31 maio 2012

Opinião: Paranormalidade (Kiersten White)


Editora: Planeta (2011)
Formato: Capa mole | 295 páginas
Géneros: Literatura Juvenil, Romance Paranormal, Fantasia Urbana
Descrição da edição portuguesa (GR): "Por mais estranho que seja trabalhar para a Agência Internacional de Contenção Paranormal, Evie sempre pensou ser uma rapariga normal. Sim, a sua melhor amiga é uma sereia, o seu ex-namorado é um homem--fada, está a apaixonar-se por um rapaz que muda de forma e é a única pessoa que consegue ver através dos disfarces dos paranormais, mas ainda assim... Normal. Só que agora os paranormais andam a morrer e os sonhos de Evie estão repletos de vozes inquietantes e profecias misteriosas. Depressa se apercebe que poderá existir uma ligação entre as suas capacidades e a súbita vaga de mortes. E não apenas isso, pois poderá muito bem encontrar-se também no centro de uma profecia sinistra das fadas, que promete destruição para todas as criaturas paranormais. Lá se vai a normalidade…"
AVISO: Contém SPOILERS.
Enfim... mais um livro juvenil de fantasia urbana, este sim bem focado no lado 'juvenil'. Tenho lido bons livros YA, para jovens adultos, mas Paranormalidade é, definitivamente, dirigido mais ao público adolescente.

Evie, a nossa heroína, trabalha para a Agência Internacional de Contenção Paranormal, uma espécie de Interpol que apanha criaturas sobrenaturais, as marca (como animais selvagens) e lhes arranja empregos nas suas fileiras. Evie não tem pais e sempre viveu na Agência; ela é um trunfo importante no controlo de criaturas paranormais porque tem a habilidade de ver a verdadeira natureza dos paranormais. 
Quando um estranho paranormal é capturado e outras criaturas começam a morrer misteriosamente (é notoriamente difícil matar estes seres), Evie vê-se envolvida numa complicada situação que envolve sonhos, profecias e fadas.

Primeiro ponto a reter: a sinopse é enganadora. Sim, o livro começa de forma prometedora, com Evie fazendo o seu trabalho e continua descrevendo vários tipos de criaturas paranormais (gostei do facto dos vampiros terem um disfarce como criaturas glamorosas mas a sua verdadeira aparência ser a de cadáveres andantes. Faz sentido, aha). O livro é bastante interessante enquanto se centra nestes aspectos, nos tipos de criaturas paranormais, no facto de existir uma agência secreta que os controla... claro, não é totalmente original (estou aqui a lembrar-me da série de TV Santuário), mas não deixa de ser uma boa leitura.

Mas eis que entra Lend, o misterioso (como podem ver, começa mal) metamorfo com o estranho poder de se conseguir transformar em qualquer pessoa. Qualquer uma. É apanhado, preso e Evie... acha que ele é giro (onde é que isto vai parar, pergunto-me).

Para mim começou a descarrilar a partir daí. Já havia indícios de descarrilamento quando conhecemos Reth (o homem-fada descrito na sinopse, que não é nada o ex-namorado, shame on you, sinopse enganadora), mas depois de chegar o Lend... hmm.

O facto é que as personagens estão pouco desenvolvidas e são estereotipadas. Eu sei que é um problema recorrente neste tipo de livros, neste género tão saturado, mas não gostei do facto de não haver muita substância em nenhuma das personagens. Isso tornou as relações entre elas algo irreais e levou a que não me conseguisse conectar com nenhuma delas. São... aborrecidas.

Outra coisa que me irritou solenemente foi o facto da autora não conseguir perceber muito bem que tipo de livro queria escrever. Começa como um livro de fantasia urbana e a ideia geral por detrás da história pareceu-me intrigante e empolgante, mas depois White estraga tudo quando decide que mais importante do que os acontecimentos sobrenaturais que têm Evie como peça central, é a vida social da heroína. A nossa protagonista deve ir para a escola, sair e fazer compras, ir ao baile de finalistas e claro, namorar muito com o aborrecido e estereotipado Lend. Para fingir que não está a descurar a história, a autora decidiu que o vilão apareceria a Evie em sonhos e que lhe daria pequenas pistas sobre o que se estava a passar. 

Quando Evie já experienciou a vida de adolescente normal durante tempo suficiente, aparecem os mauzões e há uma "espécie de batalha" (mais muito paleio) e pronto, voilá, acabou. Foi um final muito apressado e anti-climático.

No geral: Paranormalidade tem um conceito interessante, e estou curiosa para saber quem é realmente Evie (ao contrário dela que não está muito interessada), mas a vertente mais juvenil do livro fez-me achá-lo um tanto aborrecido, por vezes. As personagens precisavam de um maior desenvolvimento, especialmente os protagonistas e sinceramente tinha passado bem sem as saídas com os amigos e os bailes de finalistas. Mas acredito que para um público mais jovem seja um livro mais apelativo. A parte sobrenatural do enredo, digamos assim, sofreu um bocado por causa dos capítulos (que são a meio do livro, nem sequer no principio são) sobre a vida adolescente que Evie sempre quis ter. Não é um livro perfeito, tem imensos estereótipos, mas há pior. Recomendados para fãs de romances paranormais.

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