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07 fevereiro 2025

Opinião: Verity (Colleen Hoover)


Editora: Topseller (2019) 

Formato: Capa mole | 320 páginas 

Géneros: Romance, Mistério

Sinopse.

AVISO: isto é uma tirada raivosa cheia de spoilers 

Este livro é... tão mau. A coisa mais improvável de sempre. É suposto eu acreditar que os seres humanos se comportam assim?

Ora vejamos:

Temos a Verity... "Olá, eu sou Verity e eu sou (não) uma psicopata, deixem-me apenas escrever tudo sobre os meus crimes num word, imprimi-lo e deixá-lo numa caixa qualquer onde qualquer pessoa o pode encontrar e lê-lo."

Temos o Jeremy: "E eu sou o Jeremy, o marido e passei anos e anos com a minha mulher, mas vou acreditar neste texto aleatório que li no computador dela. Não lhe pergunto nada, não a confronto, apenas decido que ela é culpada e nunca acho estranho que ela tenha esse texto num computador com fácil acesso e sem qualquer password". "Ah e sou podre de bom. Porque tipo, protagonista e tal."

Desconhecida: "E eu sou a principal personagem feminina (literalmente não me lembro do nome dela e terminei o livro há 10 minutos) e eu vou apaixonar-me à primeira vista pelo protagonista masculina porque é claro que sim, e vou descobrir o manuscrito sem nunca vou parar para pensar COMO SERIA ESTÚPIDO ALGUÉM DETALHAR OS SEUS CRIMES POR ESCRITO E OS IMPRIMIR!!!"

Ufa, já me sinto muito melhor.

Este livro é tão básico e sinceramente só literatura má. E nem sequer estou a falar das cenas de sexo tiradas a papel químico do pornhub. Senti vergonha alheia ao lê-las, a sério.

Falta consistência, personagens notáveis, originalidade e, acima de tudo... não faz sentido nenhum. Vá lá, a Verity conseguiu enganar médicos e enfermeiras sobre o seu estado? Não há TACs no hospital onde ela estava? Equipamentos de monitoramento e pessoas que foram para... sabem, a Universidade de medicina e podem distinguir com facilidade um coma falso de um coma verdadeiro? Se me dissessem que ela subornou alguém, então... talvez. Mas não, só enganou toda a gente porque... Porquê? Por que não foi diretamente à polícia se o seu marido a estava a tentar matá-la?

Os personagens são tão... burros. E inconsistentes. Então, os supostos crimes da Verity foram abomináveis, mas os crimes do Jeremy eram justificados? Sim, fixe, então está bem.

Nem sei bem o que representa o final. A Verity era inocente? Culpada? Final aberto, é o leitor a decidir? Porque no geral, neste tipo de livros deviam atar-se as pontas soltas. Para ser honesta, o último capítulo é demasiado complicado. Não entendi. Não achei que fosse um "twist". É só um final sem sentido.

Isto... foi tão mau como uma novela mexicana. Não sei de onde vem a alta classificação no Goodreads, porque digo-vos, este livro não faz sentido. De todo. Simplesmente não faz sentido. Não faz sentido. Ou talvez seja um thriller altamente sofisticado que eu não entendi.


17 janeiro 2025

Opinião: Sistemas em Estado Crítico (Martha Wells)

Editora: Relógio de Água (2024) 
Formato: Capa mole | 120 páginas 
Géneros: Fição científica, Mistério

O que dizer deste pequeno livro?

Primeiramente tenho a dizer que estou muito contente por finalmente terem publicado por cá esta série. Para quem gosta de fição científica, esta série vai ser uma delícia.

@ protagonista (sem género definido) é um android cujo objetivo é proteger humanos sempre que estes necessitem de tal, como por exemplo em missões que comportem riscos.

O que é diferente neste android é que el@ conseguiu piratear o módulo que permitia à empresa a que pertence controlar o seu comportamento, transformando-se assim, numa unidade completamente independente. O que faz el@ com esta liberdade? Ora essa vê séries de TV enquanto guarda os humanos.

Assassiborgue (nome escolhido pel@ mesm@) despreza humanos mas mesmo assim tem de fingir que os guarda. 

Estas novas emoções transformam @ Assassiborgue: desprezo, enfado, irritação (quando lhe interrompem as séries) e vão mudar a forma como olha para o mundo.

Os livros desta série são pequenos, leem-se num instante e são bastante acessíveis.

O mundo é extremamente interessante, com grandes corporações a mandarem basicamente no espaço controlado pelos humanos (centenas de planetas) o que demonstra os excessos do capitalismo com uma estrutura de quasi-escravidão de humanos em operações em grande escala.

O mundo é também imersivo e as personagens são divertidas e é fácil gostar delas, especialmente d@ protagonista, com a sua visão algo niilista e muito sarcástica do(s) mundo(s).

Este livro serve como introdução ao mundo e a algumas das personagens. Tem ação, muito diálogo interior do Assassiborgue e monstros galáticos. É uma espécie de mistério/thriller passado no espaço.

Acho que se pode ver que gostei muito desta leitura. Se gostam de fição científica, personagens bem desenvolvidas, ação e um mistério vão adorar este livro. As aventuras d@ Assassiborgue merecem ser seguidas e é de leitura fácil e imersiva.

Recomendado.

12 janeiro 2021

Opinião: The Wrong Family (Tarryn Fisher)

Editora: Graydon House (2020) 
Formato: Capa mole | 336 páginas 
Géneros: Mistério, Thriller

Estou de volta, para falar sobre um thriller que terminei recentemente. Na verdade, isto não significa que vá retomar a atividade no blogue porque atualmente pouco tenho a dizer sobre os livros que leio e as minhas leituras têm andado reduzidas. Manter um blogue dá um trabalho que não me parece que tenha estrutura mental para manter (paciência, mais que tudo).

Mas chega da parte pessoal, estamos aqui para a opinião. Este livro foi, numa palavra, dececionante. Muito pouco de thriller, quase nada de mistério, é complicado pôr este livro numa categoria... mas para efeitos de simplicidade vamos pô-lo nestas categorias.


A história é contada do ponto de vista de duas personagens Winnie, uma mulher com problemas profundos no seu casamento e Juno uma sem-abrigo. As entradas destas duas narradoras estão fora de alinhamento, ou seja, a narrativa salta do passado para o presente de forma algo confusa. Exploramos os passados destas duas personagens e os seus problemas, como acabaram na sua situação. 

Não há grande mistério no meio de toda esta exposição exceto que Juno começa a pensar que há algo de errado com a família de Winnie, que esta cometeu algum crime imperdoável no passado.

Diria que passamos cerca de 85% do livro nisto, para a frente e para trás, aprendendo mais sobre como a Winnie está num casamento sem amor, quais são as suas origens e como é a sua relação com o resto da família. 

Também aprendemos muito sobre Juno, sobre como passou de psicoterapeuta de sucesso a sem-abrigo.

Basicamente este livro pareceu-me convoluto, forçado. Foi o livro mais inacreditável que li recentemente e estou a ler uma série de fantasia épica.

O enredo é muito tênue, há muita exposição, mas nada é desenvolvido adequadamente. A exposição parece acrescentar nada ou muito pouco à história. Quase não há indícios espalhados pelo livro para o final apressado.

Uma das narradoras é uma sem-abrigo que consegue viver meses dentro de uma casa sem que ninguém perceba.

Se tivesse sido enquadrado de forma diferente, por exemplo, os proprietários a notar que coisas mudam repentinamente sem motivo aparente, pendendo mais para o terror do que mistério, poderia ter funcionado, mas ninguém dentro da casa nunca percebeu que havia uma pessoa a morar num armário. Simplesmente demasiado inacreditável.

No geral, não é definitivamente o meu tipo de livro. Demasiado confuso e às vezes aborrecido, com muito pouco sumo, por assim dizer. Não recomendo.

29 maio 2018

Opinião: Um de Nós Mente (Karen M. McManus)

Editora: Gailivro (2018) 
Formato: Capa mole | 334 páginas 
Géneros: Ficção contemporânea, Literatura YA

Um de Nós Mente é a estreia de Karen M. McManus e é um livro de ficção contemporâneo dirigido ao público jovem adulto. Hesito em chamar-lhe um "thriller" porque, de facto, a resolução é bastante simples e acho que a exploração do clima social que se vive durante a adolescência é bastante mais interessante e chamativo do que o mistério em si.

O livro começa com cinco jovens, todos muito diferentes, que apanharam detenção por terem telemóveis ligados durante as aulas. Temos a rapariga estudiosa, o desportista popular, a rainha de beleza com o namorado jogador, o delinquente e o geek curioso que pesca um bocado de computadores e que se entretém a escrever mexericos e a denunciar segredos da escola numa app.

Deveria ser apenas uma detenção; mas não foi. Porque o geek, Simon, morre em frente dos outros quatro são considerados suspeitos e depois de muitos interrogatórios e de ações de alguma intimidação da parte da polícia, decidem tentar perceber o que se passou. No decurso dessa investigação, os segredos de cada um vão sendo revelados; segredos que Simon parecia saber, mas que nenhum deles queria ver tornados públicos. Então... qual deles matou Simon?

Um de Nós Mente foi uma leitura divertida. Como disse, a solução do mistério é quase imediatamente aparente e por isso não foi essa a parte que me puxou. No entanto, a exploração da vida e dos segredos dos protagonistas foi interessante, assim como da vida escolar e de como tudo é tão público, tangível e imediato nos dias de hoje, com as redes sociais e a internet.

Gostei do facto das personagens terem crescido (apesar de de forma superficial) e aceitado que os seus "segredos" eram como uma pedra que os prendia ao fundo do rio e que, depois de conhecidos, os libertaram para serem eles mesmos. 

Gostei muito da viagem de Addy, a rapariga que achava que tinha tudo e que se apercebeu de que estava numa relação emocionalmente abusiva (algo difícil de detetar, por vezes).

Não há muito mais que possa dizer sem revelar partes da história, por isso termino por aqui. Uma leitura interessante em termos de exploração do ambiente social na escola secundária, mas um bocado previsível em termos do mistério.

Detalhes da versão original:
Título: One of Us is Lying
Ano: 2017

15 agosto 2017

Opinião: Um Pequeno Favor (Darcey Bell)

Editora: Bertrand (2017)
Formato: Capa mole | 304 páginas
Géneros: Mistério/Thriller
Sinopse.

O que dizer sobre este livro? É complicado porque é um daqueles livros sobre o qual há, ao mesmo tempo, muito e pouco a dizer.

Pouco porque tem muito pouca substância e muito porque... tem tão pouca substância que só apetece é começar um monólogo inflamado sobre o tempo e dinheiro perdidos.

Mas vou tentar um meio termo e começar com a já habitual sinopse/resumo da minha lavra... e... não me lembro.

Pois. Não me lembro do nome das personagens ou daquilo que aconteceu. Só me lembro que a história foi particularmente má e... eh...

Ahem. A personagem principal, de cujo nome não me recordo, é uma viúva com um filho que consegue subsistir apenas com a pensão pelo que é aquilo que os americanos chamam "stay at home mom" e que, para nós, portugueses é essa ave rara intitulada "mãe a tempo inteiro" (porque quem é que consegue ter um filho e não trabalhar para o sustentar aqui, não sei). Pode até dizer-se que esta senhora leva a maternidade muito a sério, porque vive tanto para isto que até tem um "blogue para mães" onde todos os dias discorre sobre os desafios de ser mãe.

Não me entendam mal; nada tenho contra este estilo de vida. É só que a personagem em si é extremamente irritante, começando todas as publicações do blogue com um alegre "Olá, mães!" e escrevendo as coisas mais aborrecidas. E como as publicações do blogue compõem cerca de 15% (assim inventado, como todas as estatísticas, mas percebem a ideia) do texto, bem... imaginem a minha irritação no final.

Então, temos a mãe a tempo inteiro com o blogue. E temos a vizinha (cujo nome também não sei) que tem um filho da mesma idade e que, voilá, se torna por isso a melhor amiga da protagonista. Quando a vizinha não aparece para levar o seu filho (que a protagonista tinha ido buscar à escola a pedido da amiga), a protagonista fica preocupada e começa a escrever no blogue.

À medida que o tempo passa, a protagonista lamenta-se pela sua amiga desaparecida, toma conta dos miúdos (o seu e o da vizinha) e seduz o marido choroso.

Ok. Espero que tenham percebido mais ou menos do que trata o livro. Há uma pessoa que desaparece mas As Coisas Não São o Que Parecem (marca registada).

Os SPOILERS COMEÇAM AQUI!

Comparam isto ao livro "Em Parte Incerta", mas sinceramente considero a comparação um bocado insultuosa para o livro de Flynn, uma vez que "Um Pequeno Favor" é uma obra tão amadora e terrivelmente má que mesmo não tendo gostado do bestseller "Em Parte Incerta" por aí além, o considero 100 vezes melhor do que este desastre.

Primeiro, as personagens de Flynn têm realmente algum génio na sua construção e são realmente inteligentes. A protagonista e a respetiva antagonista são só parvas. E a protagonista é tão burra, mas tão burra que não é necessário ser realmente muito inteligente para a enganar e a levar a fazer o que se quer que ela faça... o que é bastante notório pelo facto de ela ser enganada até ao fim, apesar das pistas gritantes de que está a ser enganada.

Ou seja, a protagonista não tem cérebro. Suponho que a intenção da autora era compor uma história sobre o poder da amizade ou da solidão. Mas o comportamento da protagonista não grita "sei que é errado, mas vou fazer isto por esta amizade/porque não quero abrir mão da convivência com esta pessoa". Não, a protagonista acredita piamente no que lhe dizem apesar das evidências em contrário.

Todas as outras personagens sofrem de falta de caracterização (bem, a protagonista também, mas pelo menos ficou bem marcado na minha cabeça que ela era... burra como uma porta) e mostram também falta de discernimento. A trama é simples, tão simples que é quase insultuoso para o leitor... a autora vai adicionando coisas ao enredo para forçar a narrativa e esta nunca parece "natural".

No geral, um livro bastante fraco. Personagens mal escritas e idiotas, um enredo sem sentido e simplista e algumas passagens escritas num tom infantil e irritante (as entradas no blogue). Não recomendo isto a ninguém, na verdade. Não consigo perceber porque foi publicado sequer.

Detalhes da versão original:
Título: A Simple Favor
Ano: 2017

03 agosto 2017

Opinião: Confissões (Kanae Minato)


Editora: Suma das Letras (2016) 
Formato: Capa mole | 216 páginas 
Géneros: Thriller

Confissões de Kanae Minato não é propriamente um livro de mistério, uma vez que não existe nada para desvendar. Existe um crime (ou vários, na verdade), mas os culpados são imediatamente aparentes.

Tudo começa quando Manami, uma rapariga de 4 anos, aparece morta na piscina de uma escola preparatória. Manami é filha de uma das professoras da escola e, um dia antes de se retirar, a professora discursa em frente da sua turma e revela que sabe que Manami foi assassinada e por quem. Diz também que, uma vez que segundo o sistema de justiça japonês os assassinos não podem ser "propriamente" julgados pelos seus crimes, que ela decidiu vingar-se dos culpados.

A forma como o faz vai despoletar uma série de acontecimentos na pequena comunidade. Desde os alunos culpados aos pais, colegas e outros que tais, este livro mostra o lado mais negro da alma humana e como as nossas experiências nos definem de forma infelizmente, muito decisiva.

Intenso, perturbador, um thriller na verdadeira acepção da palavra. "Confissões" conta a história de um crime hediondo, perpetrado por razões hediondas e de como o ódio, o ressentimento e a vingança geram mais ódio, ressentimento e vingança, criando um círculo inquebrável que vai destruir vidas numa pequena cidade rural japonesa.

Contado a várias vozes, permite-nos entrever motivos diversos, de diversas personagens, alguns mais repugnantes do que outros, mas todos estranha e assustadoramente humanos.

No geral, um livro bastante assustador por parecer tão real. As personagens não são estereótipos como tantas hoje em dia. São muito humanas, tão maliciosas sem serem efetivamente más.

Recomendo.

Detalhes da versão original:
Título: 告白 [Kokuhaku]
Ano: 2008

23 julho 2017

Opinião: Ao Fechar a Porta (B.A. Paris)

Ao Fechar a Porta de B.A. Paris
Editora: Editorial Presença (2017)
Formato: Capa mole | 264 páginas
Géneros: Thriller
Sinopse.

Atenção: SPOILERS

A vontade de escrever opiniões teima em não regressar (assim como a vontade de ler muito, suponho), mas cá estou, escrevendo mais uma.

Parece que estou a cair no cliché de ler thrillers no verão. Assim, adquiri este porque, pela sinopse, me pareceu um interessante estudo sobre uma vertente muitas vezes não explorada da violência doméstica: o abuso psicológico.

Quando vi o tamanho do livro (menos de 300 páginas), fiquei um bocado receosa (e com razão). Mas lá chegaremos; primeiro, uma pequena sinopse, como sempre.

Grace e Jack são o casal perfeito. Ele é um advogado de sucesso em casos de violência doméstica, que nunca perdeu um caso; ela, uma esposa e dona de casa esmerada que sabe dar as melhores festas. Com uma boa casa, dinheiro suficiente para uma vida desafogada e o que parece ser verdadeira afeição, amigos e familiares concordam: Grace e Jack têm tudo para serem felizes. Mas será que tudo é tão maravilhoso como aparenta ser?

Ao Fechar a Porta assenta numa premissa muito simples: aquilo que aparenta ser uma vida perfeita é, na verdade, um pesadelo. Ao melhor estilo dos filmes para a TV de segunda categoria, Jack é realmente um psicopata charmoso, que conseguiu enganar Grace durante os tempos de namoro e que agora se diverte a torturá-la psicologicamente, mantendo-a, virtualmente, uma prisioneira na sua casa, enquanto espera pela sua verdadeira presa: a irmã de Grace, Millie, que sofre de Síndrome de Down e que irá viver com eles depois de atingir a maioridade.

A premissa é um bocado irrealista e a execução deixa muito a desejar. O livro mergulha-nos de cabeça na trama, abrindo com o casal modelo a dar uma pequena festa em casa, para alguns amigos. Mas assim que a porta se fecha (lá está), Jack tira a sua máscara e torna-se controlador, zombeteiro e cruel. Grace nada consegue fazer para se libertar.

Em suma, é um bom livro para se ler sem se pensar muito no enredo. Ele presta-se a isso mesmo: é pequeno, com capítulos curtos e o ritmo da ação nunca esmorece. É por isso que é fácil não pensar muito nas falhas de caracterização das personagens (que são mais caricaturas e estereótipos do que outra coisa) e da história (que nunca é assim muito desenvolvida ou particularmente realista). É um livro que nos agarra logo no início, com os extremismos de Jack e o sofrimento de Grace e nunca mais nos larga durante as horase dias tortuosos da nossa protagonista enquanto esta tenta escapar ao seu captor e salvar a irmã de um destino indescritível.

A tensão, como disse, ajuda a folhear o livro com rapidez e a ignorar as falhas gritantes: como nunca ninguém (ou quase ninguém) percebe que a fachada é demasiado perfeita ou que Grace nunca tem tempo para os amigos apesar de não trabalhar, entre outras coisas. Suponho que se Grace e Jack não tivessem amigos, seria mais fácil de engolir; geralmente, as pessoas não se interessam por estranhos, mesmo que sejam vizinhos. Pelo menos, não realmente. São capazes de engendrar mexericos, no entanto, e muita gente vive para isso, especialmente quando os alvos fazem inveja com as suas vidas aparentemente perfeitas. Assim, a inação da vizinhança e sobretudo dos amigos, não faz muito sentido.

No entanto, falhas no enredo à parte, esta foi uma leitura rápida, viciante e satisfatória. É um thriller no mais puro sentido da palavra e é competente a deixar o leitor com as emoções à flor da pele e a querer saber o que se vai passar a seguir. 

Detalhes da versão original:
Título: Behind Closed Doors
Ano: 2016

27 maio 2017

Opinião: The Raven Boys (Maggie Stiefvater)

Editora: Scholastic Press (2012) 
Formato: e-book | 312 páginas 
Géneros: Mistério, Literatura YA, Fantasia Urbana 

Houve uma altura na minha vida em que achava imensa piada a livros ou séries para jovens adultos (YA ou Young Adult, no original). Isto porque achava (e ainda acho), que os autores deste tipo de livros têm de se esforçar mais para manterem os seus públicos interessados porque... bem, como sabemos, os livros competem, hoje em dia, com a televisão e os jogos de computador.

Mais tarde, depois de ler um número considerável de livros para esta faixa etária (entre os 14-20 anos, mais ou menos), descobri que muitos partilham dos mesmos elementos e que isso parece ser mais ou menos suficiente para cativar as massas adolescentes.

O que muitos destes livros têm, quer sejam contemporâneos, históricos ou fantásticos é uma história de amor dramática à qual é dada muita proeminência.

Com o passar do tempo, fui desistindo um pouco da literatura YA, mas há alturas em que volto a elas. Como nesta ocasião, para ler o primeiro livro na aclamada série de







21 maio 2017

Opinião: Escrito na Água (Paula Hawkins)

Editora: Topseller (2017) 
Formato: Capa mole | 384 páginas 
Géneros: Mistério, Thriller 

"Escrito na Água" é o mais recente livro de Paula Hawkins, autora do bestseller "A Rapariga no Comboio" (Topseller). Devido ao massivo sucesso do seu primeiro livro, Hawkins viu a sua oferenda literária ser lançada mundialmente no dia 2 de maio. Portugal não foi exceção e devo dizer que a sinopse me cativou o suficiente para comprar o livro logo no primeiro dia, apesar de, como os que me conhecem melhor sabem, thrillers não serem exatamente o meu género preferido.

Tal como o seu predecessor, "Escrito na Água" é então um thriller e tem como pano de fundo uma zona rural de Inglaterra. Ao contrário de "A Rapariga no Comboio", no entanto, este segundo livro não tem uma personagem principal claramente definida (ou melhor, tem, mas trata-se da vítima), sendo composto pelos pontos de vista de diversas personagens.

Fiquei um bocado desapontada com este livro. Pela sinopse, pensei que o mistério teria um pendor vagamente sobrenatural (não verdadeiramente, isto é um thriller, não fantasia, mas devido às crenças populares), mas a autora não se focou muito nesse aspeto.

Nel Abbott sempre viveu obcecada com o rio que passa na sua vila. Para ela o rio era tudo e a sua história era um motivo de investigação frenética. Mas agora, Nel morreu, um aparente suícidio, apenas mais uma morte num rio cujas águas já levaram a vida de muitas mulheres. Mas será que Nel se suicidou realmente? Ou será que alguém com algo a esconder, algo que a investigação de Nel ameaçava levar à luz?

Como disse anteriormente, Nel Abbott é, mais ou menos, a protagonista desta história. Apesar do livro começar com a sua morte, são as mudanças e segredos descobertos que este acontecimento despoleta que são o tema central do livro. Narrado a muitas vozes (Jules, a irmã de Nel, Lena, a filha de Nel, Sean o detetive, Louise, cuja filha também escolheu afogar-se no rio e outros habitantes da vila), são elas que constituem a tapeçaria da história, que vão formar o enredo.

Geralmente  não sou muito fã de livros narrados por diversas personagens, pois considero que é uma distração, pois muitas vezes os autores não conseguem imprimir personalidades vincadas e diferentes o suficiente às suas personagens para que resulte. E foi este o caso com "Escrito na Água". Cada capítulo é narrado por uma ou outra personagem, na primeira pessoa, mas nunca senti realmente que se tratavam de personagens diferentes. Porque todas elas "soavam" parecidas; se isso faz sentido.

No entanto, isto nem foi o que me desagradou mais. O que me desagradou mais foi mesmo o facto de a autora nos dar uma história tão interessante sobre o rio (um local onde afogavam "bruxas" e mulheres problemáticas) e no final, o mistério ter uma resolução tão prosaica, tão... normal. Tão pouco relacionada.

Mas, claro, isto é apenas uma preferência pessoal. Não tem nada a ver com a qualidade do mistério ou da narrativa, com a qual tive alguns problemas também, como referi acima quando falei dos múltiplos pontos de vista. Devo dizer que para além de não ter captado grande diferença entre as vozes das diversas personagens, também tive alguns problemas com as suas motivações e atitudes... simplesmente não me pareceram realistas ou particularmente humanas. Não posso aqui falar muito sem "spoilar" o livro, mas digamos que certas ações de Sean e de Lena e os seus comportamentos posteriores não me pareceram assim muito possíveis (a não ser que a vila tenha um número anormal de psicopatas no seu seio).

Enfim, no geral, foi uma leitura rápida e relativamente interessante. A autora não seguiu a via que, no meu humilde entender, tornaria a narrativa mais apelativa, mas mesmo assim não me custou ler este "Escrito na Água". É um thriller competente e "pipoca", que vai certamente agradar aos fãs do género. Eu só gostaria que tivesse tido um pouco mais de profundidade (perdoem-me o trocadilho) e desenvolvimento. Não há realmente muito que distinga este livro de um qualquer mistério passado numa cidade pequena. 

Detalhes da versão original:
Título: Into the Water  
Ano: 2017

15 maio 2015

Opinião: Wayward Pines - Paraíso (Blake Crouch)

Editora: Suma das Letras (2015)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Mistério, Ficção científica

Nunca tinha ouvido falar deste livro até a FOX começar a dar anúncios sobre a série; também tenho de confessar que este tipo de histórias reminiscentes do "Lost" (Perdidos) não me cativam por aí além uma vez que devo ser uma das poucas pessoas que não suporta a série.

Mas, uma vez que o livro é um fenómeno tão grande, tão popular e (dizem) com um final tão inesperado, decidi tentar a leitura. Que não foi má de todo, apesar de estar longe de ser brilhante.

E. Burke, agente dos Serviços Secretos dos Estados Unidos acorda no hospital de Wayward Pines depois de ter sofrido um grave acidente em que o seu parceiro morreu. Burke tem uma concussão e mal consegue sair da cama, mas isso não o vai impedir de realizar sua missão: investigar o desaparecimento de dois outros agentes na pequena cidade.

Mas cedo Burke começa a perceber que nem tudo é o que parece. Algo de estranho se passa na cidade e parece que muita gente está a esconder algo. À cabeça da conspiração, Burke suspeita, está o xerife. 

Não é possível dizer muito mais sobre este livro sem "spoilar" potenciais leitores, mas posso dizer que não fiquei assim muito impressionada.

(os SPOILERS começam aqui).

A frase na capa prometia-me um "crescendo" de suspense, mas na verdade a escrita de Crouch não é boa o suficiente para criar a tensão que supostamente, a história devia ter. Na verdade o livro é demasiado pequeno para existir mais do que um esboço de uma história que deveria (e poderia, nas mãos certas) ter dado para muito mais.

Este primeiro livro mostra-nos a situação da cidade e como a população sobrevive num mundo pós-apocalíptico. Houve diversas situações que achei que não faziam muito sentido, como as caçadas ao homem e, bem, na verdade todo o planeamento do homem atrás da cortina, um tal de David qualquer-coisa.

O facto de eu não me lembrar do nome desta personagem, mostra o quão pouco esta e outras estavam desenvolvidas. Mais uma vez, meros esboços, com pouca personalidade e poucas características intrigantes.

No geral, um livro bastante mediano. Não senti a tensão crescente que esperava e o mundo desenvolvido é bastante genérico, com criaturas que não são zombies, mas quase e uma data de sobreviventes que nem sabem que o são. Não existem quaisquer pormenores inovadores e as personagens pouco interessantes não ajudam. A escrita é pouco mais que competente. Uma boa leitura de praia, mas não esperem nenhuma obra-prima ou um enredo complexo. Ficarão desiludidos.

23 março 2015

Opinião: Conspiração Mortal (J.D. Robb)

Editora: Chá das Cinco/SdE (2011)
Formato: Capa mole | 333 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica

(A versão lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da edição portuguesa.)

Para mudar um pouco "de ares", decidi retomar a leitura da série "Mortal" de J.D. Robb (ou Nora Roberts). A minha última leitura, em finais de agosto do ano passado, tinha sido pouco satisfatória, talvez porque tinha andado a ler os livros todos de seguida e, assim, foi-me difícil não reparar que as histórias eram sempre parecidas.

O oitavo livro não foge muito à fórmula a que J.D. Robb já nos habituou em livros anteriores, mas desenvolve as personagens principais e introduz um crime que, mesmo sendo cometido por uma pessoa mentalmente instável, se distingue um pouco dos crimes anteriores.

Eve é chamada a uma cena de um crime, cuja vítima é um sem abrigo. Devido à sua filosofia, Eve sente que tem de "defender os mortos", independentemente da sua classe social pelo que, apesar de muitos polícias não se importarem muito com tais mortes, Eve irá fazer tudo para descobrir o culpado. Além disso, o coração do sem abrigo, de nome (ou alcunha) Snooks, foi levado. Eve, cedo suspeita que um cirurgião profissional possa estar envolvido no caso.

A sua investigação leva-a a descobrir que crimes semelhantes tiveram lugar em diversas cidades não apenas nos EUA mas também na Europa. À medida que Eve se aproxima do culpado, forças poderosas tentam impedir a sua investigação das mais diversas formas... parece que este assassino tem boas ligações.

Como disse, este livro não foge muito do estilo dos anteriores. No entanto, há mais tensão e um maior sentido de urgência, porque o assassino tem alguma influência em diversos meios políticos e Eve sofre alguma pressão para encerrar a investigação. Pressão essa, que não a impede de continuar, até que os seus inimigos tomam medidas drásticas.

Gostei deste livro devido à tensão que mencionei acima e porque, pela primeira vez, vemos Eve completamente vulnerável. Ela que é sempre tão dura e pronta para todas as situações, que vence constantemente os seus fantasmas, mostra-nos, neste livro, um lado mais humano. E Roarke também, de certo modo. Apesar dos constantes "Amo-te", de ambas as partes, senti que neste livro a relação deles foi testada pela primeira vez, realmente testada e isso deu mais alguma profundidade às personagens.

No geral, uma leitura que me agradou. O intervalo que fiz entre leituras de livros desta série ajudou certamente, mas penso que este livro é mais rico do que alguns dos anteriores, em alguns aspetos. Explorou-se um tipo diferente de crime, a questão da ética nas experiências médicas e ficámos a saber um pouco mais sobre como funciona a medicina em meados do século XXI.


Da mesma série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal
  6. Vingança Mortal
  7. Oferenda Mortal

20 março 2015

Opinião: The Diabolical Miss Hyde (Viola Carr)

Editora: Harper Voyager (2015)
Formato: e-book | 464 páginas
Géneros: Ficção histórica, steampunk, fantasia urbana

Decidi ler este livro depois de ver uma opinião muito positiva do mesmo no blogue Smart Bitches, Trashy Books. Pareceu-me uma transição interessante dos romances históricos que andava a ler para outros géneros (neste caso, fantasia urbana, steampunk e mistério), por isso arrisquei.

"The Diabolical Miss Hyde" é, sem dúvida, uma leitura multifacetada, que mistura diversos géneros e linhas de ação de forma mais ou menos coerente e eficaz.

Eliza Jekyll vive numa época vitoriana um pouco diferente da que conhecemos. Invenções diversas permitiram a utilização de eletricidade nas mais diversas máquinas, desde o sistema elétrico comum (iluminação de ruas e de casas), até meios de transporte (como o metro), entre outros. O estado parece também ser muito mais totalitário, com a Sociedade Real, uma organização dedicada à ciência e dedicada também a erradicar aquilo que considera crendices (magia, por exemplo) e "heresias científicas", a ter um comando quase total da sociedade.

No entanto, tal como na nossa época vitoriana, as mulheres são também consideradas seres inferiores. É por isso que Eliza encontra tanta contestação à sua ocupação: médica e médica legista.

Eliza tem também de ter muito cuidado com a Sociedade Real, porque ela tem um segredo sombrio: tal como o seu pai, Dr. Jekyll, também Eliza tem uma "sombra" ou segunda personalidade dentro de si: Lizzie Hyde, uma mulher desenrascada e sociopata. 

O livro abre com Eliza e o seu amigo inspetor da polícia (cujo nome não me lembro) a investigar um assassínio brutal de uma mulher. Remy Lafayette, um agente da Sociedade Real, aparece na cena do crime e Eliza pensa que finalmente foi descoberta.

Este livro foi certamente uma leitura interessante. Já tinha lido um livro que misturava steampunk com elementos do livro The Strange case of Dr. Jekyll and Mr Hyde de Robert Louis Stevenson, mas foi uma obra para jovens adultos e sinceramente não gostei assim muito.

Já este "The Diabolical Miss Hyde" tem todos os elementos para uma boa leitura: um mundo interessante e bem construído, um mistério horripilante, elementos sobrenaturais subtis e uma heroína carismática (mais Lizzie do que Eliza, no entanto).

 A autora foi parcialmente bem sucedida na construção deste livro que explora tantas vertentes. O seu mundo inclui dois lados opostos e aparentemente irreconciliáveis: um mundo mágico onde as crianças têm caudas de rato e as pessoas fazem magia e um outro mundo onde inovações tecnológicas e experiências científicas aprovadas são postas ao serviço da sociedade. É também um mundo à beira da revolução social e política.

Achei o mundo imaginado por Carr muito intrigante e bem conseguido. É descrito em termos claros (e muitas vezes num inglês mais das "classes baixas" pois é Lizzie quem fala) mas não deixa de ser fascinante e, talvez por ser apresentado de forma tão... crua, parece estranhamente realista.

As personagens de Lizzie e Eliza também me pareceram bem desenvolvidas e interessantes assim como Mr Todd, um assassino em série por quem Eliza tem uma paixoneta que se pode tornar mortal (Mr. Todd gosta de brincar com facas).

Este livro explora então estes mundos, as duas personalidades que vivem dentro de um só corpo e também um mistério, uma vez que Eliza é médica legista e está a investigar um crime. Na maioria das vezes, a autora consegue um equilíbrio mais ou menos balançado entre tudo isto; afinal, para desenvolver Eliza, Lizzie precisa de ter também tempo de antena e Eliza tem de ter alguma angústia emocional. O mistério é um pouco relegado para segundo plano e a resolução parece um bocado forçada, mas mesmo assim é um mistério intrigante.

A parte que mais sofreu, na minha opinião, foi a interação entre Eliza/Lizzie e o misterioso Lafayette. Isto porque Lafayette tem também os seus segredos, mas já se estava a passar tanto no livro que foi impossível fazer com que este personagem fosse mais do que um estereótipo do homem torturado e alfa.

No entanto e no geral, esta foi uma leitura extremamente satisfatória. Apesar da capa um bocado a pender para o boddice-ripper, este livro não se foca particularmente no romance (que, aliás, é quase inexistente, a não ser aquando das perturbadoras confissões de Mr. Todd), mas sim no desenvolvimento de personagens (quase sempre) complexas, de um mundo original e intrigante e de um mistério que fará as delícias de quem gosta deste género (especialmente mais na onda de "Mentes Criminosas"). Recomendado! 

23 fevereiro 2015

Opinião: A Estátua Assassina (Louise Penny)

Editora: Relógio D'Água (2014)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Géneros: Mistério/Thriller

Nunca tinha ouvido falar desta autora ou dos seus livros, mas quando li a sinopse deste, lembrei-me das histórias da Agatha Christie e achei que seria uma boa leitura para quando me apetecesse um "mistério à moda antiga", com dedução e trabalho de investigação ao invés de autópsias e testes de ADN.

E foi, mais ou menos, o que consegui.

O inspetor Gamache e a mulher vão passar uns merecidos dias numa estância de luxo, a Manoir Bellechasse. Juntamente com eles, a família Morrow ocupa o chalé e parece haver algumas tensões entre os membros. Quando uma estátua comemorativa cai em cima de uma das Morrow, o inspetor tem de interromper as suas férias para investigar.

Foi uma leitura agradável, mas não tão intrincada ou explorativa como eu pensava que ia ser. O inspetor Gamache não se revelou um homem surpreendente, qual Poirot e os seus ajudantes muito menos. Não consegui achar piada a qualquer das personagens e, não adivinhei, de todo, quem era o culpado. No entanto, penso que isso se deveu ao facto de a autora não nos dar pistas e da investigação não ter seguido um fio condutor particularmente lógico, que nos pudesse dar a nós, leitores, esse "foreshadowing" necessário para podermos fazer as nossas próprias deduções.

No geral, um mistério bastante brando e pouco entusiasmante. Foi uma leitura rápida e medianamente interessante, mas não me inspirou para ler mais livros da autora.

21 outubro 2014

Opinião: Os Regressados (Jason Mott)

Os Regressados de Jason Mott
Editora: Porto Editora (2014)
Formato: Capa mole | 312 páginas
Géneros: Mistério, fantasia urbana, ficção científica

Depois de ter visto alguns episódios de "Resurrection", fiquei interessada no livro que deu origem à série.

Por isso, comecei este livro de Jason Mott com algumas expetativas: estava curiosa relativamente aos "regressados", as pessoas antes mortas que começaram a aparecer do nada.

Porque é essa a premissa base do livro: de repente, pessoas mortas (quer de causas naturais quer de acidentes, etc.) começam a aparecer em diversas partes do mundo.

Infelizmente, o livro não se centra na procura de explicações para o fenómeno, mas sim nas reações das pessoas à súbita aparição dos seus entes queridos, anteriormente falecidos.

Os protagonistas são Harold e Lucille Hardgrave, um casal idoso que perdeu um filho de 8 anos, Jacob, em 1966. Quando Jacob volta para casa, o casal tem de reabrir velhas feridas e voltar a lidar com toda a dor emocional da perda. Ao mesmo tempo, há pessoas que não querem os Regressados nas cidades e à medida que mais e mais pessoas regressam, o Governo é pressionado para resolver o problema.

Este livro toca, ao de leve, em diversos aspetos importantes. A já referida dor emocional relacionada com a perda de um filho, as reações emocionais ao regresso de pessoas que se pensava estarem perdidas para sempre, os direitos humanos, entre outros. Nenhum deles é explorado com profundidade suficiente para que "Os Regressados" possa ser considerado um livro dedicado à reflexão.

No entanto, não há ação suficiente para que seja considerado um livro de ficção científica ou sobrenatural. No fundo, esta obra centra-se, como já referi, nas reações das pessoas ao nível individual e ao nível coletivo (como os Regressados são vistos, o começo da discriminação contra eles, etc.). E também, claro, nas mudanças que os Regressados trazem à sociedade como um todo.

No geral é um livro sobre o qual não há muito a dizer. Lê-se bem e tem um enredo simples, mas interessante que se foca nos aspetos sociais e emocionais do acontecimento descrito. Tenho pena que não haja quaisquer pistas sobre o porquê de existirem Regressados (esse não é, de todo, o foco do livro), mas mesmo assim gostei da leitura.

20 outubro 2014

Opinião: Até que Sejas Minha (Samantha Hayes)

Até que Sejas Minha de Samantha Hayes
Editora: Topseller (2014)
Formato: Capa mole | 352 páginas
Géneros: Mistério/thriller
Sinopse.

Ai, por onde começar? Pelas opiniões maravilhosas que li noutros blogues? Pela capa cheia de opiniões positivas e conjuntos de 5 estrelas? Pelo facto de ir, mais uma vez, tecer uma opinião negativa sobre um livro do qual muitos gostam? Bem, vou. Por isso, fãs, pessoas que gostaram e pessoas que ainda querem dar uma oportunidade ao livro: agora é a altura de parar de ler.

Este livro é... uma confusão. Está mal construído. As personagens são pouco interessantes. O enredo é pouco linear e não há qualquer crescendo ou pistas relativamente ao desenlace.

Mas comecemos pelo princípio. "Até que sejas minha" abre com um prólogo em que uma das personagens da história nos conta um pouco da sua infância; como a mãe tinha problemas em ter filhos e como ela queria ter filhos. Não sabemos qual das personagens é.

Depois, conhecemos Claudia, uma mulher que sofreu diversas perdas mas que finalmente está grávida e quase a ter o bebé. O marido de Claudia trabalha para a Marinha e está longe durante longos períodos de tempo; por isso, decidem contratar uma ama para ajudar a fazer a transição e para acompanhar Claudia.

E é assim que conhecemos Zoe. Uma jovem misteriosa. Cedo Claudia começa a ter suspeitas acerca da sua nova ama, apesar das excelentes (e comprovadas) referências.

"Até que sejas minha" é contado do ponto de vista de três personagens: Claudia, Zoe e Lorraine, uma detetive encarregada de um caso macabro em que as vítimas são mulheres grávidas.

O problema é que a autora tem tanta subtileza como um elefante numa loja de cristais. Logo desde o início não só Claudia suspeita de Zoe, como a própria Zoe tem monólogos inquietantes acerca do "mal que vai fazer à família" e de "como se arrepende" do que está prestes a fazer. Isto, juntamente com o seu comportamento marcadamente suspeito, faz com que seja muito óbvio que a autora aponta freneticamente para Zoe como suspeita/assassina dos crimes hediondos que estão a ser investigados por Lorraine. Pois. Mesmo uma pessoa que não lê muitos livros de mistério, como eu, vai ficar desconfiada com tanta insistência...

Depois, temos a investigação fragmentada de Lorraine e do seu parceiro Adam, que é também o seu marido e que teve um caso extra-conjugal. Como tal, passam mais tempo com indiretas e animosidade do que a resolver efetivamente o caso. E para ficar tudo ainda mais fragmentado, temos acesso a páginas detalhando a vida de Lorraine e os problemas que tem com a filha mais velha, blá, blá, blá. Se Loraine fosse a personagem principal, ainda se compreendia, mas não é. Esta exploração da sua vida privada não faz sentido.

E por fim, temos o "twist". Alguns consideram que é de génio. Eu considero que não faz sentido nenhum. Para que este "twist do enredo" funcionasse era necessário que houvesse algum tipo de "foreshadowing", antevisão, sinais que permitissem ao leitor, mesmo que a posteriori, dizer "ah então é por isso que aconteceu tal e tal assim". Mas não há. Este "twist" vem do nada e é ilógico.

No geral, um livro com uma escrita fácil de ler e este é quase o único ponto positivo que posso apontar a "Até que sejas Minha". Como livro de mistério/suspense penso que falha redondamente e que, em termos globais, é um livro pouco interessante.

14 outubro 2014

Opinião: Visions (Kelley Armstrong)

Visions de Kelley Armstrong
Editora: Random House (2014)
Formato: e-book | 402 páginas
Géneros: Mistério, Fantasia urbana
Sinopse.

Neste segundo livro da série "Cainsville", encontramos Olivia a acostumar-se à sua nova vida que inclui um novo emprego como investigadora para Gabriel.
No entanto, isto muda rapidamente quando Olivia começa a ver portentos e a ter visões de um corpo de uma rapariga desmembrada, vestida para se parecer com ela.

Será que as visões são mesmo visões? Ou que alguém quer assustá-la a sério?

"Visions" foi definitivamente um livro de fantasia urbana. Apesar de haver um mistério, este está relacionado de forma direta com os elementos sobrenaturais que compõem a série. 

Ao contrário do primeiro, que se centrava no passado de Olivia e dos seus pais, este livro centra-se nas capacidades de Olivia e nas suas origens. Dá-nos pistas sobre quem serão os fundadores de Cainsville e sobre as origens tanto de Olivia como de Gabriel.

Achei que este livro tem um bocado de palha a mais e se alonga demasiado. Algumas partes são um pouco aborrecidas e não servem, na minha opinião, grande propósito narrativo.

Olivia e Gabriel sofrem mais algum desenvolvimento.

No geral, um livro que sofre de síndrome do segundo livro, sem dúvida. Certamente que aprendemos muito sobre a componente sobrenatural da história geral e há algum desenvolvimento do mundo, mas contabilizando tudo no final, muito poucas respostas nos foram dadas tendo em conta o tamanho do livro (400 páginas). Um livro interessante, certamente, mas que se arrasta um bocado.

07 outubro 2014

Opinião: Omens (Kelley Armstrong)

Omens de Kelley Armstrong
Editora: Random House (2013)
Formato: e-book | 400 páginas
Géneros: Mistério, Fantasia urbana 
Sinopse.

É bastante difícil escrever uma opinião sobre um livro que é uma mescla de tantas coisas que é quase impossível defini-lo.

Afinal, "Omens" é um livro de mistério, terror ou fantasia urbana? Um pouco de tudo, suponho.

Não sou estranha à obra de Kelley Armstrong, que me deliciou há uns tempos com a sua trilogia juvenil "The Darkest Powers". Sim, ok, não achei que fossem livros terrivelmente bem escritos mas eram boas leituras, compulsivas.

Era isso que esperava de "Omens", o primeiro livro de uma nova série, desta vez para o público adulto. E foi, de certo modo, isso que obtive. Mas também obtive muito mais.

Olivia Taylor-Jones é uma jovem de 24 anos que faz parte da elite de Chicago. Rica, glamorosa e noiva de um promissor CEO, Olivia passa o seu tempo entre as caridades, o voluntariado e outras coisas com que as jovens da sua classe social se ocupam.

Mas tudo muda quando Olivia descobre que foi adotada e que os seus pais são assassinos em série, culpados da morte de oito pessoas. Com os jornalistas à perna e a mãe adotiva sem saber o que sente sobre esta revelação, Olivia foge e dá consigo numa pequena cidade chamada Cainsville. Cainsville é peculiar, parece ter parado no tempo e parece ser o lar de várias pessoas excêntricas. Mas é aqui que Olivia vai recomeçar a sua vida, ao mesmo tempo que tenta descobrir-se a si própria, tenta descortinar a verdade por detrás dos assassínios de que os seus pais são acusados e confronta-se com a aterrorizante questão de ser ou não filha dos seus pais.

"Omens" é, primeiro que tudo, um mistério. Olivia descobre que é adotada e que os seus pais são assassinos em série, e sofre um choque. Mas ao mesmo tempo, quer saber a verdade, acerca de si mesma e dos seus pais. Para isso, forma uma equipa com um advogado interesseiro chamado Gabriel.

Muito do livro é dedicado ao mistério de um dos assassínios duplos cometidos pelos pais da Olivia. Provas indicam que estes podem não ter sido responsáveis por esse crime e Olivia decide que tem de saber se tal é verdade. Ao mesmo tempo, vemo-la criar raízes na pequena cidade de Cainsville, que é bem mais do que aparenta.

Olivia é uma personagem muito bem construída. Carismática e bastante insegura, é bondosa, mas não se define apenas pelas suas boas qualidades (como uma boa Mary Sue). Tem também alguns defeitos e é alvo de um crescimento marcado neste primeiro livro. Olivia perde todos os pilares que seguravam a sua antiga vida e tenta, durante todo o livro, fazer sentido da nova, tenta descobrir qual é o seu lugar.

Isso não significa que o livro seja particularmente introspetivo, porque não é. Não faltam cenas de ação e mistério para manter a narrativa fluída. 

Não falta também uma pitada de sobrenatural, uma vez que Olivia parece ter o dom de interpretar portentos (mas nunca nos é dito com clareza se ela tem ou não apenas uma imaginação ativa), o que contribui também para a sua confusão.

No fim, estes "ingredientes" juntam-se para formar uma história interessante, de leitura compulsiva e sem paragens. A jornada de Olivia e as pessoas que conhece são bastante intrigantes e a fluidez e ritmo da narrativa asseguram que o leitor está sempre com vontade de ler mais.

No geral, muito interessante e um bom começo para uma série de mistério com um pouco de sobrenatural à mistura (mas de forma subtil e de certa forma, mais "realista").

15 setembro 2014

Opinião: Quando o Cuco Chama (Robert Galbraith)

Quando o Cuco Chama de Robert Galbraith
Editora: Editorial Presença (2013)
Formato: Capa mole | 496 páginas
Géneros: Mistério/thriller
Sinopse.

(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa)
Há livros que temos medo de ler. E este, juntamente com outros da J.K. Rowling, era um deles (para mim).

Uma das séries que marcou a minha vida de leitora foi a série do Harry Potter. Foram aqueles livros que lemos e relemos imensas vezes mas que nunca perdem a magia (pardon the pun), daqueles livros que lemos tantas vezes que eles ficam velhinhos e usados e depois temos de comprar edições novas.

Mas essa série acabou e a autora, J.K. Rowling virou-se para outras escritas. E eu, como fã, comprei logo os novos livros dela, em capa dura e no original e... bem, e lá ficaram na prateleira durante bastante tempo. Porque o problema com autores dos quais gostamos muito é que as suas novas obras têm tantas formas de nos desiludir que até lhes perdemos a conta. E mais: também nos podem iludir, ou seja, podemos achar que é um livro altamente apenas porque... epá, somos fãs da autora.

Felizmente, acho que nada disto aconteceu nesta leitura. Gostei deste livro, mas não vai entrar no meu top de favoritos. Reconheço-lhe os méritos, mas também as falhas.

J.K. Rowling, sob o pseudónimo Robert Galbraith criou em "Quando o Cuco chama" um mistério envolvente mas que avança de forma lenta e por vezes demasiado pormenorizada.

Cormoran, um detetive privado e ex-soldado é o protagonista desta história, se descontarmos o próprio "Cuco", a vítima. Tal como no romance que li há uns anos de Vikas Swarup (intitulado Seis suspeitos), a narrativa centra-se muito mais na vítima do que nos métodos investigativos de Cormoran (que se reduzem, mais ou menos à recolha de informação).

Galbraith vai juntando as várias peças de um complicado puzzle, que nos permitirá no final, obter uma imagem completa dos últimos dias da vítima e resolver o mistério.

"Quando o Cuco chama" é um mistério à antiga, de certo modo, com laivos de Agatha Christie que se podem ver na técnica investigativa de Cormoran e na utilização de uma segunda protagonista (Robin) para colocar umas perguntas bem pertinentes nos momentos certos. O culpado era bastante evidente quase desde o início, mas Galbraith consegue fazer mesmo assim germinar uma pequena semente de dúvida.

A destoar dos romances de Christie está o facto de neste livro se explorarem também as origens de Cormoran. Este não se afigura uma personagem emocionalmente complexa, mas o seu passado é interessante, pelo menos. Robin, a sua secretária dá alguma cor ao livro.

Acho que a escrita é, talvez, excessivamente trabalhada, o que me dificultou a leitura a princípio. O ritmo é um pouco irregular, havendo, também no início, alguns tempos mortos.

Contudo, no geral, gostei do desenrolar da história e estou curiosa para saber como Cormoran se vai desenvolver enquanto personagem e qual será a resolução dos próximos mistérios.

No geral, uma narrativa lenta, mas cheia de pormenores intrigantes. A visão geral do crime não se torna aparente após adquirirmos todas as peças e Cormoran tem de nos "explicar" como tudo foi feito, o que achei uma falha, tendo em conta o género do livro, mas no geral foi uma leitura interessante se bem de estar longe de ser uma obra de leitura compulsiva.

29 agosto 2014

Opinião: Oferenda Mortal (J.D. Robb)

Oferenda Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2010)
Formato: Capa mole | 284 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

Aviso: contém pequenos SPOILERS para o livro anterior.
(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).

Este sétimo livro da série "Mortal" abre de forma semelhante a todos os outros e tem uma estrutura semelhante a todos os outros: crimes em série, o Roarke a mudar os seus horários para cuidar da Eve e para se intrometer na investigação criminal, conferências de imprensa e muito sexo entre o casal principal.

Assim, foi com alguma apreensão que iniciei a leitura. Afinal, tenho gostado bastante da série, mas mesmo assim não posso deixar de admitir que a fórmula em todos os livros é idêntica, ainda mais nestes últimos em que Eve já confrontou parcialmente os "demónios do passado" e está a construir uma rotina. Rotina essa que nos é apresentada no livro.

E, durante grande parte do livro, esta semelhança com livros anteriores fez com que a leitura andasse mais devagar do que gostaria.

Em Oferenda Mortal, estamos na época natalícia, uma época bastante stressante para a maioria das pessoas e ainda mais para Eve, que nunca teve de se preocupar em arranjar presentes para ninguém e agora tem uma data de amigos e mesmo uma família.

No entanto, parece que há outras pessoas que também têm memórias traumáticas deste período e quando um assassino em série vestido de Pai Natal, começa a atacar, Eve terá de despender esforços (que lhe podem custar mais do que o normal, pois ainda tem sequelas de ter sido atingida por uma arma no livro anterior) para impedir que mais pessoas morram.

O que me irrita um bocado nestas investigações é que a Eve nunca chega lá sozinha. Há sempre um elemento de sorte, ou tem uma testemunha ou o assassino comete um erro. Apesar de investigar que se farta, a Eve nunca chega à conclusão correta e diz: "É este o criminoso. Vamos prendê-lo". E isso não ajuda a que o leitor a veja como muito boa naquilo que faz, como todas as personagens insistem que ela é.

Mas voltando a este livro em específico, este estava a ser uma leitura bastante típica para esta série. O que salvou realmente o livro foi Peabody, que finalmente mostrou alguma emoção para além de uma admiração desmesurada por Eve (que às vezes consegue ser bastante mal criada para a sua ajudante), McNab o detetive informático e Charles, o prostituto com quem a Peabody sai algumas vezes. Roarke e Eve limitam-se a repetir tudo o que fazem noutros livros.

No geral, uma leitura que me custou por causa da sua semelhança com outros livros da série. Como é que os leitores ainda não se fartaram ao fim de 40 livros não sei. Vou ler os próximos, mas se a fórmula para os mistérios continuar a mesma e se não houver mais desenvolvimento de Eve e Roarke (por amor da Santa, zanguem-se ou algo do género!), por mais que goste da série, acho que não vale a pena continuar e ler 532 vezes o mesmo livro. 

Da mesma série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal
  6. Vingança Mortal

20 agosto 2014

Opinião: Vingança Mortal (J.D. Robb)

Vingança Mortal de J.D. Robb
Editora: Chá das Cinco/SdE (2010)
Formato: Capa mole | 301 páginas
Géneros: Mistério, Romance contemporâneo, Ficção científica
Sinopse.

(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa)

E cheguei já ao sexto livro da série "Mortal". Esta série é bastante viciante e o leitor (neste caso, eu) quer sempre saber mais sobre as interessantes personagens que povoam o mundo, pelo que continuamos a ler. Os mistérios e o intrigante mundo futurista são ótimos bónus!

Em Vingança Mortal, Eve terá de jogar um perigoso jogo com um psicopata cujo objetivo é vingança... vingança contra Roarke e todos os que o ajudaram no passado, aquele passado sombrio, na Irlanda do qual sabemos tão pouco.

Numa corrida contra o tempo, Eve tem de tentar resolver as adivinhas que lhe são transmitidas pelo assassino para conseguir chegar a tempo ao local onde as vítimas sofrem mortes horrorosas.

Temos também um elemento religioso nestes crimes, que a meu ver não foi suficientemente bem explorado, mas pronto.

Neste sexto livro ficamos então a saber mais sobre Roarke, sobre o seu passado e sobre as tais ações objecionáveis de que já se vem falando desde livros anteriores. É um forte teste ao carisma da personagem, uma vez que finalmente temos uma visão bem mais clara do que Roarke fez e de quem ele é realmente. Já não é apenas uma personagem misteriosa e um pouco "dark".

Gostei do facto deste livro ter tido um pouco mais de ação do que os anteriores (sem exageros e sem comprometer o enredo), com uma perseguição a alta velocidade e tudo. 

Vemos também as primeiras "sementes de discórdia" entre o casal de protagonistas, o que me pareceu bastante realista tendo em conta a natureza das infrações de Roarke.

Vemos também que Eve, longe de ser perfeita, não se abstém de utilizar métodos menos "legais" para apanhar os criminosos.

No geral, mais uma boa leitura. Acho que a autora apanhou novamente o ritmo que tinha falhado um pouco no livro anterior e que as personagens sofreram um desenvolvimento marcado neste livro.

Outros livros da série:
  1. Nudez Mortal
  2. Glória Mortal
  3. Fama Mortal
  4. Êxtase Mortal
  5. Cerimónia Mortal

Publicação em destaque

Opinião: Sistemas em Estado Crítico (Martha Wells)

Sistemas em Estado Crítico de Martha Wells Editora : Relógio de Água (2024)   Formato : Capa mole | 120 páginas   Géneros : Fição científic...