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27 maio 2017

Opinião: The Raven Boys (Maggie Stiefvater)

Editora: Scholastic Press (2012) 
Formato: e-book | 312 páginas 
Géneros: Mistério, Literatura YA, Fantasia Urbana 

Houve uma altura na minha vida em que achava imensa piada a livros ou séries para jovens adultos (YA ou Young Adult, no original). Isto porque achava (e ainda acho), que os autores deste tipo de livros têm de se esforçar mais para manterem os seus públicos interessados porque... bem, como sabemos, os livros competem, hoje em dia, com a televisão e os jogos de computador.

Mais tarde, depois de ler um número considerável de livros para esta faixa etária (entre os 14-20 anos, mais ou menos), descobri que muitos partilham dos mesmos elementos e que isso parece ser mais ou menos suficiente para cativar as massas adolescentes.

O que muitos destes livros têm, quer sejam contemporâneos, históricos ou fantásticos é uma história de amor dramática à qual é dada muita proeminência.

Com o passar do tempo, fui desistindo um pouco da literatura YA, mas há alturas em que volto a elas. Como nesta ocasião, para ler o primeiro livro na aclamada série de







31 março 2015

Opinião: Firefight (Brandon Sanderson)

Editora: Delacorte Press (2015)
Formato: e-book | 304 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Aviso: Alguns SPOILERS para o primeiro livro

Firefight, o segundo livro da série Reckoners retoma a ação alguns meses depois da derrota de Steelheart, o tirano que controlava Newcago. 

Sem Steelheart presente, os humanos começam lentamente a tomar o controlo da cidade e estabelece-se um governo. Ao mesmo tempo, os Reckoners, dos quais David faz agora parte, protegem a cidade contra os Épicos que aparecem, decididos a tomar o lugar de Steelheart. 

Contudo, depressa se torna evidente que uma outra Épica de grandes poderes, Regalia, a governante da antiga cidade de Manhattan, está a atrair os Reckoners para a sua cidade. O que quererá Regalia?

Babylon Restored, o novo nome de Manhattan é uma cidade estranha, onde a água tomou conta da maioria do terreno, onde cresce fruta luminescente e onde os graffitis espalhados pelos telhados dos edifícios mais altos (os únicos que não se encontram debaixo de água) dão luz a uma cidade sem eletricidade.

Os Reckoners de Newcago encontram-se com a célula de Babylon Restored e investigam a situação na cidade, uma vez que Regalia parece ter-se fartado do seu reino relativamente benevolente e quer destruir a cidade.

Este segundo livro foi tão agitado e repleto de ação quanto o primeiro. Os nossos heróis não descansam por um momento, enquanto investigam o que se passa na cidade. Segredos, desconfiança e traições minam os Reckoners e, especialmente, a relação entre o Prof e David.

Megan aparece também neste livro, sempre em conflito consigo mesma mas, cada vez mais, interessada em ajudar David.

Foi mais uma leitura rápida, viciante e intrigante. Sanderson desenvolve muito mais as personagens neste segundo livro, especialmente Megan e o Prof. A trama está bem escrita e leva o leitor a tentar perceber o que se passa com as pistas que lhe são deixadas, mas não me parece que sejam claras o suficiente e o desfecho do enredo acaba por ser um bocado aleatório (ou seja, não parecia ser o caminho que a história estava a levar).

Neste volume, sabemos também mais acerca das origens dos poderes dos Épicos, acerca da sua relação com Calamity e acerca das fraquezas de cada Épico e a razão pela qual são, por vezes, tão estranhas.

No geral, continuo a achar que as "lições" e as "mensagens" destes livros são pouco subtis e complexos, mas mesmo assim diverti-me imenso com mais esta leitura. 


Da mesma série:
  1. Steelheart

Outras obras do autor no blogue:

28 março 2015

Opinião: Steelheart (Brandon Sanderson)

Editora: Orion Books (2013)
Formato: Capa mole | 386 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Steelheart é mais um dos muitos livros de Brandon Sanderson que cá vieram parar a casa depois de eu ter lido a trilogia Mistborn ("Nascida das Brumas", em Portugal).

Ao contrário da maioria dos livros do autor, Steelheart não é fantasia clássica e/ou épica; é fantasia urbana misturada com um pouco de ficção científica.

Num futuro próximo, um evento denominado "Calamidade", teve consequências... desastrosas. Várias pessoas sofreram mutações e começaram a ganhar poderes que pura e simplesmente desafiam todas as leis naturais. Mas estes indivíduos, os chamados "Épicos", não são o que se poderia chamar heróis; de facto, todos eles mostram uma propensão para a maldade e a megalomania.

Dez anos depois da Calamidade, os Estados Unidos estão em ruínas. A maioria dos seres humanos vive em condições miseráveis e é dominada pelos Épicos.

O nosso protagonista, David, vive na cidade dominada de Chicago (agora, "Newcago"), onde um Épico com poderes impressionantes, que se chama a si próprio "Steelheart" (Coração de aço), reina com um punho de ferro (eh!).

Criado nas ruas subterrâneas e de aço da cidade, David tem apenas uma coisa em mente: vingança contra o aparentemente invencível Steelheart, o Épico que matou o seu pai. E o grupo que o pode ajudar a conseguir essa vingança, os Reckoners, está em Newcago. 

Como não podia deixar de ser, uma vez que se trata de um livro de Sanderson, gostei desta leitura. Foi uma leitura compulsiva, porque o autor mantém sempre um ritmo acelerado, com muitas cenas de ação que nos deixam colados ao livro.

Não achei que o autor tenha explorado a sua mitologia tão a fundo neste livro como o faz nos seus livros de fantasia épica (o que, como devem calcular, foi um pouco frustrante), mas creio que talvez isto se deva ao facto de se tratar de uma série planeada para ser mais longa... ou talvez não, não sei. Mas aprendemos muito pouco sobre a Calamidade e sobre os Épicos neste livro, que é muito focado na ação imediata de eliminar Steelheart.

O que mais me chamou a atenção neste livro foi o número de coisas que parecem ilógicas... se há coisa que este autor preza é uma mitologia bem construída, mas neste livro ele faz questão de frisar que tanto os poderes como as "kryptonites" dos Épicos fazem pouco sentido. Pelo que estou em pulgas para saber como é que eles têm estes poderes tão estranhos.

Sanderson explora neste livro (na série) o conceito do "poder corrompe", de uma forma bastante literal, mas interessante. Confesso que acho a sua abordagem pouco subtil, mas não foi por isso que gostei menos da leitura.

O mundo é aquilo a que muitos autores já nos habituaram em distopias pós-apocalípticas, com os governos totalitários, a tecnologia mais avançada mas por pouco e mesmo assim sujeita a falhas e, sobretudo, um mundo destruído devido à ânsia de poder de alguns indivíduos.

As personagens são interessantes (ou seja, dá gosto ler sobre elas, tê-las como protagonistas), mas não foram particularmente desenvolvidas neste primeiro livro.

No geral, uma leitura bastante agradável. Como sempre, a imaginação do autor merece parabéns. No entanto, considero que este Steelheart fica um pouco aquém de outras obras do autor. Talvez seja pela localização mais familiar ou pela exploração simplista de um conceito que daria pano para mangas, mas pareceu-me que o autor foi um pouco preguiçoso. Mas isto poderá dever-se ao facto de este livro se destinar a um público mais jovem (juvenil/young adult); ou talvez o autor esteja a planear um maior desenvolvimento nos livros seguintes.


Mais livros do autor no blogue:

28 dezembro 2014

Opinião: Soul Screamers - livros 4-7 (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink/Harlequin Teen (2010 a 2013)
Formato: Capa mole/e-book | 1327 páginas (4 livros)
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Agora que já passou algum tempo desde a minha leitura super rápida da série Soul Screamers, começo a ver as coisas de outra perspetiva. Isso e os detalhes da história começam a desvanecer-se da minha mente, porque a série, apesar de viciante, não é propriamente memorável.

E foi por isso que resolvi escrever uma opinião mais compacta dos últimos quatro livros. Porque, no fundo, os livros não são assim tão diferentes, apesar de haver um grande acontecimento no quinto livro (bem, dois, na verdade). No fundo tudo continua na mesma, com Kaylee e os leais amigos a lutarem contra o malvado hellion Avari.

No quarto livro (My Soul to Steal), Kaylee e Nash estão separados devido aos acontecimentos do livro anterior; Kaylee perdeu a confiança em Nash e sente que não pode continuar, por enquanto, a relação. Mas não fica satisfeita quando uma antiga namorada de Nash, Sabine, aparece pronta a reconquistá-lo.

E mais, Sabine é, literalmente, um pesadelo. É uma mara, uma criatura parasítica que sobrevive retirando energia dos seres humanos quando estes estão a dormir… e a sonhar. O medo é o seu alimento e Sabine sabe tudo sobre os medos mais profundos das suas vítimas. Quando parece que Sabine anda a matar professores para se alimentar, Kaylee sente que tem de investigar, mesmo contra a vontade de Nash. Encontra em Todd, o irmão mais velho de Nash, um aliado.

O quarto livro prima pelo dramatismo. Há muito drama associado à relação amorosa conturbada de Kaylee com Nash, que traiu a sua confiança no livro anterior e fez coisas muito pouco recomendáveis. O mistério é, como no terceiro livro, afastado para segundo plano, até porque Kaylee suspeita de Sabine mais por ciúmes do que por outra coisa.

É um livro intenso, com emoções e drama à flor da pele, tal como é típico dos adolescentes. Há muita injustiça e sentimentos feridos de parte a parte e devo dizer que Vincent constrói um triângulo amoroso muito dramático e angustiado.

If I Die, o quinto livro, é um ponto de viragem acentuado na trama central dos livros. Kaylee recebe uma notícia que irá, literalmente, mudar radical e permanentemente a forma como vê as coisas. Confrontada com uma realidade definitiva acerca da qual não pode fazer nada, Kaylee esforça-se por tentar remediar os seus problemas, especialmente a sua relação com o pai e com o talvez-ex-namorado Nash. E também tem de confrontar sentimentos de uma pessoa inesperada e talvez admitir que os seus próprios sentimentos relativamente a essa pessoa e a Nash mudaram.

Ao mesmo tempo, Kaylee tenta proteger as raparigas da sua escola, que estão a ser atacadas por um incubus, que tudo fará para procriar… apesar de as mães de uma criança incubus não terem uma taxa de sobrevivência muito alta.
Temos neste livro um quadrado amoroso à moda antiga e níveis nunca antes vistos de angústia adolescente emocional. Sabine, Kaylee, Nash e o novo interesse amoroso de Kaylee todos lutam com os seus sentimentos e com aquilo que irá, inevitavelmente, acontecer a Kaylee no final.

A luta contra o professor de Matemática, aka incubus é, novamente, secundária. No entanto, a intensidade da narrativa continua a prender o leitor. 

No sexto livro, Before I Wake, Kaylee sobreviveu a uma mudança radical na sua vida. Ou melhor, “sobreviveu” talvez não seja a melhor palavra. Kaylee é agora, para além de uma bean sidhe com uma vida amorosa complicada, uma funcionária do Departamento de Recuperação (de almas), uma outra divisão dos reapers. O seu trabalho é recuperar almas que foram roubadas aos reapers. Para além do seu novo emprego, que lhe permite continuar a sua vida “normal”, Kaylee está ainda a habituar-se à sua nova relação e ao facto de Nash não lhe falar.

E, claro, Avari continua obcecado por ela e quer a sua alma… e tudo fará para a obter, inclusive arranjar maneira de ter uma presença na Terra.

Mais angústia a potes. Mais drama amoroso, mais drama relacionado com o facto de Kaylee ser tão perfeita e altruísta que Avari está obcecado por ela. Há algumas lutas e tudo o mais, mas a frase anterior resume o livro bastante bem. Mas… adoro o novo namorado da Kaylee. E adorei ler sobre ele na short story que vem neste livro.

E chegamos ao sétimo livro (With all My Soul). Depois dos acontecimentos traumáticos do livro anterior, Kaylee e os amigos decidem que têm de parar Avari e os outros hellions a qualquer custo. Vão tentar virá-los uns contra os outros, mas quando um novo hellion chamado Ira aparece, tudo vai de mal a pior. E Kaylee poderá ter de fazer o derradeiro sacrifício…

Se os outros livros foram emocionais, este bate todos os recordes. Finalmente Nash começa a perdoar Kaylee, Kaylee começa a perdoar Nash e Sabine está lá convenientemente para oferecer um final feliz ao ex-namorado rejeitado. Muito deste livro centra-se na personagem fulgurante que é Kaylee, tão especial que uma data de habitantes do Netherworld a querem.

Tendo em conta as minhas palavras sarcásticas, poderão pensar que não gostei da série. Não é o caso. Gostei, sim, li-a de um fôlego, devorei todos os livros e digo-vos: a escrita é o máximo. Não é floreada ou intrincada ou mesmo bela, mas é viciante, intensa e prende-nos de tal forma que parece que nos tem sob um feitiço. A escrita é o ponto forte da série porque é tão… envolvente.

E foi por isso, mais do que por qualquer outra coisa, que gostei da série. Certamente que o imaginário é interessante, mas depressa se tornou evidente que o mundo está lá para suportar a angústia emocional de Kaylee e do elenco de personagens que compõem os livros. Até o facto de Avari andar obsessivamente atrás de Kaylee contribui para isso. Nunca há grande desenvolvimento do mundo ou do imaginário (ou melhor, houve algum nos primeiros livros, mas depois acabou e passou a ser “Um drama na Escola Secundária”).

No geral, esta série está bastante bem escrita, de uma forma que nos dá vontade de ler sem parar, mas tenho de ser sincera: não é nenhuma obra-prima da fantasia (mesmo da urbana). Aliás, é mais romance paranormal do que fantasia urbana e tem demasiado drama para agradar, provavelmente, à maioria dos adultos. Eu, pessoalmente, gostei do facto de ser uma leitura compulsiva, mas teria gostado mais se houvesse menos drama e mais desenvolvimento da mitologia. A história é basicamente a mesma em todos os livros, como disse no início, e pouco mais.

23 dezembro 2014

Opinião: My Soul to Keep (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink (2011)
Formato: Capa mole | 378 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

O terceiro livro da série “Soul Screamers” traz-nos mais conflito e algum melodrama.

A vida de Kaylee Cavanaugh deveria consistir em festas, namoros e, claro, na escola. Mas o facto de ser uma bean sidhe não ajuda e Kaylee está sempre metida em sarilhos. E esta festa não vai ser uma exceção.

Kaylee e o namorado Nash vão a uma festa na casa de um amigo quando se deparam com algo surreal… e perigoso. Alguém anda a traficar “Sopro de demónio”, uma substância gasosa originária do Netherworld. Na verdade, tratam-se das exalações dos hellions. O “Sopro do demónio” é altamente viciante e pode ser fatal para os humanos, levando primeiro à loucura e depois à morte. Com os amigos de Nash envolvidos, Kaylee e o namorado não têm escolha senão tentar perceber como a substância é transportada para o seu mundo, uma vez que os hellions não podem atravessar.

Mas um deles tem um segredo que pode acabar com a sua relação apaixonada.

“My Soul to Keep” foi uma estreia e não uma releitura. Não tinha chegado a lê-lo anteriormente, devido a… coisas (nomeadamente, aos atrasos dos correios e do Book Depository), por isso soube-me bem perceber como a situação tinha mudado tanto no 4º livro.

Neste livro temos algum desenvolvimento do mundo, sim, mas penso que o seu foco são as relações entre Kaylee e as outras personagens da trama, especialmente Nash, o seu namorado. Nash é o primeiro namorado de Kaylee e esta sente-se nas nuvens, mas vai perceber neste livro que as pessoas têm defeitos e que Nash não é tão perfeito como imaginava. O que é fixe e tal. Mas… na verdade a Kaylee é um contraste tão grande (ou seja, é uma grande Mary Sue, super perfeita e sem defeitos… passo a redundância), que as imperfeições de Nash parecem ao mesmo tempo monstruosas e… falsas. Isto faz sentido? O que quero dizer é que o facto de Kaylee não ser uma personagem muito realista (é demasiado perfeita, todos gostam dela, etc.) faz com que o leitor acabe por também não levar a sério o resto das personagens.

Sinceramente, apesar de gostar desta série, esta é uma espécie de “prazer proibido” ou “guilty pleasure”. A caracterização é irregular e a história não tem absolutamente nada de extraordinário, mas a forma como Vincent escreve envolve-nos em todo aquele drama e carga emocional de tal forma que não conseguimos parar de ler!

Assim, no geral, mais um livro de leitura rápida e agradável. Bastante mais melodramático e intenso do que os predecessores, mas bastante fraco ao nível da caracterização da sua personagem principal, que parece demasiado perfeita para ser real. A história também não se focou assim muito no tráfego da droga sobrenatural, como esperava… outros acontecimentos tomaram mais tempo de antena e tive pena. Recomendado para os fãs da série.


Outros livros da série:
  1. My Soul to Take
  2. My Soul to Save

22 dezembro 2014

Opinião: My Soul to Save (Rachel Vincent)

Editora: Harlequin Teen (2009)
Formato: Capa mole | 279 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Aviso: alguns spoilers (poucos)
“My Soul to Save”, o segundo livro da série “Soul Screamers” é, claramente, um livro de transição e de desenvolvimento do mundo apresentado no primeiro livro.

A vida de Kaylee Cavanaugh sofreu uma reviravolta quando descobriu que é uma bean sidhe ou banshee e que tem o poder de saber quando alguém vai morrer. Descobriu também que o seu “grito” é na verdade uma canção pela alma da pessoa que morre e que, com esse grito, pode suspender essa alma e com a ajuda de um bean sidhe macho, voltar a colocá-la no corpo da pessoa.

Para além de ter descoberto as suas capacidades, Kaylee descobre também Nash, o bean sidhe macho que a ajudou a descobrir a sua verdadeira identidade. E está também disposta a descobrir o amor… mas a vida de Kaylee nunca é calma e quando uma jovem cantora morre em palco e Kaylee não grita, ela sabe que algo está errado… ela não pode cantar por alguém que não tem alma.

Neste segundo livro, Kaylee, Nash, Emma e Tod o grim reaper (e também, estranhamente, o irmão de Nash) que trabalha no hospital da cidade, ceifando as almas cujo tempo terminou têm de tentar descobrir como é que adolescentes andam a vendar a alma aos habitantes do Netherworld (a dimensão paralela onde tudo o que é monstro vive) em troca de fama e dinheiro. Tudo se torna pessoal quando uma das pessoas que vende a alma é Addy, uma antiga namorada de Tod.

O mistério é bastante simples e o livro em si não é muito grande, mas como já mencionei acima este livro serve, maioritariamente, para desenvolver o mundo e as personagens. A autora dá-nos mais informações sobre o Netherworld e sobre os seus mais temíveis habitantes, os hellions, sobre as habilidades de Kaylee e de Nash e claro, sobre o mundo dos grim reapers.

Também vemos algum desenvolvimento na relação entre Kaylee e Nash e algum desenvolvimento das outras personagens como Tod e Emma.

No geral, mais uma leitura agradável mas, sinceramente, até agora foi o livro de que menos gostei, de toda a série. É um livro de transição, com muito pouca progressão ao nível da história “maior” que percorre todos os livros.


Outros livros da série:
  1. My Soul to Take

19 dezembro 2014

Opinião: My Soul to Take (Rachel Vincent)

Editora: Mira Ink (2011)
Formato: Capa mole | 345 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Para terminar o ano em beleza, decidi iniciar uma maratona de uma série que iniciei há alguns anos atrás e que agora já se encontra completa.

Na altura, tinha encomendado os livros do Book Depository depois de ter lido o primeiro e ter gostado e, tipicamente, eles chegaram fora de ordem, pelo que também os li fora de ordem. Li o primeiro e o segundo e depois passei diretamente para o quarto sem nunca ter lido o terceiro. Também na altura, esta série tinha apenas quatro livros, pelo que depois de terminar o quarto, deixei de seguir a série e deixei esmorecer o meu entusiasmo inicial.

Foi por isso que me decidi por uma maratona, a começar no primeiro.

“My Soul to Take” é, então, o primeiro livro da série “Soul Screamers” de Rachel Vincent. É uma série direcionada para o público juvenil (e nota-se), mas tem uma certa qualidade que a torna apetecível também para os mais adultos.

Algo está errado com Kaylee Cavanaugh. Por vezes sente-se acometida por ataques de pânico tão violentos que tem de fazer um esforço quase sobre-humano para não gritar. Foi por causa desses ataques que os tios, com quem ela vive, a internaram numa Unidade de cuidados mentais.

Mas, um dia, quando está num bar com a sua amiga Emma, Kaylee conhece (ou melhor encontra) Nash, um dos rapazes mais populares da sua escola e um conquistador consumado. Quando Kaylee sente o impulso irresistível de gritar ao ver uma jovem no bar, Nash ajuda-a a acalmar-se. E, mais tarde, Nash explica-lhe o que se passa realmente: Kaylee é uma bean sidhe (ou banshee) e sabe quando alguém vai morrer.

Enquanto Kaylee explora a sua verdadeira identidade e conhece melhor Nash, uma série de estranhas mortes faz com que a sua vida fique ainda mais complicada.

Li este livro de um fôlego. Vincent escreve extremamente bem, o mistério manteve-me interessada (apesar de ser simples) e nem o “insta-love” me irritou de sobremaneira. As personagens são simpáticas e carismáticas e o facto de o livro se focar em banshees aguçou ainda mais o meu interesse.

No geral, um livro de leitura compulsiva, bem escrito e interessante. Não é nenhuma obra prima, mas é uma boa leitura. 

16 dezembro 2014

Opinião: Cold Kiss (Amy Garvey)

Editora: Harper Teen (2011)
Formato: Capa mole | 292 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA

Ora bem, o que dizer de “Cold Kiss”? Não há muito a dizer, na verdade… foi uma leitura bastante mediana, no geral.

Wren sempre soube que a sua família não era como as outras. A sua mãe fazia luzes brilhar no ar e conseguia manter a lareira acesa durante todo o dia apenas com um magro tronco. Mas é apenas quando o seu namorado Danny morre num acidente, que Wren vai descobrir a verdadeira dimensão dos seus poderes. Desesperada, inventa um feitiço para trazer de volta o seu amado; mas o rapaz que volta tem apenas algumas parecenças com o rapaz que ela amou.

Wren tem de manter Danny em segredo, mas um novo aluno, Gabriel, descobre-o com facilidade, uma vez que pode ler pensamentos e emoções. Com a ajuda de Gabriel, por quem começa a sentir alguma atração, Wren terá de tentar deixar partir verdadeiramente o rapaz que tanto amou… e no processo irá descobrir mais sobre si própria e a estranha energia que faz com que consiga manipular matéria e tantas outras coisas.

Realmente há pouco a dizer. A história está basicamente apresentada acima e não acontece muito mais. O que não teria assim muito mal se as personagens tivessem alguma profundidade. Mas não é o caso. Wren é a habitual heroína torturada, Danny quase não aparece e tem muito pouca personalidade devido à sua… condição e Gabriel é bastante estereotipado.

A autora poderia ter conseguido escrever uma história sobre perda e aceitação bastante boa, se tivesse dado profundidade e desenvolvimento às suas personagens e se não tivesse havido um “amor instantâneo” irritante lá pelo meio.

No geral… foi uma leitura rápida, mas sem grande substância. Tudo é mediano neste livro, desde a história e das personagens à própria escrita. Apesar de não me ter custado propriamente a ler não é um livro que recomende.

07 dezembro 2014

Opinião: Banished (Sophie Littlefield)

Editora: Delacorte Books (2010)
Formato: Capa dura | 304 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Lit. YA/Juv.

Depois de alguns livros juvenis de ficção científica, senti necessidade de continuar a ler YA (Young Adult) mas de retirar a ficção científica da equação (talvez porque Inside Out foi um pouco uma desilusão). Por isso (e também para dar mais um golpe na minha pilha massiva de livros “físicos” por ler), escolhi este “Banished” de Sophie Littlefield. Pareceu-me apropriado e pela sinopse pareceu-me também uma história com personagens duras, que vivem em circunstâncias pouco usuais (devo dizer que o facto de a avó da personagem principal ser traficante também ajudou).

Infelizmente, esta não foi uma leitura com muito sucesso.

Hailey Tarbell vive num dos bairros mais pobres e problemáticos de Gypsum, Missouri, juntamente com a avó e o irmão adotivo de três anos, Chub. Tem uma vida difícil, pois a avó é uma pessoa amarga que descarrega as suas frustrações em Hailey (através de violência verbal) e que se dedica a negócios obscuros e ilegais. Chub, o irmãozinho de Hailey, que a avó adotou para obter o subsídio do Governo, tem dificuldades de aprendizagem e Hailey passa muito do seu tempo a cuidar dele.

Também na escola as coisas não são melhores, uma vez que todos a desprezam e ela nem sequer consegue travar amizade com os miúdos de “Trashtown”, outro bairro pobre da cidade.

Um dia, há um acidente na aula de Educação Física, quando uma das raparigas de “Trashtown” cai e bate com a cabeça. E é aí que Hailey descobre que tem um poder estranho que lhe permite curar. Mas a rapariga não está agradecida… pelo contrário, ela e todos os do seu bairro parecem ter medo de Hailey.

Tudo se complica mais com a chegada de Prairie, a tia que Hailey não sabia que tinha. Hailey poderá obter respostas sobre quem é e sobre a sua família, mas não será uma viagem isenta de perigos… alguém anda atrás dela e de Prairie por causa das capacidades da sua família.

“Banished” é… uma confusão em forma de livro. O enredo é complicado, mas não de forma positiva; a ação salta erraticamente de um ponto para outro, começando com o desenvolvimento incipiente da vida de Hailey em Gypsum e a apresentação de personagens que, ao que tudo indica, terão pelo menos alguma influência na história, para uma perseguição delirante de automóvel que leva Hailey e Chub para longe do mundo e personagens anteriormente desenvolvidos.

Enquanto lia “Banished”, senti-me como se tivesse a ver uma espécie de cruzamento entre um filme para a TV com atores de segunda com um enredo tão ridículo e inexplicável (ou inexplicado) como o de “The Tomorrow People” (peço desde já desculpa aos fãs da série, mas para mim aquilo é terrível). Não há fio condutor para o enredo exceto que de repente alguém aparece – a tia Prairie – e despoleta, indiretamente e por meios que nos são muito mal explicados (aparentemente a Prairie tem um namorado rico e maléfico) toda a ação subsequente. O dom de Hailey e de Prairie, e a sua origem são-nos explicados de forma confusa e que deixa mais perguntas do que respostas, por Prairie, numa sessão de info-dump tão óbvia que dá vontade de revirar os olhos.

Aparentemente os “Banished” são umas famílias da Irlanda que se espalharam pelo mundo. Têm dons, as mulheres da cura, os homens de previsão do futuro. Mas… porque deixaram a Irlanda? Quem lhes deu esses dons? Qual a sua finalidade? Não sabemos.

Uma mistura inverosímil de fantasia e ficção científica, porque claro que há um cientista qualquer que estudou o ADN da Prairie e quer os seus dons porque blah, blah, exército, “Banished” foi uma leitura confusa, com personagens bidimensionais, sem personalidade e bastante aborrecidas e sinceramente… má. Nem queria mencionar o romance parvo lá pelo meio, mas merece, porque é igualmente ridículo.

A única coisa (ou melhor, personagem) que redime um pouco este livro é Chub, um rapaz muito fofo e o único sobre o qual gostei de ler. Até o aspeto sobrenatural é confuso e aborrecido, como se a própria autora não soubesse bem como queria desenvolvê-lo.

No geral, não recomendo. A única coisa boa foi mesmo o facto de estar escrito de forma a que se lesse rapidamente.

04 dezembro 2014

Opinião: The Forever Song (Julie Kagawa)

The Forever Song de Julie Kagawa
Editora: Harlequin Teen (2014)
Formato: e-book | 287 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Ficção Científica
Sinopse (contém spoilers)

Com “The Forever Song” chegamos ao final desta trilogia e da viagem de Allison Sekemoto.

Depois do terrível acontecimento que marcou o final do livro anterior, Allie decidiu tornar-se naquilo que sempre evitou ser: um monstro. Para ela não há mais sentimentos, tentativas de conter a “Fome” ou de ser mais do que uma fera sedenta de sangue e de morte.

É neste clima que Allie, Jackal e Kanin continuam a sua busca por Sarren o vampiro louco que se dirige para Eden, o último reduto completamente humano, para lá espalhar a nova estirpe da Febre do Pulmão Vermelho. Pelo caminho, vão encontrar mais violência do que alguma vez esperavam e muitas armadilhas deixadas por Sarren.

O terceiro volume de The Blood of Eden tem mais ação, sangue, gore e violência do que os outros dois, e também bastante mais drama. Neste livro as personagens são um bocado dramáticas demais e têm umas “pity-parties” um bocado irritantes, mas considerando as circunstâncias (maluco, fim do mundo – mais do que já foi), até se percebe.

A Allie vira um bocado “Mary Sue” super perfeita neste livro, mas isso não me impediu de o devorar.

Enquanto conclusão para a trilogia, The Forever Song é um livro perfeito que ata todas as pontas soltas, mantém o leitor agarrado às páginas e ainda garante um final satisfatório, apesar dos muitos momentos de angústia.

Não há muito mais a dizer sobre este livro, exceto que, mais uma vez, Julie Kagawa me surpreendeu pela positiva relativamente à escrita fluída, viciante e “cinematográfica”. Sobre a história, não há muito a acrescentar, especialmente porque não difere muito da do segundo livro, com uma perseguição ao vilão pelas ruínas inóspitas da civilização humana.

No geral, mais uma leitura compulsiva e bem interessante. Recomendada para quem gosta de fantasia urbana, vampiros e de muitas cenas de ação.

Da mesma série:
  1. The Immortal Rules
  2. The Eternity Cure
Mais livros da autora no blogue:

27 novembro 2014

Opinião: Gata Branca (Holly Black)

Editora: Editorial Presença (2014)
Formato: Capa mole | 268 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA
Sinopse.

(A versão lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).
Tenho este livro há imenso tempo (quantas vezes já comecei uma opinião com estas palavras, I wonder) nas minhas estantes, mas só me decidi a lê-lo depois de um fim de semana bem passado com a Whitelady em que ela, por acaso, me perguntou se já o tinha lido.

Quando cheguei a casa decidi que seria a minha próxima leitura.

Cassel Sharpe vive num mundo em tudo igual ao nosso, com uma pequena diferença: no dele existem pessoas com uma “condição genética” que lhes permite lançar feitiços e maldições. Cassel vem de uma dessas famílias, que para além de ter poderes é também uma família de aldrabões e vigaristas, que estão sempre a tentar enganar este ou outro. Com a mãe (que consegue manipular emoções) na cadeia e os irmãos (que influenciam respetivamente o bem-estar físico e a sorte) a trabalharem para uma das famílias criminosas mais poderosas da cidade de Nova Jérsia, Cassel, que é o único sem poderes, não quer ter nada a ver com a família, especialmente porque o faz lembrar de quando um acontecimento trágico o separou para sempre da sua melhor amiga, Lila.

Mas o destino é engraçado. Cassel começa a sonhar com uma misteriosa gata branca e quando quase cai do telhado do seu colégio interno depois de um ataque de sonambulismo, tem mesmo de confrontar a família que não quer ver. E talvez descobrir algumas verdades acerca de si próprio.

“Gata Branca” é um livro surpreendente negro, tendo em conta o seu público-alvo. Não se foca em romances adolescentes (aliás, disso não há quase nada), mas sim em Cassel e na sua perceção cada vez mais forte de que algo está errado na sua vida.

O livro parece-se um pouco com o filme “Ocean’s Eleven”, todo ele gira em torno de vigarices perpetradas tanto pelos irmãos de Cassel como pelo próprio Cassel.

A caracterização das personagens é bastante interessante (não existe uma sequer que não seja retorcida) e a história está cheia de acontecimentos estranhos que apontam para uma conclusão definida: a autora é boa na arte de deixar pequenas pistas ao leitor para que ele se aperceba do que aí vem; adivinhei o que se passava exatamente ao mesmo tempo que o protagonista e isso criou uma boa ligação com o mesmo.

Não posso dizer muito mais sobre a história para não spoilar, mas direi que me manteve interessada durante todo o tempo. E que acabei este livro muito rapidamente.

No geral, uma boa leitura. Recomendado para quem gosta de histórias com ritmo, mistério, uma data de vigaristas que se tentam vigarizar uns aos outros, tudo isto misturado com magia. Quem sairá vencedor?

18 novembro 2014

Opinião: As Fadas de Edimburgo (Elizabeth May)

Editora: Planeta (2014)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Romance hist., Fant. urbana, Lit. Juv./YA, Ficção cient.
Sinopse: "Lady Aileana Kameron, a única filha do marquês de Douglas, estava destinada a uma vida cuidadosamente planeada em torno dos encontros sociais de Edimburgo - até ao dia em que uma fada assassina a sua mãe. Está determinada a encontrar a fada que lhe matou a mãe e, pelo caminho, vai destruindo todas aquelas que se alimentam dos humanos nas muitas ruelas escuras da cidade. O equilíbrio entre as exigências da alta sociedade e a sua guerra privada é, porém, delicado e, quando um exército de fadas ameaça destruir Edimburgo, ela tem de tomar algumas decisões. O que estará Aileana disposta a sacrificar?"
Já estou sinceramente a ficar farta de escrever opiniões más e “assim-assim”. Ok, eu adoro uma boa sessão de criticismo, especialmente quando o livro não me cativou e/ou chateou mas tudo o que é demais enjoa.

Acho que é esta uma das razões pelas quais não me tem apetecido escrever opiniões. Entre outras, claro, mas esta é importante.

As Fadas de Edimburgo, o primeiro livro de uma nova série “Young Adult” (ou juvenil), é uma mistura de romance histórico e de fantasia urbana. A protagonista, Lady Aileana Kameron é filha de um marquês e depois de uma ocorrência trágica em que a sua mãe morre às mãos de uma fada, Aileana alia-se, não sabemos bem como (nunca nos é explicado) a uma fada chamada Kiaran (um gajo bom e uma fada poderosa) para caçar, todas as noites, fadas malignas como a que matou a sua mãe. Estranhamente, no meio disto tudo, Aileana consegue fazer amizade com um duende (como são chamadas aquelas fadas tipo Sininho neste livro).

Ao mesmo tempo, Aileana tem de manter a sociedade, os seus amigos e o seu pai no escuro acerca das suas atividades.

Ai por onde começar? Talvez pelo conceito. Sim, este livro tem um bom conceito porque a) tem fadas (fae ficaria bem melhor, no entanto), b) steampunk e c) heroína kick-ass!

Mas não resultou porque… a autora falha redondamente tanto na caracterização, como no desenvolvimento do mundo.

Vejamos:
Esta Inglaterra de meados do século XIX parece ter algumas invenções e desenvolvimentos tecnológicos que não existiram realmente. Mas temos alguma razão para isto? Não, não nos é dada qualquer explicação sobre o surgimento de tudo isto. Ok, este é um livro juvenil, mas mesmo assim…

As fadas são seres que se alimentam da energia dos humanos. Mais do que isto, não se sabe. A caracterização destas personagens, tanto enquanto indivíduos como enquanto raça sobrenatural é escassa e a que há, pouco interessante. Porque é que as fadas querem sugar a energia dos humanos? Como eram vistas antigamente? Como estão organizadas? Nada disso se sabe.

Kiaran: é um verdadeiro estereótipo. Diz que não é humano mas comporta-se como tal. Não mostra assim muita emoção, mas isso não o torna diferente dos humanos, apenas um idiota. Não dá para ver como é que passou de ser completamente indiferente a "amar" a protagonista.

Aileana: apesar de ser uma heroína que dá porrada nos mauzões, não gostei particularmente dela. Para já é demasiado perfeita: bonita, rica, sabe construir coisas, etc. E claro que tinha de ser uma "escolhida" super, hiper, mega especial, uma "Falcoeira". Depois é demasiado convencida e antipática.

O romance pareceu-me ter pouco brilho e ser pouco realista. Apesar de Aileana e Kiaran terem “discussões” (nem lhes chamo debates com espírito, porque para isso seria necessário que houvesse conversa espirituosa), nunca senti nenhuma faísca entre os dois.

O enredo está mal desenvolvido, primeiro que tudo porque começamos logo a meio e certas coisas (muitas) não nos são explicadas. As relações entre as personagens já estão estabelecidas e são-nos explicadas através de flashbacks confusos. A história é bastante simplista e pouco interessante no geral.

No geral, uma leitura rápida mas menos intrigante do que previa. Gostaria que a história e as personagens tivessem sido melhor desenvolvidas e que os protagonistas não fossem tão... pouco interessantes.

22 outubro 2014

Opinião: This is Not a Test (Courtney Summers)

This is Not a Test de Courtney Summers
Editora: St. Martin's Griffin (2012)
Formato: Capa mole | 326 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juv./YA
Sinopse: "It’s the end of the world. Six students have taken cover in Cortege High but shelter is little comfort when the dead outside won’t stop pounding on the doors. One bite is all it takes to kill a person and bring them back as a monstrous version of their former self. To Sloane Price, that doesn’t sound so bad. Six months ago, her world collapsed and since then, she’s failed to find a reason to keep going. Now seems like the perfect time to give up. As Sloane eagerly waits for the barricades to fall, she’s forced to witness the apocalypse through the eyes of five people who actually want to live. But as the days crawl by, the motivations for survival change in startling ways and soon the group’s fate is determined less and less by what’s happening outside and more and more by the unpredictable and violent bids for life—and death—inside. When everything is gone, what do you hold on to?"
Disclaimer: não gosto muito de histórias com zombies...

... mas este livro não é mesmo um livro sobre zombies, por isso está tudo bem. Tem zombies, sim, mas o foco é o monólogo interior e exterior da protagonista. A Sloane é uma jovem à beira do abismo e não apenas porque o mundo acabou e está cheio de zombies.

Na verdade Sloane é uma rapariga perturbada que sofreu durante anos às mãos do pai (abusos físicos, neste caso), juntamente com a sua irmã Lily. As duas tinham um plano para escapar quando Lily atingisse a maioridade. Mas quando Lily foge sozinha e deixa Sloane sozinha a sofrer os abusos do pai, Sloane decide que já não vale a pena viver mais... mas depois o mundo acaba.

E Sloane vê-se barricada na sua escola com um grupo de adolescentes, com água e comida finitas e muita tensão. Enquanto os outros só pensam em sobreviver, Sloane imagina uma forma de ir lá fora e acabar com o sofrimento que o abuso do pai e a traição da irmã lhe infligiram.

Nas mãos de outro escritor, talvez esta narrativa tivesse tido mais... emotividade. Profundidade. Mas Sloane é tão monocórdica que não consegui criar qualquer ligação a ela, não consegui sentir que aquela pessoa tinha mesmo uma razão para ser tão egoísta na situação em que se encontra.

O mundo acabou e Sloane teima em sentir-se mal com algo que pertence ao passado. Gostei disso, de certa forma. Mesmo na adversidade, o ser humano agarra-se àquilo que mais diretamente o afeta e incomoda e Sloane tem certamente razões para o seu humor suicida. Mas... novamente o tom seco e pouco emotivo da personagem não permite a ligação do leitor. Muito bem; Sloane tem certamente uma depressão e isso pode traduzir-se em períodos de pouca emotividade em que a pessoa está simplesmente cansada de tudo; mas nem o monólogo interior da personagem me interessou.

Ao mesmo tempo, a história exterior a esta personagem, os zombies, os companheiros de Sloane na escola, foi apenas medianamente interessante (previsivelmente não há grande desenvolvimento desta vertente). Até o romance me pareceu irrealista.

No geral, uma leitura com alguns pontos interessantes e que poderia ter sido um livro espetacular, se a personagem principal me tivesse conseguido cativar. Recomendado com reservas.

19 outubro 2014

Opinião: Loveless vols. 1 e 2 (Yun Kouga)

Loveless (vols. 1 e 2) de Yun Kouga
Editora: Viz Media (2012)
Formato: Capa mole | 376 páginas
Géneros: Fantasia, lit, juvenil, manga
Sinopse: "When his beloved older brother is brutally murdered, Ritsuka is heartbroken but determined to search for answers. His only lead is Soubi, a mysterious, handsome college student who offers him an intimate link to his brother’s other life: a dark and vibrant world of spell battles and secret names. Will Ritsuka’s relationship with Soubi ultimately lead to the truth or further down the rabbit hole than he imagined possible?"
"Loveless" é um manga da autoria de Yun Kouga e uma mistura inebriante de vários géneros. Apesar da pouca idade do seu protagonista, aventurar-me-ia a dizer que "Loveless" será apreciado por um público mais velho (a partir dos 15 anos), devido às suas temáticas mais adultas como a dor da perda, a solidão e o abuso.

Ritsuka é um jovem de 12 anos, com um passado trágico. Para além de ter desenvolvido uma persistente amnésia durante os últimos dois anos da sua vida, o seu irmão mais velho, Seimei (com 17 anos), foi recentemente assassinado de forma brutal e a sua família está a desmoronar-se: a mãe está à beira da loucura e exige que "o velho Ritsuka" volte, e o pai prefere sair de casa e refugiar-se no trabalho a ajudar o filho e a protegê-lo dos abusos físicos e psicológicos de uma mãe perturbada.

A história começa quando Ritsuka entra numa nova escola, depois de um incidente na sua escola antiga. Aí vai conhecer uma jovem alegre e determinada, a Yuiko, que insiste em ser sua amiga.

Mas é também aí que conhece Soubi, um estudante universitário que diz ser amigo de Seimei e que professa "amar" Ritsuka.

Esta declaração não é tão alarmante como parece (tendo em conta a disparidade de idades entre Ritsuka e Soubi). Soubi mostra a Ritsuka o mundo oculto em que Seimei se movia. Um mundo em que se travam batalhas ferozes e onde as palavras têm poder. Um mundo onde duplas de guerreiro e sacrifício são um só; e Soubi era o "guerreiro" de Seimei, cujo nome de código era "Beloved" (amado). E as ordens de Seimei foram que, no evento da sua morte, Soubi procurasse Ritsuka e o protegesse (e amasse).

A temática da importância do amor (não apenas romântico, claro) assume um papel fulcral em "Loveless", sendo que os dois irmãos Seimei e Ritsuka, têm denominações opostas. Enquanto Seimei era "Beloved" e a sua relação com Soubi e com todas as outras pessoas pressupunha que era amado, Ritsuka é "Loveless" (sem amor) o que torna a sua relação com Soubi, com a gentil professora da escola e com Yukio estranha e algo novo com que Ritsuka tem dificuldade em lidar. A declaração de Soubi (que tem de "amar", porque é parte do duo "Beloved" e porque Seimei lhe ordenou que amasse Ritsuka), abre novas portas a Ritsuka, que começa a abrir-se para a possibilidade de ser amado e de que as pessoas possam gostar dele.

Ao mesmo tempo, temos elegantes batalhas de palavras que, admito, são bastante menos glamorosas do que magia e efeitos especiais, mas que me agradaram imenso. Neste mundo as palavras magoam. Literalmente.

Nestes dois primeiros volumes, a autora atira-nos um pouco ao acaso para o mundo da "Septimal Moon", uma organização envolta em sombras que parece treinar pessoas para estas batalhas de palavras e magia derivada das mesmas (feitiços). Não nos são dados muitos pormenores e ficamos tão confusos como Ritsuka, que é atirado para o meio das batalhas sem pré-aviso ou explicação. Esta é a parte mais fraca do manga, até agora.

Outra coisa estranha: neste mundo, todas as pessoas nascem com orelhas e caudas, que caem quando se tornam "adultos". Apesar de nunca nos ser dito com exatidão o que significa ser "adulto", é subentendido que isso acontece quando se perde a virgindade. Não consegui, até agora, perceber a relevância desta parte da história, mas provavelmente a autora gosta de desenhar pessoas com orelhas. Eh.

No geral, "Loveless" é um manga complexo e bastante lírico, à sua maneira. Penso que o componente da magia e da fantasia está bem conseguido (se bem que mal explicado) e que se adequa às próprias carências do protagonista, que sofre bastante com as palavras cortantes e cruéis da mãe e com as indiferentes do pai. O tema de "Loveless" é bastante claro: o abuso e o estrago que os seres humanos conseguem trazer uns aos outros com palavras e ações. As personagens representam não só indivíduos como ideias; como o amor, a perda ou a falta de amor. A relação entre os protagonistas é algo estranha, talvez, mas creio não ultrapassar as fronteiras do que é aceitável, em termos culturais (e legais!). Ainda assim diria que este manga não é para todos.

14 setembro 2014

Opinião: Breathless (Brigid Kemmerer)

Breathless de Brigid Kemmerer
Editora: Kesington Teen (2013)
Formato: e-book | 65 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juv./YA, Conto
Sinopse.

Tenho andado a ler a série "Elemental" aos poucos, ao contrário do que faço com outras séries, porque eu e o primeiro livro não nos demos assim muito bem. Não gostei particularmente dele. 

Mas o segundo e "Breathless", esta short-story ou "novella" centram-se nas personagens de que mais gostei no primeiro livro, os gémeos Merrick, Gabriel e Nick.

Se Gabriel é volátil, tem um fuso curto e se parece bastante com o seu elemento (o fogo), Nick é exatamente o contrário: calmo, ponderado e sempre pronto a ajudar os outros. É um apoio para todos, especialmente para a namorada, Quinn, que tem imensos problemas em casa.

Esta pequena história ou conto, desfaz um pouco a imagem que os leitores têm de Nick; mostram as suas dúvidas, medos e inseguranças e como tem imensas questões interiores por resolver. 

Nick é uma personagem mais reservada e nos livros 1 e 2 está lá para acalmar a situação e ajudar os irmãos. Mas esse papel pode ser muito solitário e neste conto dedicado ao segundo dos irmãos Merrick, vemos que Nick pode ser, provavelmente, o Merrick com mais bagagem e com mais "peso interior", porque para além do facto de ser um elemental e de ser perseguido (juntamente com a sua família), para além de não ter pais devido também aos seus poderes (e dos irmãos), tem de se preocupar com o bem-estar psicológico dos irmãos.

E isso, tira-lhe tempo para si. Nick sente-se culpado por, por vezes, querer fugir a tudo. Sente-se culpado por se julgar diferente dos irmãos, por no fundo não sentir nada de romântico para com Quinn. Nick devota-se aos irmãos e tenta enterrar os seus próprios problemas, o que o torna uma personagem fascinante e complexa.

No geral, uma ótima leitura. Estou muito interessada em ler o livro dedicado apenas a Nick (cada irmão tem um) e para ver como vai enfrentar os seus medos. 

25 julho 2014

Opinião: Sanctum (Sarah Fine)

Sanctum de Sarah Fine
Editora: Amazon Children's Publishing (2012)
Formato: Capa mole | 448 páginas
Géneros: Romance paranormal, Fantasia Urbana, Lit. Juv/YA
Sinopse.

O primeiro comentário que me saiu mal acabei de ler o livro (não em voz alta, mas foi o que escrevi aqui primeiro) foi "é desta que desisto do YA". Não porque este livro tenha sido horroroso, mas porque até tinha um conceito giro, mas a autora estragou tudo... com o insta-love (a.k.a. amor instantâneo).

Lela Santos, a nossa protagonista é uma jovem que teve uma vida complicada. Órfã desde cedo, andou a entrar e a sair de casas de acolhimento durante muito tempo e sofreu às mãos de um dos seus pais de acolhimento, Rick. Como consequência, decidiu que não valia a pena viver mais no tormento em que se encontrava e decidiu tirar a sua própria vida. Apesar de ter sido salva no último segundo, Lela ainda teve uma visão do local para onde são mandadas as pessoas que cometem suicídio; e as Portas do Suicídio passaram a ser um motivo frequente dos seus pesadelos.

Depois de ter dado uma sova no seu padrasto abusador, Lela é mandada para um centro de delinquentes e depois para uma nova casa de acolhimento. Aqui vai começar uma nova vida e conhecer Nádia, a rapariga mais popular da escola, que inesperadamente, se torna sua amiga. Mas a vida de Nádia está longe de ser perfeita e quando ela se suicida, Lela fará tudo para garantir que a amiga não é enviada para o lugar sombrio que invade os seus piores sonhos.

E é isto. Pareceu-me sinceramente que seria um bom livro, um bocado mais "dark" do que o normal para a literatura YA, mas isso para mim é um bónus. E até começou bem: a Lela tinha espírito e parecia que o "mundo sobrenatural" apresentado no livro seria baseado nas conceções de Céu e de Inferno de muitas religiões, particularmente da Cristã. Esperava que a autora desenvolvesse este aspeto; era, aliás, o ponto que me deixava mais entusiasmada relativamente a este livro.

Mas depressa descarrilou. A Lela conhece um gajo todo bom chamado Malachi e BAM! Insta-love. E em vez de desenvolver o mundo a autora passa a focar-se na relação destas duas personagens que, claro, se sentem incrivelmente atraídas uma pela outra e blah, blah, é amor.

Para ser sincera, Malachi é um protagonista estereotipado, sim, mas mais simpático do que muitos dos protagonistas que povoam a fantasia urbana juvenil. 

Mas, enfim, irrita-me ver um bom enredo e uma personagem que parecia forte minados pelo insta-love irritante por um gajo todo bom e torturado. A partir desse momento a história passou a ser bastante mais aborrecida para mim; a Lela farta-se de pensar em como o Malachi é bom, o Malachi sofre em silêncio por amor, aparecem umas criaturas estranhas que vêm de outra dimensão e que acabam por estragar um bocado o imaginário que estava à espera de encontrar neste livro. De qualquer forma, a obra redime-se um pouco no final, mas não o suficiente para me tentar a ler mais.

No geral um livro que poderia ter sido muito melhor. A autora teve a oportunidade de escrever sobre assuntos sérios e desafiantes, mas decidiu que o insta-love era mais importante e para se centrar nisso, desistiu de um desenvolvimento mais aprofundado do mundo e das personagens. Desapontante.

13 abril 2014

Opinião: Half Bad - Entre o Bem e o Mal (Sally Green)

Half Bad by Sally Green
Editora: Editorial Presença (2014)
Formato: Capa mole | 320 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA
Sinopse.

(A edição lida está em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Half Bad... "Entre o Bem e o Mal" ou, como eu lhe chamo, "O clone do Harry Potter sem qualquer tipo de desenvolvimento e genérico como tudo", é mais um daqueles livros super, hiper, mega antecipados, que até saiu aqui no mesmo dia em que saiu em inglês e tudo o mais. Basicamente é um daqueles livros com a incrível máquina publicitária de uma grande editora por trás e eu sou a idiota que comprou uma cópia na esperança de que se destacasse realmente, que fosse realmente original e interessante e diferente. Já mencionei original?

Pois, bem, se não gostam de tiradas irritadas, não leiam o resto. Eu estou um bocado irritada com este livro.

Primeiro, os pontos positivos: a escrita é razoavelmente boa. Falta-lhe sentimento, as frases são demasiado curtas mas é competente e prende o leitor. O protagonista não é demasiado irritante. E... é isto.

O protagonista chama-se Nathan e é um bruxo. Ele é filho de um Bruxo Negro e de uma Bruxa Branca e isso faz com que seja olhado com desconfiança pelos Bruxos Brancos (ser Bruxo Negro é, aparentemente, ilegal ou algo do género). Basicamente o Nathan é um maltratado por toda a gente porque tipo, ele é totalmente filho de um Bruxo Negro (atenção isto parece ser uma coisa genética). E?, perguntam vocês. Não faço ideia, respondo eu. Aparentemente é muito mau ser um Bruxo Negro, mas não se sabe bem porquê. Especialmente porque, como disse, parece ser uma coisa de nascença.

Então temos o protagonista super especial que é maltratado (woe). Temos bruxos. Já começam a ver as semelhanças? Eu faço uma lista:
1. Bruxos/Feiticeiros
2. Protagonista especial devido a circunstâncias relacionadas com nascimento/infância
2.5. Protagonista é parente/está relacionado com o vilão mais temido da história
3. Instâncias de bullying, incluindo por um membro da família
4. Os bruxos têm uma designação para as pessoas sem poderes (Não estou a gozar)
5. Bruxos "Negros" são olhados com desconfiança
6. Pureza do sangue tem valor
7. Há um órgão governativo para os Bruxos (o Conselho).
8. Há uma elite de Bruxos que caçam Bruxos Negros.
9. É preciso mais?

Como se isto não bastasse, a autora prescindiu completamente do seu mundo. Quem é que precisa de construir fundações, explicar conceitos ou até fazer com que as personagens usem magia, quando se pode simplesmente lançar o leitor no meio da confusão e esperar que se amanhem? Enfim.

As personagens são numerosas, nada memoráveis e nem com o protagonista consegui criar uma ligação. Dava ideia que a autora estava a tentar que tivéssemos ou pena dele ou que o achássemos rebelde, mas, epá, dizer asneiras não é propriamente rebeldia. :P

O livro tem umas 370 páginas mas muito pouco enredo. Os acontecimentos são vagos, meros esboços, a autora não conseguiu tornar nenhuma cena (ou personagem) digna de nota. O que temos em grande quantidade são cenas mais ou menos violentas, que me parecem estar lá mais para o shock value do que para outra coisa.

Quanto a magia... muito pouca. O sistema quase não é explicado e há muitas coisas que são confusas.

No geral, um livro que sinceramente, não me cativou. Tanto a história, como as personagens e o mundo têm pouco brilho e estão mal desenvolvidos. É como se este livro fosse apenas um molde onde se podem fazer livros sobrenaturais juvenis de sucesso.

Detalhes da versão original:
Título: Half-Bad
Série: The Half-Bad Trilogy
Ano:  2014

12 fevereiro 2014

Opinião: Angelfall (Susan Ee)

Angelfall by Susan Ee
Editora: Amazon Children's Publishing (2012)
Formato: Capa Mole | 283 páginas
Género: Fantasia Urbana, Ficção pós-apocalíptica, Lit. Juvenil
Sinopse.

AVISO: Contém SPOILERS (nada de grave)
Vou fazer parte da minoria, tanto de leitores internacionais, como de alguns nacionais e dizer francamente: não achei este livro nada de especial.

Talvez tivesse expetativas demasiado altas. Talvez seja uma pessoa demasiado picuinhas que vê sempre algo de errado em tudo. Mas não consegui sentir a magia, a ligação e o entusiasmo de centenas de outros leitores que deixaram aqui a sua opinião.

Por isso, eis o que achei (numerado, para ser mais fácil).

1. O enredo: Angelfall é uma história apocalíptica, o que é bastante óbvio pelo título: "Queda de anjos". Acompanha a jornada de Penryn, uma jovem de dezassete anos que vive numa sociedade recentemente (há seis semanas, no livro) destruída pelo Apocalipse. Com A grande. Com anjos a voarem dos céus e a destruírem a Humanidade. Penryn tem uma irmã de sete anos que é paraplégica e uma mãe esquizofrénica. Quando a irmã, Paige, é raptada por anjos, Penryn tem de formar uma aliança desconfortável com o anjo Raffe, que parece ter inimigos entre os da sua espécie.

Tenho de admitir que tinha alguma curiosidade sobre a forma como a autora ia explorar um Apocalipse com implicações religiosas. Mas a minha curiosidade não foi satisfeita porque este livro não refere nada, nadinha mesmo, sobre isso... apenas que chegaram uns anjos e BAM, destruíram tudo e são mesmo maus.

Tudo o que acontece é uma espécie de demanda onde a Penryn convence um anjo chamado Raffe a dizer-lhe onde fica o (a?) aerie, o covil dos anjos em São Francisco para que ela possa ir salvar a irmã. A dinâmica entre estas duas personagens poderia ter sido interessante se houvesse realmente antagonismo entre ambas; mas apesar de eles trocarem bitaites nunca há realmente "faíscas" (de serem inimigos) e tensão entre eles. Isto deve-se provavelmente à narrativa e à escrita: o livro está na primeira pessoa do presente indicativo, o que significa que apenas temos o lado da Penryn. E a escrita, apesar de competente, não consegue transmitir adequadamente os sentimentos dos personagens.

Algumas das cenas do livro são bastante "foleiras", como o facto de se dizer que ah e tal os anjos não são humanos, mas o que fazem os anjos mal se "instalam" na Terra? Vão curtir, meus! Abrem um "clube"/bar e andam por lá a cirandar, com roupas dos anos 20 e mulheres meio despidas no braço. Yeah, baby.

E que raio vem a ser toda aquela história com as experiências em humanos. Não faz sentido nenhum.

2. Mundo: muito mal desenvolvido. A sociedade humana basicamente ruiu em 6 semanas e a autora dá muito pouco contexto sobre como tal aconteceu. Penryn não fala sobre o que se passou, não temos qualquer ideia sobre o que os anjos estão ali a fazer, o que despoletou o Apocalipse, etc. Basicamente, a construção do mundo é incipiente.

3. Personagens: admito, a Penryn é uma protagonista bastante decente. Sabe cuidar de si e não se derrete toda por causa do protagonista masculino. Mas também não é uma personagem propriamente memorável. A sua voz narrativa é algo monocórdica e cinzenta e mesmo os sentimentos que professa (pela irmã, mãe e pelo Raffe) parecem distantes.

O Raffe é um estereotipo andante, se bem que ganha pontos por não ser creepy como a maioria dos protagonistas... não observa a heroína a dormir, não a persegue, etc. E é... agnóstico. Tal como, aparentemente o são muitos outros anjos, o que não impediu que fizessem o que lhes mandou o anjo manda-chuva que supostamente recebe ordens de Deus... que eles não têm a certeza se existe... erm.

4. Personagens secundárias: A Paige quase não aparece e a mãe da Penryn é provavelmente a pessoa mais interessante da história.

No geral... foi uma leitura mediana. Nada mais. Infelizmente este livro não me conseguiu cativar. :/

Lido para a Temporada Ficção Pós-apocalíptica:

Publicação em destaque

Opinião: Sistemas em Estado Crítico (Martha Wells)

Sistemas em Estado Crítico de Martha Wells Editora : Relógio de Água (2024)   Formato : Capa mole | 120 páginas   Géneros : Fição científic...