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04 julho 2014

Opinião: O Oceano no Fim do Caminho (Neil Gaiman)

O Oceano no Fim do Caminho de Neil Gaiman
Editora: Editorial Presença (2014)
Formato: Capa mole | 184 páginas
Géneros: Fantasia, Fantasia Urbana
Descrição: "Este livro é tanto um conto fantástico como um livro sobre a memória e o modo como ela nos afeta ao longo do tempo. A história é narrada por um adulto que, por ocasião de um funeral, regressa ao local onde vivera na infância, numa zona rural de Inglaterra, e revive o tempo em que era um rapazinho de sete anos. As imagens que guardara dentro de si transfiguram-se na recordação de algo que teria acontecido naquele cenário, misturando imagens felizes com os seus medos mais profundos, quando um mineiro sul-africano rouba o Mini do pai do narrador e se suicida no banco de trás. Esta belíssima e inquietante fábula revela a singular capacidade de Neil Gaiman para recriar uma mitologia moderna."
Não sei bem o que dizer deste livro. Nem sei muito bem se "percebi" realmente a essência da história (o que, deixem-me dizer-vos, me deixa super envergonhada). Mas isto só elogia o autor, que conseguiu em O Oceano no Fim do Caminho obscurecer tão bem as linhas entre o que é real e imaginário que nunca sabemos bem se esta história tem realmente elementos fantásticos ou se tudo é fruto da imaginação de um rapaz de 7 anos.

O narrador (sem nome), regressa à sua cidade natal para ir a um funeral e acaba por deambular e lembrar-se de uma determinada altura na sua vida, quando era um rapaz de 7 anos e conheceu as Hempstocks, uma família constituída por avó, mãe e filha.

Nesses dias o rapaz vê muitas coisas maravilhosas mas assustadoras: vermes que se transformam em pessoas, um lago que parece conter um oceano, janelas que mostram diferentes fases da lua e uma mulher que consegue recortar pedaços do tempo.

A perspetiva neste livro é dupla. Primeiro, temos o rapaz, sempre pronto a acreditar na magia e em coisas mágicas e depois temos a perspetiva adulta. Um exemplo é quando a Velha Mrs. Hempstocks "recorta" pedaços do tempo para alterar a memória dos pais do rapaz. Mas será que foi mesmo isso que aconteceu, ou o próprio rapaz fantasiou o que se passou e os pais deixaram-no realmente ir passar a noite na quinta das Hempstocks.

Este tipo de dualidade está presente ao longo do livro, mas como o ponto de vista predominante é o do rapaz, acabamos por ter uma narrativa muito apoiada no fantástico, na magia e na ilusão. A perspetiva de uma criança imaginativa e que lê muito tem mais peso do que os verdadeiros acontecimentos (mas será que são mesmo? Ou será que houve realmente magia envolvida?) do que se passou durante esse tempo.

Uma história de encantar (na verdadeira aceção da palavra) que nos mostra o quão diferentes podem ser os pontos de vista das diversas pessoas envolvidas numa situação. Que nos mostra também como evolve a memória num ser humano com a distância e com o crescimento.
Creio que muito do que se passa no livro é uma metáfora (quando o pai tenta afogar o rapaz por exemplo) misturada com a imaginação própria de uma criança, mas o que é genial acerca deste livro... é que não tenho a certeza. 

No geral uma leitura incrível, algo bizarra que gostaria que tivesse sido maior. Estou pronta para ler mais deste autor.

07 junho 2012

Curtas: Neil Gaiman, fantasmas e lobisomens

Mais uns livritos lidos, sobre os quais pouco tenho a dizer.

The Thing about Cassandra (da Antologia Songs of Love and Death)
Autor: Neil Gaiman
Série: N/A
Editor: Edição Kindle - 2010 
Páginas: N/A
Mini-Review: Ora bem. Não me façam mal, mas na verdade nunca tinha lido nada de Neil Gaiman. É daqueles autores de quem toda a gente fala tão bem e que são favoritos de tanta gente e ainda por cima têm páginas no Twitter tão engraçadas. Com isto tudo uma pessoa até tem medo de ir pegar nos livros e lê-los. Ainda fica desapontada. 
Short-stories (contos) também não são bem a minha onda... gosto das minhas histórias bem desenvolvidas e exploradas e parece-me que não se pode fazer isso com muita eficácia num conto. Neste caso, aconteceu isso.  Senti que o autor poderia ter explorado mil e uma possibilidades diferentes mas no fim ficaram por explorar. Alas, é a natureza dos contos.
Foi preciso um trabalho para a disciplina de Tradução Literária para ler alguma coisa do Gaiman! E li! Li! E gostei. Ok, não é brilhante, mas é 'atmosférico' o suficiente para ser assustador de uma maneira vaga. Não é um terror 'in your face' é mais uma ideia que se vai insinuando na nossa mente e acaba por nos fazer sentir arrepios. Lembra-me um pouco a série de TV Twilight Zone, na verdade.
A história não é nada por aí além, aliás a maioria do conto é corriqueiro, quase não há toques de que algo sobrenatural se passa mas o desfecho foi engraçado. Lá está, à Twilight Zone.  
Nada mau.

Deception
Autor: Lee Nichols
Série: Haunting Emma, #1
Editor: Bloomsbury - 2010
Páginas: 310
Mini-Review: Mais um livro de fantasia urbana juvenil que sinceramente não me apelou muito. Não sei se sou eu que não estou para leituras, mas o livro pareceu-me mais uma colecção de clichés, desde a rapariga super especial (e poderosa), aos amigos populares que ela arranja, passando pelo rapaz mais velho, alto, bonito e misterioso por quem ela se apaixona.
O início do livro foi um bocado confuso e o que estava a acontecer não parecia fazer muito sentido. As atitudes das personagens, idem.
No geral, mais uma série que não vou seguir.


Sisters Red
Autor: Jackson Pearce
Série: Fairytale Retellings, #1
Editor: Little, Brown - 2011
Páginas: 352
Mini-Review: Primeiro que tudo, olhem-me só para esta capa! Com uma capa destas obviamente que tinha de comprar este livro! Bem, também tinha ouvido bem, mas pronto.
Infelizmente não é tão bom como o pintam. Parecia genial, com duas raparigas vestidas com capuzes vermelhos a caçar lobisomens (ou Fenris, como são aqui chamados). Mas no fim, não há assim muita magia de 'fairytales' neste livro. É mais um livro YA com um romance (quasi triângulo amoroso), drama e umas criaturas maldosas e uni dimensionais. O que são os Fenris? Porque existem? Porque é que comem pessoas? Nada disto nos é explicado. Temos capítulos alternando o ponto de vista entre as duas irmãs a Scarlett (que foi horrivelmente mutilada pelos Fenris em criança) que só fala em caçar lobisomens e a Rosie que só fala do Silas, o rapaz que é amigo de infância das duas e por quem ela se apaixonou de repente. 
Sim, percebo, a autora tenta mostrar o que um ataque brutal pode fazer a uma família, à auto-confiança das personagens, mas fá-lo de maneira errada a meu ver.
Demasiado estereotipado e com muito pouco de verdadeiramente original.