Editora: Casa das Letras (2009)
Formato: Capa mole | 682 páginas
Géneros: Romance, Fantasia Urbana
Sinopse (Casa das Letras): Um deus nasceu há onze mil anos. Amaldiçoado num corpo humano, Acheron teve uma vida de sofrimento. A sua morte humana originou um horror indescritível que quase destruiu a Terra. Trazido de volta contra a sua vontade, tornou-se o único defensor da humanidade. Só que não foi assim tão simples...Durante séculos, lutou pela nossa sobrevivência e escondeu um passado que não desejava revelar. Agora, tanto a sua sobrevivência, como a nossa, dependem da única mulher que o ameaça. Os velhos inimigos estão a despertar e a unir-se para matá-los - aos dois.
"Acheron" é na verdade o décimo-quinto livro de uma série (Predadores da Noite) que está correntemente a ser editada em português pela Saída de Emergência, havendo já três volumes disponíveis para compra. O porquê deste livro em particular ter sido traduzido por uma editora diferente é um mistério, mas o certo é que, apesar de poder ser lido por si só (pois contar a história de Acheron, é contar, em parte, a história dos Predadores da Noite), haverá referências a diversas personagens que aparecem, não só nos volumes acima mencionados mas também em volumes posteriores, ainda não traduzidos. Isto pode causar alguma confusão ao leitor; daí não perceber o porquê da publicação deste livro. Mas adiante.
Cada livro desta série (Dark-Hunters, no original) se centra numa personagem (nomeadamente num Predador da Noite) e em como esta consegue redenção através do amor. Para situar os eventuais leitores desta crítica, passo a explicar o que são estes "Predadores da Noite"; são homens e mulheres (mais homens, são mais propensos à vingança e dão heróis torturados muito melhores) que deram a alma à deusa grega Artemis (deusa da caça e do parto) em troca de um momento de vingança. Consumada essa vingança, estes humanos ficam sob o comando da deusa, perdendo algumas capacidades (como a de caminhar sob a luz do sol) e ganhando outras (como a imortalidade e uma força superior à dos humanos. Adivinhem como é que os humanos lhes chamaram ao longo dos séculos. :p). O objectivo de Artemis é criar um exército que possa combater os Daimons, umas criaturas que sugam as almas das pessoas para sobreviver.
Ao longo dos séculos, Artemis tem reunido as almas de muito boa gente. Cada livro, como disse, conta a história de um Predador da Noite, e de como, depois de muita choradeira, ele ou ela consegue de volta a sua alma (e mortalidade).
Ora se há um livro sobre Acheron então ele deve ser... pois é, um Predador da Noite. Mas não um Predador da Noite qualquer. Acheron (ou "Ash" como gosta de ser tratado) é o mais antigo de todos, o primeiro Predador da Noite e o líder de todos eles. É por isso que aparece em muitos dos livros da série, sendo uma personagem fulcral. Assim, escrever a sua história, depois de 15 livros era certamente uma tarefa difícil... mas penso que a autora conseguiu!
Não esperava qualquer rigor histórico e não o encontrei, claro; encontrei meramente uma versão fantasiada da Grécia antiga (e de como se processam escavações arqueológicas, infelizmente), mas não o li pela veracidade histórica, por isso não me importei grandemente.
O livro tem duas partes. A primeira relata o passado de Acheron (que começa em cerca de 9000 a.C.); o seu nascimento, crescimento e o sofrimento atroz que o leva a tornar-se um Predador da Noite. Esta foi a parte que mais gostei, pelas descrições da perdida Atlântida e pela imaginação delirante da autora em relação à mitologia atlante (e também ao seu uso da grega). O passado de Acheron, o seu envolvimento com Artemis e a criação dos Predadores da Noite deu uma leitura extremamente interessante e aditiva.
Já a segunda parte, passa-se nos dias de hoje. É basicamente a "história de amor" do Acheron. Desta parte já não gostei tanto... pareceu-me que tudo aconteceu um bocado a correr e sinceramente não senti as "faíscas" entre os dois protagonistas. Também não gostei de Tory (aquela que rouba o coração de Acheron) por aí além, achei-a irritante. Na verdade, esperava mais da história de Acheron, uma vez que ele é uma personagem tão importante e especial na série, mas a história de amor não difere em muito das encontradas noutros livros sobre personagens menores. Convém referir também que "Acheron" não está, infelizmente, livre daquelas cenas algo "fatelas" que a autora gosta de incluir nos seus livros (como dançar ao som das músicas disco do filme "Dança Comigo". Oh vá lá!). Mas pronto, isso é um mal menor.
No geral, uma boa obra dentro do romance paranormal, que se lê muito rapidamente e com gosto, apesar do seu assustador número de páginas. Recomendado para fãs deste tipo de romances e fãs da série.
