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06 junho 2015

Opinião: Erebos (Ursula Poznanski)

Editora: Editorial Presença (2015)
Formato: Capa mole | 379 páginas
Géneros: Ficção científica, Lit. Juvenil, Mistério

Parece que o blogue agora é semanal, com uma opinião nova a cada sábado. Sinceramente não sei quanto tempo será assim, mas chego a casa tarde e sem vontade para abrir o computador depois de 8 horas à frente de um. Enfim, estou numa daquelas fases em que não me apetece muito andar a escrever aqui. Se será permanente, não sei. Ainda gosto de ler, gosto de ir ao Goodreads, mas as opiniões teimam em não querer ser escritas.

Depois desta breve reflexão, que pouco tem a ver com o livro sobre o qual vou escrever, centremo-nos então em "Erebos".

A verdade é que não há grande coisa a dizer. Foi uma leitura rápida, agradável e medianamente interessante, mas não tem profundidade suficiente para ser mais do que isso.

Numa escola de Londres circula um jogo clandestino: Erebos. Os participantes são secretivos e muito, muito viciados.

Nick Dunmore quer saber o que se passa. Quer entrar nesse clube exclusivo e descobrir todos os seus segredos até porque um dos seus amigos ficou enredado e falta à escola, aos treinos de basquetebol e é mal educado quando falam com ele.

Mas conseguirá Nick entrar no mundo de Erebos sem ficar enredado? Conseguirá descobrir o segredo do seu sucesso?

E... a resposta é não à primeira pergunta, que foi o mais irritante do livro. Nick Dunmore começa como uma personagem bastante ajuizada, mas no fundo, assim que tem acesso ao jogo online, fica igualzinho aos outros. Tudo bem que acontecesse, durante algum tempo; mas não é, infelizmente, a inteligência de Nick que o salva, mas sim o facto de ser, a certa altura, expulso do jogo.

"Erebos" foi, como disse, uma leitura medianamente interessante. Um jogo RPG incrivelmente realista corre uma escola de Londres, rodeado de segredo. O mais interessante é que o jogo parece ter influência na vida real, conseguir saltar para fora das fronteiras do computador. Cedo, o nosso personagem principal, Nick, é "convidado" a jogar (mas mantendo segredo do facto dos "não-jogadores") e vê-se sugado para um mundo de fantasia onde tem de lutar para ganhar experiência. Mas não é tudo. A misteriosa personagem do Mensageiro (uma espécie de Mestre do Jogo) dá aos jogadores "missões especiais" que lhes permitem avançar de nível mais rapidamente. Essas missões têm lugar no mundo real e o jogo só "deixa" os jogadores regressarem se completarem as missões.

O livro retrata a cultura dos jogos online e o vício pelos mesmos. A autora cria bastante bem a atmosfera do jogo, mas falha, na minha opinião, em criar algo que parecesse realisticamente interessante para jovens adolescentes, ao ponto de se esquecerem de dormir e de comer, e de ir à escola para jogar.

A identidade do Mensageiro (ou a sua natureza, direi antes) é bastante óbvia, embora também bastante irrealista. Para dizer a verdade, este livro fez-me lembrar o anime Sword Art Online, o que até nem é uma coisa má; mas mostra que a ideia não é propriamente original.

O desfecho foi tão inesperado quanto apressado e, mais uma vez, irrealista (especialmente porque não nos foi dada qualquer pista no sentido daquele final).

No geral, uma leitura interessante quanto baste, mas nada de especial. Um livro direcionado para um público jovem-adulto que teria beneficiado de mais algum desenvolvimento, uma vez que o conceito não é mau de todo.

31 março 2015

Opinião: Firefight (Brandon Sanderson)

Editora: Delacorte Press (2015)
Formato: e-book | 304 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Aviso: Alguns SPOILERS para o primeiro livro

Firefight, o segundo livro da série Reckoners retoma a ação alguns meses depois da derrota de Steelheart, o tirano que controlava Newcago. 

Sem Steelheart presente, os humanos começam lentamente a tomar o controlo da cidade e estabelece-se um governo. Ao mesmo tempo, os Reckoners, dos quais David faz agora parte, protegem a cidade contra os Épicos que aparecem, decididos a tomar o lugar de Steelheart. 

Contudo, depressa se torna evidente que uma outra Épica de grandes poderes, Regalia, a governante da antiga cidade de Manhattan, está a atrair os Reckoners para a sua cidade. O que quererá Regalia?

Babylon Restored, o novo nome de Manhattan é uma cidade estranha, onde a água tomou conta da maioria do terreno, onde cresce fruta luminescente e onde os graffitis espalhados pelos telhados dos edifícios mais altos (os únicos que não se encontram debaixo de água) dão luz a uma cidade sem eletricidade.

Os Reckoners de Newcago encontram-se com a célula de Babylon Restored e investigam a situação na cidade, uma vez que Regalia parece ter-se fartado do seu reino relativamente benevolente e quer destruir a cidade.

Este segundo livro foi tão agitado e repleto de ação quanto o primeiro. Os nossos heróis não descansam por um momento, enquanto investigam o que se passa na cidade. Segredos, desconfiança e traições minam os Reckoners e, especialmente, a relação entre o Prof e David.

Megan aparece também neste livro, sempre em conflito consigo mesma mas, cada vez mais, interessada em ajudar David.

Foi mais uma leitura rápida, viciante e intrigante. Sanderson desenvolve muito mais as personagens neste segundo livro, especialmente Megan e o Prof. A trama está bem escrita e leva o leitor a tentar perceber o que se passa com as pistas que lhe são deixadas, mas não me parece que sejam claras o suficiente e o desfecho do enredo acaba por ser um bocado aleatório (ou seja, não parecia ser o caminho que a história estava a levar).

Neste volume, sabemos também mais acerca das origens dos poderes dos Épicos, acerca da sua relação com Calamity e acerca das fraquezas de cada Épico e a razão pela qual são, por vezes, tão estranhas.

No geral, continuo a achar que as "lições" e as "mensagens" destes livros são pouco subtis e complexos, mas mesmo assim diverti-me imenso com mais esta leitura. 


Da mesma série:
  1. Steelheart

Outras obras do autor no blogue:

28 março 2015

Opinião: Steelheart (Brandon Sanderson)

Editora: Orion Books (2013)
Formato: Capa mole | 386 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juvenil

Steelheart é mais um dos muitos livros de Brandon Sanderson que cá vieram parar a casa depois de eu ter lido a trilogia Mistborn ("Nascida das Brumas", em Portugal).

Ao contrário da maioria dos livros do autor, Steelheart não é fantasia clássica e/ou épica; é fantasia urbana misturada com um pouco de ficção científica.

Num futuro próximo, um evento denominado "Calamidade", teve consequências... desastrosas. Várias pessoas sofreram mutações e começaram a ganhar poderes que pura e simplesmente desafiam todas as leis naturais. Mas estes indivíduos, os chamados "Épicos", não são o que se poderia chamar heróis; de facto, todos eles mostram uma propensão para a maldade e a megalomania.

Dez anos depois da Calamidade, os Estados Unidos estão em ruínas. A maioria dos seres humanos vive em condições miseráveis e é dominada pelos Épicos.

O nosso protagonista, David, vive na cidade dominada de Chicago (agora, "Newcago"), onde um Épico com poderes impressionantes, que se chama a si próprio "Steelheart" (Coração de aço), reina com um punho de ferro (eh!).

Criado nas ruas subterrâneas e de aço da cidade, David tem apenas uma coisa em mente: vingança contra o aparentemente invencível Steelheart, o Épico que matou o seu pai. E o grupo que o pode ajudar a conseguir essa vingança, os Reckoners, está em Newcago. 

Como não podia deixar de ser, uma vez que se trata de um livro de Sanderson, gostei desta leitura. Foi uma leitura compulsiva, porque o autor mantém sempre um ritmo acelerado, com muitas cenas de ação que nos deixam colados ao livro.

Não achei que o autor tenha explorado a sua mitologia tão a fundo neste livro como o faz nos seus livros de fantasia épica (o que, como devem calcular, foi um pouco frustrante), mas creio que talvez isto se deva ao facto de se tratar de uma série planeada para ser mais longa... ou talvez não, não sei. Mas aprendemos muito pouco sobre a Calamidade e sobre os Épicos neste livro, que é muito focado na ação imediata de eliminar Steelheart.

O que mais me chamou a atenção neste livro foi o número de coisas que parecem ilógicas... se há coisa que este autor preza é uma mitologia bem construída, mas neste livro ele faz questão de frisar que tanto os poderes como as "kryptonites" dos Épicos fazem pouco sentido. Pelo que estou em pulgas para saber como é que eles têm estes poderes tão estranhos.

Sanderson explora neste livro (na série) o conceito do "poder corrompe", de uma forma bastante literal, mas interessante. Confesso que acho a sua abordagem pouco subtil, mas não foi por isso que gostei menos da leitura.

O mundo é aquilo a que muitos autores já nos habituaram em distopias pós-apocalípticas, com os governos totalitários, a tecnologia mais avançada mas por pouco e mesmo assim sujeita a falhas e, sobretudo, um mundo destruído devido à ânsia de poder de alguns indivíduos.

As personagens são interessantes (ou seja, dá gosto ler sobre elas, tê-las como protagonistas), mas não foram particularmente desenvolvidas neste primeiro livro.

No geral, uma leitura bastante agradável. Como sempre, a imaginação do autor merece parabéns. No entanto, considero que este Steelheart fica um pouco aquém de outras obras do autor. Talvez seja pela localização mais familiar ou pela exploração simplista de um conceito que daria pano para mangas, mas pareceu-me que o autor foi um pouco preguiçoso. Mas isto poderá dever-se ao facto de este livro se destinar a um público mais jovem (juvenil/young adult); ou talvez o autor esteja a planear um maior desenvolvimento nos livros seguintes.


Mais livros do autor no blogue:

05 dezembro 2014

Opinião: Inside Out (Maria V. Snyder)

Editora: Mira Ink (2011)
Formato: Capa mole | 315 páginas
Géneros: Ficção Científica, Distopia

“Inside Out” de Maria V. Snyder é o meu primeiro “contacto” com a autora após vários anos e depois de ler dois dos três livros da trilogia “Poison”. Nunca cheguei a ler o terceiro, porque na altura várias pessoas cuja opinião respeito bastante ficaram muito desiludidas com esse livro, o que me fez perder a vontade de ler livros da autora durante bastante tempo.

Mas tinha lá este e como estava toda lançada nas distopias, decidi ler.

A sociedade de Trella está dividida não apenas em níveis, mas também em classes. A classe “trabalhadora” (scrubs) vive nos dois níveis mais baixos, em camaratas e com cantinas, com pouca privacidade e muito poucas esperanças de uma vida melhor. A classe mais beneficiada (os uppers) vive nos dois níveis superiores e tem mais conforto, trabalhos mais especializados e o controlo do governo. Trella é uma scrub, cujo trabalho é limpar as ventilações e canos desta sociedade subterrânea; como consequência ela consegue ir a todo o lado.

É por isso chamada de “Rainha da canalização” e é por isso que quando o seu amigo Cogan lhe pede que ajude um homem a recuperar discos escondidos que revelam a localização do lendário “Exterior”, Trella vai ver-se envolvida numa revolução da qual nunca quis fazer parte.

Foi uma leitura algo… genérica. O mundo, as personagens e a progressão da história são bastante normais e pouco surpreendentes neste tipo de género. Para falar a verdade, o final foi bastante surpreendente e fui apanhada de surpresa, mas de resto… a sociedade desigual, a corrupção de um propósito há muito definido e perdido nas brumas do tempo e uma história mítica que serve de motivação para um grupo de rebeldes… tudo isto me pareceu bastante trivial.

Também não gostei grandemente das personagens, que me pareceram estar mal desenvolvidas e ter pouca personalidade. O romance pareceu-me irrealista e inverosímil. E sim, sei que estou a ser redundante, mas é que não senti mesmo qualquer ligação entre as personagens.

No geral, uma leitura bastante mediana. Não foi má, mas também não foi propriamente original e sinceramente, para além do final, nada do que aconteceu me puxou assim muito para a história. Certamente que há um certo paralelismo com a “luta de classes” do século XX, mas isso é uma correlação que pode ser encontrada em muitas distopias. Nada de especial, mas o final vale bastante porque lá está, foi a única parte surpreendente do livro.

04 dezembro 2014

Opinião: The Forever Song (Julie Kagawa)

The Forever Song de Julie Kagawa
Editora: Harlequin Teen (2014)
Formato: e-book | 287 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Ficção Científica
Sinopse (contém spoilers)

Com “The Forever Song” chegamos ao final desta trilogia e da viagem de Allison Sekemoto.

Depois do terrível acontecimento que marcou o final do livro anterior, Allie decidiu tornar-se naquilo que sempre evitou ser: um monstro. Para ela não há mais sentimentos, tentativas de conter a “Fome” ou de ser mais do que uma fera sedenta de sangue e de morte.

É neste clima que Allie, Jackal e Kanin continuam a sua busca por Sarren o vampiro louco que se dirige para Eden, o último reduto completamente humano, para lá espalhar a nova estirpe da Febre do Pulmão Vermelho. Pelo caminho, vão encontrar mais violência do que alguma vez esperavam e muitas armadilhas deixadas por Sarren.

O terceiro volume de The Blood of Eden tem mais ação, sangue, gore e violência do que os outros dois, e também bastante mais drama. Neste livro as personagens são um bocado dramáticas demais e têm umas “pity-parties” um bocado irritantes, mas considerando as circunstâncias (maluco, fim do mundo – mais do que já foi), até se percebe.

A Allie vira um bocado “Mary Sue” super perfeita neste livro, mas isso não me impediu de o devorar.

Enquanto conclusão para a trilogia, The Forever Song é um livro perfeito que ata todas as pontas soltas, mantém o leitor agarrado às páginas e ainda garante um final satisfatório, apesar dos muitos momentos de angústia.

Não há muito mais a dizer sobre este livro, exceto que, mais uma vez, Julie Kagawa me surpreendeu pela positiva relativamente à escrita fluída, viciante e “cinematográfica”. Sobre a história, não há muito a acrescentar, especialmente porque não difere muito da do segundo livro, com uma perseguição ao vilão pelas ruínas inóspitas da civilização humana.

No geral, mais uma leitura compulsiva e bem interessante. Recomendada para quem gosta de fantasia urbana, vampiros e de muitas cenas de ação.

Da mesma série:
  1. The Immortal Rules
  2. The Eternity Cure
Mais livros da autora no blogue:

02 dezembro 2014

Opinião: The Eternity Cure (Julie Kagawa)

The Eternity Cure de Julie Kagawa
Editora: Mira Ink (2013)
Formato: Capa mole | 434 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Ficção Científica
Sinopse

AVISO: alguns spoilers para o primeiro livro
“The Eternity Cure” foca-se novamente Allison Sekemoto, uma jovem vampira que sobrevive num mundo distópico e muito duro.

Depois de deixar o seu grupo de amigos humanos na lendária cidade de Eden (uma cidade não controlada por vampiros), Allie parte em busca do seu criador, Kanin, que foi raptado pelo vampiro louco Sarren. Através do seu laço de sangue, Allie segue a pista de Kanin, mas acaba por encontrar Jackal, outro dos descendentes de Kanin.

Apesar de não confiar em Jackal que é, acima de tudo, um vampiro com “V” grande (que não se importa minimamente com os seres humanos), Allie tem de unir forças com o seu irmão de sangue porque o vampiro que vão enfrentar pode ser louco mas também é forte.

A sua busca leva-os a New Convington, a antiga cidade onde Allie viveu quando era humana. Aqui, Jackal, Allie e Zeke, o amigo humano de Allie, vão descobrir que Sarren tem planos horripilantes para o mundo, que incluem uma nova estirpe da Febre do Pulmão Vermelho.

Este segundo livro foi um pouco menos interessante do que o primeiro, mas mesmo assim revelou-se uma leitura compulsiva.

Allie continua a lutar contra a sua natureza vampírica, especialmente porque o seu caminho atual é bastante perigoso e ela fica ferida algumas vezes, precisando de se alimentar para se curar. A “Fome” é um elemento sempre presente.

A ação continua a ser uma parte predominante da história, com Allie, Jackal e Zeke a combaterem os rábidos, os homem-toupeira (os canibais que vivem nos subterrâneos de New Convington) e mesmo os afetados pela nova estirpe da Febre do Pulmão Vermelho. Há também uma componente romântica entre Allie e Zeke, que é dificultada pelas suas naturezas opostas: Zeke é um humano e Allie uma vampira.

Basicamente, tal como o primeiro livro, este tem tudo o que se pode querer para uma leitura compulsiva e muito interessante. Temos já mais algumas informações sobre as pesquisas levadas a cabo antes de tudo dar para o torto (na cura da Febre do Pulmão Vermelho), mas isso não empata o ritmo frenético e aditivo da narrativa.

No geral, uma ótima leitura. Tem as doses certas de ação, romance, mistério e também personagens carismáticas e interessantes. Que mais se pode querer?


Da mesma série:
  1. The Immortal Rules
Mais livros da autora no blogue:

01 dezembro 2014

Opinião: For Darkness Shows the Stars (Diana Peterfreund)

Editora: Balzer + Bray (2012)
Formato: Capa dura | 407 páginas
Géneros: Ficção científica, Lit. Juvenil/YA
Sinopse.

For Darkness Shows the Stars é um “retelling” ou adaptação (mais ou menos) de Persuasão, uma das obras de Jane Austen.

Apesar do esqueleto de For Darkness Shows the Stars ser semelhante ao de Persuasão (ou seja, dois apaixonados que planeiam fugir, mas cuja fuga acaba por não se concretizar porque a rapariga decide não ir à última da hora. E toda a desarmonia que daí advém quando os dois protagonistas se encontram anos mais tarde), a autora, Diana Peterfreund acrescenta toda uma nova dimensão, decorrente do seu mundo pós-apocalíptico e das diversas ideologias que o moldam.

Elliott North faz parte de uma classe de nobres, os “Luditas” (Luddites, no original), que desde que o mundo foi destruído devido a avanços científicos na área da genética, reinam sobre uma hoste de “Reduzidos” (no original Reduced), homens e mulheres portadores de deficiência mental, devido a mudanças no ADN dos seus antepassados.

Os Luditas defendem um estilo de vida simples, sem tecnologia (que tanto mal causou), de volta às origens. Por isso instituíram um sistema de classes, em que eles são os nobres, os superiores, uma vez que os seus antepassados se opunham à modificação genética (segundo nos é dado a perceber, eram de facto uma seita religiosa) e assim não foram modificados e escaparam ao flagelo da “redução” (ou seja não tiveram filhos Reduzidos). Como classe superior, os Luditas acreditam que a sua missão é cuidar do planeta e dos Reduzidos (o que fazem, obrigando estes últimos a trabalhar nas suas terras) e proibir o uso de tecnologia (exceto a que lhes dê vantagens, como tratores e outras máquinas parecidas).

Mas depois de gerações de Reduzidos gerarem mais Reduzidos, começa a notar-se uma mudança: algumas das crianças já não exibem sinais de redução, são em tudo… normais. Kai é uma dessas crianças. Ele e Elliott vão desenvolver uma relação primeiro de amizade e depois de amor. Mas quando Kai quer abandonar a propriedade dos North juntamente com Elliott ela resiste; porque apenas ela se importa com as pessoas que vivem na sua propriedade.

Como quem já leu “Persuasão” provavelmente já adivinhou, Kai volta alguns anos mais tarde, capitão de um navio exploratório cujo objetivo é explorar o mundo (agora novamente desconhecido). Ele e o conjunto de “Posts” (pós-redução) que compõem o seu grupo são ricos e heróis para todos os Posts que continuam presos às terras dos Luditas. Eles alugam um estaleiro na terra dos North, que estão a precisar de dinheiro.
Kai está muito zangado com Elliott por o ter abandonado quatro anos antes. Mas, ao contrário de que acontece em Persuasão, a recusa de Elliott não se dá apenas devido a uma indecisão mas sim porque, sendo Ludita, Elliott acredita nos valores religiosos dos mesmos (apesar de ter uma mente mais aberta) e sabe que tem de cuidar dos que vivem nas terras dos North.

For Darkness Shows the Stars apresenta-nos a história romântica de Persuasão, mas adiciona-lhe uma batalha interior da parte de Elliott relativamente àquilo em que acredita e se os valores em que baseou a sua vida estarão realmente corretos. Não quero com isto dizer que este livro é melhor do que o “Persuasão”. Apenas que, no fundo, apesar dos aspetos comuns, é um livro que se consegue distinguir da sua obra de inspiração.

Achei Elliott uma personagem fantástica. Não é perfeita e sabe-o. É algo intolerante mas bondosa (como a maioria dos seres humanos no planeta, suponho) e luta para ser o melhor possível. Está aberta a novas ideias (pelo menos mais para o final do livro), o que é ótimo. Cresce enquanto personagem.

Kai é… bem, foi a personagem que me desapontou mais. É irritante e chega a ser mau. Para além disso não é nem de perto nem de longe tão intenso como o Capitão Wentworth da obra original.

No geral, um livro bastante bem escrito e interessante. Adorei o mundo criado pela autora, a doutrina religiosa que rege este mundo e sobretudo a forma como introduziu o velho e contínuo debate sobre até onde devemos ir com o nosso progresso científico e se as razões que damos para o mesmo (melhorar a vida das pessoas, por exemplo) justificam tudo. As personagens também me cativaram, especialmente a Elliott. O Kai teve algumas atitudes parvas mas não desgostei dele, no geral. Também achei muito interessante a forma como a autora desenvolve a relação entre a Elliott e o Kai através das cartas que escrevem um ao outro ao longo dos anos.

23 novembro 2014

Opinião: These Broken Stars (Kaufman, Spooner)

Editora: Disney Hyperion (2013)
Formato: Capa dura | 374 páginas
Géneros: Romance, Ficção científica
Sinopse.

These Broken Stars é o resultado do esforço conjunto das autoras Meagan Spooner e Amie Kaufman e é o primeiro livro de uma trilogia passada no futuro e direcionada a um público juvenil.

Neste livro conhecemos Lilac LaRoux, a filha do homem mais rico e importante da galáxia e o major Tarver Merendsen, um soldado condecorado que veio de origens humildes. Nunca se pensaria que o destino destas duas pessoas se viesse a cruzar, mas quando a nave espacial de lazer Icarus se despenha num planeta misterioso, Lilac e Tarver vão ter de pôr de lado a sua animosidade um pelo outro se querem sobreviver.

A primeira coisa que me veio à cabeça quando comecei a ler este livro foi o filme “Titanic” com o Leonardo DiCaprio e a Kate Winslet. A história principal de These Broken Stars, o romance entre estas duas personagens, parece mais ou menos tirada a papel químico do filme de 1997. No “universo” do livro, está novamente instituído um sistema de classes extremamente vincado; e a Icarus é uma nave de “recreio”, como se fosse um luxuoso transatlântico onde os mais ricos embarcam para se divertir e onde muitas pessoas de classe média e baixa fazem as suas viagens pela galáxia.

Lilac é uma jovem acostumada ao privilégio e à riqueza, mas tal como Rose em Titanic, também ela conhece o lado obscuro de ser uma “menina de sociedade”. Aparentemente, também aqui a Humanidade regrediu – ou deixou de progredir – porque é suposto as mulheres serem coqueluches vápidas; por exemplo, é-nos dito que o pai de Lilac não gostaria que a sua filha aprendesse engenharia e mecânica, e como consertar sistemas de naves ou mesmo que conhecesse os fundamentos teóricos das viagens pelo hiperespaço, porque… não eram “ocupações para uma mulher”. Sinceramente, sociedade ficcional ou não, isto entristeceu-me. Quero dizer, quando pudermos viajar pelas estrelas espero que já sejamos esclarecidos o suficiente para não fazermos este tipo de distinções idiotas.

Tarver é o “self-made man”. Como Jack é um rapaz bondoso, com algumas ambições. E, claro, nunca tentaria falar com Lilac porque tipo, são de classes tão diferentes.

Até que a nave Icarus se despenha num planeta parcialmente “terra formado” e os dois protagonistas parecem ser os únicos sobreviventes. Forçados a conviver, vão perceber que as opiniões e preconceitos que tinham acerca um do outro estão errados.

These Broken Stars é, primeiro que tudo, um romance. Tal como já apontei anteriormente, este romance tem semelhanças incríveis com o filme Titanic, exceto que o filme é um bocado mais “amor à primeira vista” ou “insta-love”. Neste livro as autoras não se coíbem de desenvolver realmente o romance e apesar de haver alguma atração, as personagens não acham que estão completamente apaixonadas logo nas primeiras dez páginas. O que é de louvar.

Mas, apesar de o livro ser um romance, não significa que romance seja tudo o que podemos esperar dele. A luta de Lilac e Tarver pela sobrevivência não é descrita apenas em termos que nos permitem discernir a sua aproximação um pelo outro; existe algo mais, vozes misteriosas, o mistério de um planeta que estava a ser colonizado mas que foi, por motivos desconhecidos, abandonado.

Este enredo tem quase tanto protagonismo quanto o romance e mantém os leitores investidos na narrativa. Devo dizer que o desfecho desta parte da história me pareceu um bocado irrealista demais, mas enfim… foi interessante o suficiente.

No geral, These Broken Stars foi uma leitura agradável. Sinceramente, com as ótimas críticas estava à espera de mais, tanto ao nível do romance como do resto da história, mas foi um livro que li com gosto, ainda mais porque se tenta afastar de tantos dos clichés que povoam a literatura juvenil: o protagonista não é um homem das cavernas, a protagonista tem mais de dois neurónios na cabeça e não os perde “por amor” e o desenvolvimento das personagens é consistente e realista (dentro dos possíveis). A parte da “ficção científica” merecia uma exploração mais cuidada, mas alas, não se pode ter tudo.

18 novembro 2014

Opinião: As Fadas de Edimburgo (Elizabeth May)

Editora: Planeta (2014)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Romance hist., Fant. urbana, Lit. Juv./YA, Ficção cient.
Sinopse: "Lady Aileana Kameron, a única filha do marquês de Douglas, estava destinada a uma vida cuidadosamente planeada em torno dos encontros sociais de Edimburgo - até ao dia em que uma fada assassina a sua mãe. Está determinada a encontrar a fada que lhe matou a mãe e, pelo caminho, vai destruindo todas aquelas que se alimentam dos humanos nas muitas ruelas escuras da cidade. O equilíbrio entre as exigências da alta sociedade e a sua guerra privada é, porém, delicado e, quando um exército de fadas ameaça destruir Edimburgo, ela tem de tomar algumas decisões. O que estará Aileana disposta a sacrificar?"
Já estou sinceramente a ficar farta de escrever opiniões más e “assim-assim”. Ok, eu adoro uma boa sessão de criticismo, especialmente quando o livro não me cativou e/ou chateou mas tudo o que é demais enjoa.

Acho que é esta uma das razões pelas quais não me tem apetecido escrever opiniões. Entre outras, claro, mas esta é importante.

As Fadas de Edimburgo, o primeiro livro de uma nova série “Young Adult” (ou juvenil), é uma mistura de romance histórico e de fantasia urbana. A protagonista, Lady Aileana Kameron é filha de um marquês e depois de uma ocorrência trágica em que a sua mãe morre às mãos de uma fada, Aileana alia-se, não sabemos bem como (nunca nos é explicado) a uma fada chamada Kiaran (um gajo bom e uma fada poderosa) para caçar, todas as noites, fadas malignas como a que matou a sua mãe. Estranhamente, no meio disto tudo, Aileana consegue fazer amizade com um duende (como são chamadas aquelas fadas tipo Sininho neste livro).

Ao mesmo tempo, Aileana tem de manter a sociedade, os seus amigos e o seu pai no escuro acerca das suas atividades.

Ai por onde começar? Talvez pelo conceito. Sim, este livro tem um bom conceito porque a) tem fadas (fae ficaria bem melhor, no entanto), b) steampunk e c) heroína kick-ass!

Mas não resultou porque… a autora falha redondamente tanto na caracterização, como no desenvolvimento do mundo.

Vejamos:
Esta Inglaterra de meados do século XIX parece ter algumas invenções e desenvolvimentos tecnológicos que não existiram realmente. Mas temos alguma razão para isto? Não, não nos é dada qualquer explicação sobre o surgimento de tudo isto. Ok, este é um livro juvenil, mas mesmo assim…

As fadas são seres que se alimentam da energia dos humanos. Mais do que isto, não se sabe. A caracterização destas personagens, tanto enquanto indivíduos como enquanto raça sobrenatural é escassa e a que há, pouco interessante. Porque é que as fadas querem sugar a energia dos humanos? Como eram vistas antigamente? Como estão organizadas? Nada disso se sabe.

Kiaran: é um verdadeiro estereótipo. Diz que não é humano mas comporta-se como tal. Não mostra assim muita emoção, mas isso não o torna diferente dos humanos, apenas um idiota. Não dá para ver como é que passou de ser completamente indiferente a "amar" a protagonista.

Aileana: apesar de ser uma heroína que dá porrada nos mauzões, não gostei particularmente dela. Para já é demasiado perfeita: bonita, rica, sabe construir coisas, etc. E claro que tinha de ser uma "escolhida" super, hiper, mega especial, uma "Falcoeira". Depois é demasiado convencida e antipática.

O romance pareceu-me ter pouco brilho e ser pouco realista. Apesar de Aileana e Kiaran terem “discussões” (nem lhes chamo debates com espírito, porque para isso seria necessário que houvesse conversa espirituosa), nunca senti nenhuma faísca entre os dois.

O enredo está mal desenvolvido, primeiro que tudo porque começamos logo a meio e certas coisas (muitas) não nos são explicadas. As relações entre as personagens já estão estabelecidas e são-nos explicadas através de flashbacks confusos. A história é bastante simplista e pouco interessante no geral.

No geral, uma leitura rápida mas menos intrigante do que previa. Gostaria que a história e as personagens tivessem sido melhor desenvolvidas e que os protagonistas não fossem tão... pouco interessantes.

28 outubro 2014

Opinião: Partials (Dan Wells)

Partials de Dan Wells
Editora: HarperCollins (2012)
Formato: Capa mole | 470 páginas
Géneros: Ficção científica, Lit. Juv./YA
Sinopse: "The only hope for humanity isn’t human.
In a world where people have been all but wiped out by a virus created by part-human cyborgs called ‘Partials’, and where no baby survives longer than three days, a teenage girl makes it her mission to find a cure, and save her best friend’s unborn child.
But finding a cure means capturing a Partial…"
Partials é mais um livro pós-apocalíptico, com uma heroína quase perfeita, um romance que é quase um triângulo amoroso e um enredo onde Nada É O Que Parece.

A Humanidade está nas últimas. Há onze anos, uma raça de super guerreiros criados geneticamente denominada “Partials” (Parciais), libertou um vírus mortal (o RM) que decimou uma grande percentagem da população humana. Os sobreviventes americanos (presumo) reuniram-se em Long Island, perto de Nova Iorque e iniciaram a difícil tarefa de sobreviver num mundo quase completamente destruído. Neste novo mundo, não há eletricidade, divertimentos e a tecnologia destina-se apenas aos serviços mais importantes (como o hospital).

Os sobreviventes são imunes ao vírus RM. Têm-no na corrente sanguínea mas não têm sintomas. Contudo, todas as crianças que nascem contraem o vírus e morrem ao fim de três dias. A raça humana não tem um nascimento há 11 longos anos e procura desesperadamente uma cura, ao mesmo tempo que impõe medidas de reforço à natalidade (como obrigar as mulheres a engravidarem o mais possível e cada vez mais novas), de forma a verem se nascem bebés imunes.

A nossa heroína, Kira, tem 15 anos e está a “estagiar” na maternidade. Farta de ver bebés morrer e ao saber que uma amiga de infância está grávida, decide que a única hipótese de conseguir uma cura é capturar… um Partial (aka guerreiro com mais força, rapidez, reflexos e sentidos mais apurados do que o ser humano normal).

Toda esta história nos é contada por fases e com um grau de pormenor que, sinceramente, achei desnecessário. Há uma primeira parte em que se fala imenso na Kira, na cidade dela, nos amigos, na política, etc. Ok, é bom que se estabeleça o mundo, mas foi “estabelecimento” a mais.

Depois, a captura e estudo do Partial. Foi interessante mas um pouco sensaborona. 

Por fim, a parte em que Kira descobre que é a mais especial de todas. Revirei imenso os olhos nessa parte. Mesmo antes da Grande Revelação ela já era quase uma geneticista e virologista melhor do que muitos profissionais com anos de experiência. Era preciso acrescentar mais?

No geral, uma leitura satisfatória. Gostei, mas não adorei. Acho que a ideia do autor é boa, mas que podia ter sido explorada de outra forma, com mais ação e não se arrastando tanto nalgumas partes. Estou curiosa acerca de algumas partes do livro (a empresa de genética ParaGen e os seus objetivos), mas não tenho pressa em ler mais.

22 outubro 2014

Opinião: This is Not a Test (Courtney Summers)

This is Not a Test de Courtney Summers
Editora: St. Martin's Griffin (2012)
Formato: Capa mole | 326 páginas
Géneros: Fantasia urbana, Ficção científica, Lit. Juv./YA
Sinopse: "It’s the end of the world. Six students have taken cover in Cortege High but shelter is little comfort when the dead outside won’t stop pounding on the doors. One bite is all it takes to kill a person and bring them back as a monstrous version of their former self. To Sloane Price, that doesn’t sound so bad. Six months ago, her world collapsed and since then, she’s failed to find a reason to keep going. Now seems like the perfect time to give up. As Sloane eagerly waits for the barricades to fall, she’s forced to witness the apocalypse through the eyes of five people who actually want to live. But as the days crawl by, the motivations for survival change in startling ways and soon the group’s fate is determined less and less by what’s happening outside and more and more by the unpredictable and violent bids for life—and death—inside. When everything is gone, what do you hold on to?"
Disclaimer: não gosto muito de histórias com zombies...

... mas este livro não é mesmo um livro sobre zombies, por isso está tudo bem. Tem zombies, sim, mas o foco é o monólogo interior e exterior da protagonista. A Sloane é uma jovem à beira do abismo e não apenas porque o mundo acabou e está cheio de zombies.

Na verdade Sloane é uma rapariga perturbada que sofreu durante anos às mãos do pai (abusos físicos, neste caso), juntamente com a sua irmã Lily. As duas tinham um plano para escapar quando Lily atingisse a maioridade. Mas quando Lily foge sozinha e deixa Sloane sozinha a sofrer os abusos do pai, Sloane decide que já não vale a pena viver mais... mas depois o mundo acaba.

E Sloane vê-se barricada na sua escola com um grupo de adolescentes, com água e comida finitas e muita tensão. Enquanto os outros só pensam em sobreviver, Sloane imagina uma forma de ir lá fora e acabar com o sofrimento que o abuso do pai e a traição da irmã lhe infligiram.

Nas mãos de outro escritor, talvez esta narrativa tivesse tido mais... emotividade. Profundidade. Mas Sloane é tão monocórdica que não consegui criar qualquer ligação a ela, não consegui sentir que aquela pessoa tinha mesmo uma razão para ser tão egoísta na situação em que se encontra.

O mundo acabou e Sloane teima em sentir-se mal com algo que pertence ao passado. Gostei disso, de certa forma. Mesmo na adversidade, o ser humano agarra-se àquilo que mais diretamente o afeta e incomoda e Sloane tem certamente razões para o seu humor suicida. Mas... novamente o tom seco e pouco emotivo da personagem não permite a ligação do leitor. Muito bem; Sloane tem certamente uma depressão e isso pode traduzir-se em períodos de pouca emotividade em que a pessoa está simplesmente cansada de tudo; mas nem o monólogo interior da personagem me interessou.

Ao mesmo tempo, a história exterior a esta personagem, os zombies, os companheiros de Sloane na escola, foi apenas medianamente interessante (previsivelmente não há grande desenvolvimento desta vertente). Até o romance me pareceu irrealista.

No geral, uma leitura com alguns pontos interessantes e que poderia ter sido um livro espetacular, se a personagem principal me tivesse conseguido cativar. Recomendado com reservas.

24 agosto 2014

Opinião: Earth Girl (Janet Edwards)

Earth Girl de Janet Edwards
Editora: Harper Voyager (2012)
Formato: Capa mole | 358 páginas
Géneros: Ficção científica, Lit Juv./YA
Sinopse.

"Earth Girl" é o primeiro livro de uma trilogia juvenil passada num futuro distante e foi um daqueles livros em que as primeiras páginas me fizeram pensar que talvez fosse pouco mais do que mais uma "pseudo" ficção científica que é na realidade um romance juvenil condenado e woe. Felizmente enganei-me profundamente.

Este livro chamou-me primeiro a atenção quando o blogue Book Smugglers escreveu uma opinião quase totalmente positiva acerca do livro. Quando tive oportunidade, comprei-o e decidi-me finalmente a lê-lo.

"Earth Girl" é um livro com diversas camadas, o que é provavelmente apropriado uma vez que um dos temas sobre o qual versa é exatamente a arqueologia.

Século XXVIII. A Humanidade espalhou-se por múltiplos setores do espaço graças à invenção de portais que podem levar as pessoas a qualquer lado (pensem em... Stargate). Ou melhor, quase todas as pessoas. Uma pequena percentagem da população (cerca de 0,01%) é geneticamente incapaz de sobreviver noutros planetas e é "recambiada" para a Terra onde terá de passar o resto dos seus dias.

Jarra, a nossa protagonista, é uma dessas pessoas. Abandonada pelos pais à nascença, vive na Terra há 18 anos com outros jovens com o mesmo problema.

A Terra não é, claro, o local mais glamoroso para viver. É considerado um local antigo e perigoso (tem grandes alterações de clima, animais perigosos e tempestades solares frequentes!) por quem vive em planetas cuidadosamente escolhidos para serem perfeitos para o desenvolvimento de sociedades humanas. Por isso, grande parte do planeta foi abandonado e reclamado pela natureza. Apenas os que são incapazes de viver noutro lado lá vivem.

Quando li a sinopse deste livro, pensei sinceramente que Jarra, a protagonista, iria descobrir poderes mirabolantes e iria mostrar a todos os outros humanos que era espetacular. E sim, ela fê-lo, mas não com poderes mágicos...

Bem, com isto tudo, o que quero dizer é que a sinopse não me preparou de todo para o livro. Na verdade este não começa muito bem: Jarra, que é alvo de discriminação pelo facto de não conseguir sair da Terra (não direta, claro, mas os "macacos" como são chamados os 0,01% são gozados na comunicação social e geralmente desprezados) decide "vingar-se" inscrevendo-se num curso de "pré-história" (tudo o que vem antes da invenção dos portais) numa universidade fora da Terra (algo que nunca ninguém fez antes) para poder mostrar aos seus futuros colegas (todos pessoas "normais", como ela lhes chama) que é tão boa como eles. Para isso ela cria uma história fictícia sobre como é filha de militares e tudo o mais e lá vai ela para a universidade.

Foi este início que me deixou nervosa e um bocado aborrecida. Pensei que ela se iria apaixonar por um colega e que ia haver muita angústia juvenil. Mas não. 

Na verdade este livro é fascinante porque a autora desenvolve realisticamente o seu mundo através da especialização do curso de Jarra. Ficamos a saber que a após a invenção dos portais, houve um êxodo para outros planetas e que muita da informação e saber se perdeu; e que é por isso que a escavação de cidades na Terra é tão importante. Na verdade muito do livro debruça-se sobre isso, sendo mais um livro de aventuras do que outra coisa. Ficamos também a saber mais sobre como os diferentes setores habitados evoluíram com valores morais e culturais diferentes, que por vezes chocam.

Para além das fascinantes descrições do processo de escavações arqueológicas no século XXVIII (que são bastante perigosas, e geram muita da ação do livro), a autora conseguiu também misturar com mestria um romance subtil (que não tem um protagonismo desmesurado) e o crescimento dos protagonistas, especialmente no que diz respeito à questão da discriminação que é aqui tratada com tacto mas que poderia ter sido um bocado mais desenvolvida. 

Também achei que Jarra era demasiado perfeita, mas de resto gostei bastante da leitura.

Com ação, escavações arqueológicas no seio de Nova Iorque, cheias de perigo, algum romance e ficção científica light, Janet Edwards consegue apresentar-nos uma história envolvente que toca também nalguns assuntos mais sérios como a discriminação, os preconceitos, a perda e as diferenças culturais. Gostaria que a autora se tivesse focado um pouco mais nestes aspetos, mas mesmo assim, "Earth Girl" foi, no geral, uma leitura bastante satisfatória, que foge a muitos clichés da literatura juvenil.    

08 agosto 2014

Curtas: Divergente e Insurgente

A famosa trilogia de Veronica Roth é bem conhecida em Portugal. E, depois de ver o primeiro filme, fiquei com vontade de reler o livro, cuja primeira leitura fiz em 2011, se não estou em erro e continuar a leitura com Insurgente e depois Convergente. Devido ao facto de Convergente não me estar a cativar tanto quanto os livros anteriores, pus o livro de lado por agora, mas li os dois primeiros volumes. Eis algumas impressões gerais (e mais ou menos curtas).

(Os livros foram lidos na versão original, mas são apresentados os dados bibliográficos das versões portuguesas.)

Editora: Porto Editora (2012)
Formato: Capa Mole | 352 páginas
Géneros: Ficção cientifica, Distopia, Lit. Juv./YA

Opinião: Quando li este livro pela primeira vez, achei-lhe bastante piada, por assim dizer. Achei que era um início sólido para uma trilogia distópica passada no futuro que tinha como alvo o público juvenil: tinha adolescentes carismáticos, alguns gadgets futuristas não muito complicados, uma estória cativante e um ritmo regular, sem tempos mortos.

Quando me preparei para o ler pela segunda vez, tive algum receio de não gostar tanto desta segunda leitura. Mas não precisei de me preocupar: esta segunda leitura foi tão compulsiva e agradável como a primeira. Os aspetos que me cativaram da primeira vez (os listados acima), cativaram-me novamente e li este livro num dia. 

E é este o maior feito de Roth: a sua escrita viciante e a sua soberba noção de ritmo. Contudo, notei, talvez mais desta vez, que a premissa seria um pouco irrealista: pensar que os seres humanos pudessem comportar-se apenas segundo um valor parecia-me pedir demais de uma raça de seres que ainda possui demasiadas partes primitivas no cérebro. Por exemplo, para se fazer parte da fação dos Abegnados, seria necessária uma força interior quase sobre-humana... quer dizer, seres humanos sem um pingo de egoísmo? Qualquer população guiada apenas pelo altruísmo puro acabaria, eventualmente, por se autodestruir. 

No entanto, a autora introduziu também, de uma forma bastante incipiente, o debate "natureza versus educação" ao elaborar o improvável sistema de fações. 

Por isso, creio que, apesar da premissa algo irrealista, Divergente é um livro que se ergue acima de muitas distopias juvenis que para aí andam. No geral, uma boa leitura.


Editora: Porto Editora (2013)
Formato: Capa Mole | 376 páginas
Géneros: Ficção cientifica, Distopia, Lit. Juv./YA

AVISO: Pequenos Spoilers
Opinião: Este segundo volume tem início onde o primeiro termina: Tris, Four e os amigos fogem no comboio para a sede dos Cordiais, onde esperam encontrar abrigo, pois são perseguidos pelos Eruditos.

Tris teve uma jornada dura em que fez coisas que nunca se imaginava a fazer e neste segundo livro, isso é notório. É um livro com menos ação, com mais introspeção e definitivamente com mais desenvolvimento das personagens, especialmente Tris e Four. Estes dois personagens começam a conhecer-se melhor, em circunstâncias diferentes e surgem os primeiros conflitos. Devido à sua dor, Tris toma decisões menos corretas.

Achei que a autora desenvolveu as suas personagens de forma muito humana. Depois das suas ações no primeiro livro e tendo em conta a sua idade, Tris reagiu mais ou menos como imaginava que reagisse. Ao mesmo tempo continua a confiar nos seus instintos, o que a ajudará a levantar mais um pouco o véu que esconde o objetivo, o propósito de toda a sua sociedade.

A escrita e o ritmo (se bem que mais lento) contribuíram novamente para que esta leitura fosse novamente compulsiva, viciante e interessante. No geral, mais uma ótima leitura (lol).

22 janeiro 2014

Opinião: Ultraviolet (R.J. Anderson)

Ultraviolet de R.J. Anderson
Editora: Orchard (2011)
Formato: Capa Mole | 416 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Ficção Científica, Lit. YA/Juvenil
Sinopse.

AVISO: SPOILERS (muito pequenos).
Ultraviolet é um livro um bocado estranho, porque aparenta não saber bem o que "quer ser": se fantasia urbana, se ficção científica.

Depois de ler inúmeras críticas positivas a este livro, comprei-o (as críticas são a origem de muitas compras por impulso) e mais recentemente decidi-me finalmente a lê-lo, talvez porque achasse que necessitava de algo diferente e a protagonista deste livro, a Alison vive de uma forma realista o seu "poder" sobrenatural.

O livro abre com Alison a ser internada numa instituição psiquiátrica, depois de uma estadia num hospital onde esteve por ter tido um esgotamento nervoso, causado por ter morto uma colega de escola.

Alison sempre se considerou algo estranha porque as suas perceções sensoriais são diferentes das das outras pessoas: Alison vê sons e sentimentos, associa cores e personalidades a letras e com cheiros. Os seus sentidos formam associações diferentes e muitas vezes mais completas do que as das outras pessoas. É por isso que, quando Alison suspeita que causou a morte de Tori, a sua colega e rival, começa a pensar que realmente é louca e que deve estar internada... devido aos seus "poderes".

Apesar do início algo lento, Ultraviolet é uma leitura envolvente. Nunca tinha ouvido falar na Sinestesia antes e foi fascinante não só aprender sobre a mesma enquanto forma de linguagem e de expressão (utilizada principalmente na literatura), mas também ler sobre como a autora, R.J. Anderson, reformulou o conceito de forma a fazer com que a Sinestesia se tratasse, neste caso, de uma "condição" que faz com que as perceções sensoriais das pessoas que dela sofrem sejam diferentes.

O livro não tem propriamente a ação formulaica da maioria dos livros de fantasia urbana (seres sobrenaturais aparecem, heroína descobre que tem poderes, romance, etc, vira o disco e toca o mesmo); a maioria do enredo tem lugar em Pine Hills, uma instituição psiquiátrica para onde Alison é mandada para ser avaliada psicologicamente. Muitas páginas (a maioria, mesmo), são gastas a descrever os sentidos de Alison, as suas tentativas de racionalização relativamente ao que aconteceu com Tori, as suas lutas interiores e sua raiva contra a família, que a abandonou numa instituição.

Muitas páginas são gastas também na descrição da Sinestesia de Alison e à medida que esta compreende melhor a sua "condição", também o leitor sente o seu entendimento da mesma aumentar. 

Gostei bastante desta leitura. O mistério da morte de Tori, que segundo Alison, "se desintegrou" é um chamariz obviamente, mas não se torna o ponto fulcral do livro, o que para mim não foi mau de todo, pois estava a gostar bastante de saber mais sobre como a Alison vê e sente o mundo.

No entanto, a três quartos do livro, a história sofre uma reviravolta à qual não posso dar outro nome se não... mirabolante. Imprevisível, mas não no bom sentido de "nunca teria adivinhado mas faz sentido"; antes no sentido de "de onde é que a autora tirou isto?". Porque até três quartos do livro temos uma história de ritmo moderado, uma espécie de thriller psicológico com laivos subtis de elementos sobrenaturais... e de repente temos extraterrestres, portais galáticos à la Stargate e chips e experiências. 

Sem o leitor perceber bem como, quase no final do livro, a autora muda completamente a direção da história. E foi disto que não gostei, porque não há nenhum prelúdio, nenhum "foreshadowing" que dê sentido ao "twist" que vira este livro para a ficção científica. Num momento temos a Alison a explorar a forma como vê o mundo; e noutro ela vai atrás do seu psiquiatra misterioso (sim, temos um herói misterioso, mas isso ainda é o menos) e acaba por descobrir que existe um outro mundo, noutra ponta do Universo, onde seres que provavelmente têm antepassados em comum com os humanos estão a fazer experiências numa rutura no espaço-tempo que liga o planeta deles à Terra. A única ligação a esta surpreendente descoberta é a "morte" por desintegração da Tori, que, lembrem-se, esteve em segundo plano até ao momento.

Uma vez que esta reviravolta ocorre tão tarde no livro, a conclusão é apressada e pouco satisfatória. O ritmo torna-se frenético, a ação intensifica-se e a magia anterior da narrativa desfaz-se. 

Foi isto que me fez classificar o livro com três estrelas.

No geral, uma boa leitura, mas infelizmente não gostei muito da direção escolhida pela autora. A história transformou-se de forma abrupta e pouco realista. No entanto devo dizer que o livro é bastante interessante e merece uma leitura.

03 janeiro 2014

Opinião: Pretty Guardian Sailor Moon, vols. 8-12 (Naoko Takeuchi)

Editora: Kodansha Comics (2012 e 2013)
Formato: Capa mole
Género: Fantasia, Romance,  Ficção Científica, Lit. Juvenil/YA

Aviso: SPOILERS!!
E acabou. Acabei o manga das Navegantes da Lua e deixem-me dizer-vos... que viagem! O manga tem muito mais desenvolvimento emocional do que o anime, é mais focado nos sentimentos de cada personagem e cada uma delas passa por muito para crescer.

No volume 8 assistimos ao final do "arc" dos Death Busters (Infinity no manga). A Hotaru é agora a Mistress 9, um inimigo. A navegante da Lua decide combater o Pharaoh 90 sozinha porque tudo parece perdido e as Navegantes não podem fazer nada. Depois aparece a navegante de Saturno que para salvar o mundo tem de o destruir. 
Este volume é especialmente emocional porque acontecem tantas, tantas coisas às navegantes e ao mascarado, especialmente no final quando se sentem impotentes perante a eminente destruição do mundo. Vemos o afeto do Mamoru pela Usagi bastante bem.

Felizmente o poder inesgotável do Cristal Prateado (e é importante notar que a autora frisa que este cristal é especial e que não se deve tudo à super-especialidade maravilhosa da Usagi) salva o dia e tudo volta ao normal. O último capítulo inicia o "arc" seguinte, o do Death Moon Circus (Dream no manga), que sinceramente, sempre foi o que gostei menos. No anime sempre me pareceu que esta temporada era muito confusa e depois da excelente Sailor Moon S, uma desilusão.

Mas os volumes 8, 9 e 10 fazem um ótimo trabalho a unir as pontas do que, no anime, é um enredo fragmentado. As motivações do inimigo e as suas origens são explicadas de forma coerente e interessante e ficamos a perceber quem é realmente a Nehelenia (basicamente o oposto dos habitantes do Milénio Prateado). Também aparecem personagens que terão mais tarde um papel importante (falo do Quarteto das Amazonas) e que no anime são muito secundárias. 

Basicamente, gostei do facto de este "arc" no manga estar intrinsecamente ligado às personagens principais, ao reino da lua e a navegantes do passado e do futuro. Tem algumas semelhanças com o "arc" original, mas é interessante e fornece "backstory" para o único planeta que parece não ter poderes significativos: a Terra. Para falar verdade penso que este "arc" complementa o primeiro, o do Dark Kingdom (a rainha Beryl), pois ficamos a saber mais sobre os vários poderes que atuam no Sistema Solar. As navegantes têm, como sempre, conflitos emocionais com que lidar e ganham novos poderes.

O último "arc" é o das Stars. Neste "arc" a ameaça da Shadow Galaxia apodera-se da Via Láctea e as navegantes descobrem que não estão sozinhas: cada planeta tem um guardião (navegante) e todas as formas de vida têm "Sementes de estrela". As navegantes terão de lutar para preservar o Caldeirão primordial que é a origem de toda a vida na galáxia.

Fiquei um bocado de pé atrás com este "arc" porque apesar da autora nos explicar muito sobre as navegantes planetárias, nunca sabemos muito sobre a inimiga principal, a Galaxia. A sua história é contada de forma resumida, mas parece-me que haveria muito mais a dizer. Da mesma forma, o Caos tem um papel demasiado pequeno e a maioria das navegantes vai "desaparecendo" ao longo dos últimos volumes pelo que não há muito sobre elas.

A navegante da lua é a personagem que redime um pouco este "arc"... não a sua persona do presente, que tem a atitude correta que lhe conhecemos mas a sua incarnação do futuro distante, porque admite fraqueza, imperfeição e mesmo... cobardia. Também gostei do papel mais ativo da princesa Kaguya e dos guardiões das navegantes (Luna, Artemis, Diana, os corvos da navegante de Marte, etc).

No geral, adorei. Tenho sempre medo de ler os livros depois de ver os filmes, mas neste caso não faz mal porque o anime e o manga são tão diferentes um do outro. No manga tudo se passa mais rápido, sim, mas a história está mais bem encadeada e as personagens crescem muito mais, para além de serem mais humanas e interessantes. Além de que não há aquela separação entre as navegantes principais e a Neptuno, Urano, Plutão e Saturno; é notório que gostam umas das outras e são amigas. E não posso deixar de referir as magníficas ilustrações a cores e a qualidade da arte na maioria dos volumes. Recomendado!

Outras opiniões sobre a série:

09 agosto 2013

Review: Mila 2.0 (Debra Driza)

Mila 2.0 by Debra Driza
Publisher: Katherine Tegen Books (2013)
Format: e-book | 480 pages
Genre(s): Young Adult, Science Fiction
Description (GR): "Mila was living with her mother in a small Minnesota town when she discovered she was also living a lie.
She was never meant to learn the truth about her identity. She was never supposed to remember the past—that she was built in a computer science lab and programmed to do things real people would never do.
Now she has no choice but to run—from the dangerous operatives who want her terminated because she knows too much, and from a mysterious group that wants to capture her alive and unlock her advanced technology.
Evading her enemies won't help Mila escape the cruel reality of what she is and cope with everything she has had to leave behind. However, what she's becoming is beyond anyone's imagination, including her own, and that just might save her life.
A compulsively readable sci-fi thriller, Mila 2.0 is Debra Driza's bold debut and the first book in an action-filled, Bourne Identity–style trilogy."
I've been meaning to write a review for this book for a while now, but sometime in the last few months I understood I had some conflicted feelings about Mila 2.0.

I didn't know what to expect of this book, although many of my friends at Goodreads did like it. The concept seemed interesting and very cinematographic in a way. But I was curious to know how the author would translate it to a book.

Overall, it was a nice read, but not developed enough for my taste (though I understand why it isn't... word count restrictions and the fact that it is a series probably).

I did like the general concept. It was interesting while not particularly original, because we've all seen movies/TV series where the android is lifelike and thinks it is a human (I can think of the movie AI, of the TV series Caprica and of Battlestar Galactica, for example). However, I've never read a book about it. I was curious to see how the author would tackle the nuances of an android that sophisticated (that it would think it was human) and the moral implications (and the human feelings on the matter) of the android's sense of self.

I think Ms Driza did a good job exploring this part. Taking into account this is a YA book and as such I didn't expect it to be very focused on Mila's inner ramblings, quiet despair or philosophical search for humanity, I thought the author still managed to portray that struggle. Mila has to fight to remain "human", she clings to her emotions and she questions the morality of her actions (which makes her, in essence, human). She also has as doubts when she uses her "android capabilities". This, to me, was the best part of the book. Mila still has her "search for humanity", but the whole book isn't about it... which is good.

However (there's always a but, unfortunately): I did think the other elements of the story (the ones that are, I suppose, designed to appeal to a younger audience) were too common in these types of books (YA Sci-fi). The world building was too run-of-mill; there was nothing distinctive about Mila's origins or purpose. I also thought the "imagery" was pretty standard (giant tube to stash/fix the robots, etc).
The whole love story felt phony and a little flat (I still think Hunter is fishy, but I guess I'll have to read book 2 to find out). This aspect was attenuated by Lucas, one of the most awesomest (I am aware this isn't a word, by the way) members of a love triangle... ever (it even made me like love triangles... but only in this book).
The villain was a bit too much of the "mustache twirling", mwahahah-ing type (pretty stereotypical, I mean) for my taste.

Overall, Mila 2.0 was an interesting read. It's definitely geared towards young adults with its high school feel, its teen romance and its... well, teens. But it also has some depth and it tackles important issues such as ethics in science, among others. The prose was simple bu fluid and contributed to a quick, almost compulsive reading (even if the first part was a bit boring, when compared to the second part). I'd recommend this book. It is certainly a solid debut and the series has the potential to turn into something really good. Also, the fact that I remember this book, a few months later tells me it was actually remarkable.

I received a digital copy of Mila 2.0 from Katherine Tegen Books through Netgalley. Thank you.

27 maio 2013

Opinião: Estrada Vermelha, Estrada de Sangue (Moira Young)

Estrada Vermelha, Estrada de Sangue by Moira Young
Editora: Editorial Presença (2012)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Ficção Científica, Lit. Juvenil
Descrição (GR): "Estrada Vermelha, Estrada de Sangue é um thriller futurista, uma aventura épica que se passa num período pós-apocalíptico e extremamente violento. Saba, a protagonista, é uma jovem que viveu sempre em Silverlake, numa zona remota, inóspita e quase deserta, até ao dia em que uma tempestade de areia traz consigo um bando de terríveis criminosos que lhe matam o pai e levam consigo Lugh, o irmão gémeo que ela adora. Sozinha com Emmi, a irmã mais nova, Saba vai investir toda a sua coragem e o seu espírito combativo na busca do irmão, numa demanda perigosíssima e empolgante, através de intermináveis extensões desérticas e violentas intempéries, que culminará numa apoteose de pura adrenalina."
(a edição lida está em inglês, mas são apresentados os dados da portuguesa)

Ainda não sei bem o que dizer deste livro, mais um de tantos que estão na minha estante há já algum tempo, mas nos quais tenho medo de pegar por ouvir tanta coisa boa. Parece estranho, mas é verdade; quando oiço/leio muitas coisas boas acerca de um livro, tenho mais receio de lhe pegar. Porque penso sempre "e se eu não gostar do livro? Como é que vou escrever uma opinião de um livro tão adorado?"

Felizmente, não foi o caso com "Estrada Vermelha, estrada de sangue" (Blood Red Road). Gostei bastante deste livro, com as suas personagens refrescantes, o seu romance bem desenvolvido e a sua heroína "kick-ass". Ok, algumas partes foram um bocado foleiras (o colar da Saba, por exemplo), mas no geral foi uma boa leitura, compulsiva mesmo.

Saba vive num local isolado com a sua família, constituída pelo pai, pela irmã de nove anos Emmi e pelo seu gémeo Lugh. Eles são as únicas pessoas em Silverlake.

Mas quando homens armados a cavalo raptam Lugh e matam o seu pai, Saba sente a raiva a crescer dentro de si. Ela vai ter de atravessar desertos e enfrentar tempestades de areia para cumprir a promessa que fez ao irmão: a de que o encontraria, seja onde for que ele estivesse.

Pela primeira vez, Saba sai da sua pequena terra e enfrenta um mundo hostil onde o deserto e o sol reinam e não existem leis a não ser as da crueldade, impostas por um misterioso Rei.

Estrada Vermelha, estrada de sangue tem uma estrutura parecida com as dos livros de fantasia, apesar de ser um livro distópico/ pós-apocalíptico. Saba deixa a sua terra isolada numa demanda (encontrar o irmão e salvá-lo dos seus raptores), conhece outros locais e vai "coleccionando" companheiros que a ajudarão a conseguir o seu objectivo. O próprio mundo tem um ambiente muito fantástico, com criaturas estranhas, um Rei tirânico e tudo coberto de areia. No entanto, Young conseguiu introduzir habilmente ao longo da narrativa alguns aspectos que nos lembram que este local fantástico é, de facto, o nosso próprio planeta. Por exemplo, Saba mede a distância a que está uma tempestade contando os segundos entre o relâmpago e o trovão com uma variante da utilizada pelos americanos ("one Mississipi, two Mississipi"); Jack possui uns binóculos; uma das personagens tem um livro sobre Luís XIV.

Mas nunca sabemos muito sobre o que aconteceu à sociedade humana e ao planeta para que a primeira tenha sido destruída e o segundo transformado num grande deserto com poucas fontes de água. Existem pistas, mas nada de concreto; espero que a autora nos diga mais sobre o que se passou em livros posteriores.

Apesar da construção do mundo ser um pouco vaga, a acção e as personagens mantêm-nos interessados. Saba é uma heroína deliciosa: é teimosa e rude, mas de forma engraçada. Tem defeitos (alguns deles algo graves), mas redime-se ultrapassando os seus maus hábitos e as suas percepções erradas de certas coisas. Saba (e as outras personagens) é muito humana e é definitivamente uma personagem que gostei de seguir. As suas interacções com Jack explodem de química e alguns dos momentos entre estes dois protagonistas são tão incrivelmente "fofos" que só apetece dizer "awwww" (eu senti-me sorrir diversas vezes).

Temos então uma história interessante e bem construída, personagens carismáticas que são alvo de desenvolvimento e uma narrativa com um bom ritmo, colorida com o inglês (ou português, na tradução) estranho falado pelos protagonistas. Isto, para mim, equivale a umas horas bem passadas. Gostei imenso deste livro por ser YA mas não se focar no romance (apesar de haver romance), por ter um enredo imaginativo e por ter personagens com fibra (e sem poderes especiais). Gostaria de ter lido mais sobre o mundo e as suas origens, mas esta falta de desenvolvimento do mundo não impediu o desenvolvimento da história uma vez que esta não estava directamente ligada ao mundo e ao que se acontecera no passado (ao contrário do que se passa em muitos livros pós-apocalípticos), porque as personagens não estavam interessadas em saber o que causou o declínio da sociedade. Assim a falta de desenvolvimento do mundo não me irritou tanto como o faz geralmente, mas estou algo curiosa e espero saber mais sobre ele.

No geral, uma boa leitura. Recomendo este livro sobretudo pelos protagonistas.

Publicação em destaque

Opinião: Sistemas em Estado Crítico (Martha Wells)

Sistemas em Estado Crítico de Martha Wells Editora : Relógio de Água (2024)   Formato : Capa mole | 120 páginas   Géneros : Fição científic...