Romance
Sinopse.

Na sequência do visionamento de "Lost in Austen" decidi continuar na mesma "veia", com este livro de Shannon Hale. O enredo inclui as obras de Jane Austen e uma heroina que está obcecada por Mr Darcy, pelo que achei que ia ser uma leitura divertida. Mas este livro ficou aquém das minhas expectativas.

Jane Hayes é uma mulher de sucesso, com uma boa carreira e um apartamento em Nova Iorque. Mas Jane não tem sorte nenhuma com os seus namorados; e após uma conversa com a sua velha tia-avó Carolyn, Jane percebe que parte dos seus problemas com os homens advém do facto de os estar sempre a comparar a Mr Darcy, o heroi romântico mais conhecido de todos os tempos (talvez).

Quando a sua tia morre, e lhe deixa como "herança" uma viagem paga ao Reino Unido - mais precisamente a uma estância no campo chamada "Pembrooke Park" onde os visitantes podem experienciar o modo de vida nos inícios do século XIX - Jane decide que esta é uma excelente forma de se libertar do seu "homem ideal", Mr Darcy. Mas quando chega a Pembrook Park depara-se com Mr Nobley, uma fiel cópia de Darcy!

A história de Austenland tinha potencial, mas este não foi minimamente aproveitado. O livro é demasiado curto e o desenvolvimento do romance entre as personagens sofre por isso. As emoções pareceram-me ocas e não me pareceu que houvesse qualquer química entre os protagonistas. Também não tive tempo de sentir qualquer simpatia por elas e como o livro é um romance e consequentemente mais centrado nas personagens penso que a autora devia ter dado mais atenção às interacções entre elas. O que não aconteceu.
Jane Hayes passa o tempo a andar de um lado para o outro em vestuário do século XIX e do protagonista (Mr Nobley) pouco se sabe...

De resto, não é mau de se ler. O enredo está mal explorado, mas o estilo da escrita é agradável.

Publicação em destaque

Opinião: Sistemas em Estado Crítico (Martha Wells)

Sistemas em Estado Crítico de Martha Wells Editora : Relógio de Água (2024)   Formato : Capa mole | 120 páginas   Géneros : Fição científic...