07 janeiro 2014

Opinião: Parasite (Mira Grant)

Parasite by Mira Grant
Editora: Orbit (2013)
Formato: e-book | 608 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Ficção Científica, Thriller
Descrição (GR): "A decade in the future, humanity thrives in the absence of sickness and disease.
We owe our good health to a humble parasite -- a genetically engineered tapeworm developed by the pioneering SymboGen Corporation. When implanted, the Intestinal Bodyguard worm protects us from illness, boosts our immune system -- even secretes designer drugs. It's been successful beyond the scientists' wildest dreams. Now, years on, almost every human being has a SymboGen tapeworm living within them.
But these parasites are getting restless. They want their own lives . . . and will do anything to get them."
Aviso: Contém alguns SPOILERS
Mira Grant é a autora de vários livros dos quais gostei bastante, como a série October Day e de "Feed", um livro de zombies que consegui ler e gostar bastante, apesar de não ser fã do tema.

Por isso, quando dei por mim numa espécie de "reading slump" sem conseguir fixar-me numa história e ler mais de que algumas páginas dos livros que tentei ler, recorri a mais uma obra desta autora para ver se me conseguia livrar do problema. E resultou.

Já tinha este livro debaixo de olho há algum tempo, pois tratava de um tema semelhante ao de "Feed", com curas milagrosas que dão para o torto; por isso preparei-me para uma leitura interessante e compulsiva e que, esperava, me fosse deixar a pensar.

Futuro próximo. Uma empresa chamada SymboGen desenvolve uma ténia geneticamente modificada cujo objetivo é proteger o ser humano da maioria das doenças. E tem sucesso. Em poucos anos, quase toda a gente tem um implante, o "Guarda-costas Intestinal" (TM) e têm basicamente uma saúde de ferro. O sucesso deste implante deve-se em parte à recuperação milagrosa de Sally Mitchell uma das primeiras implantadas que, graças à sua ténia, conseguiu recuperar de um coma e de danos cerebrais. 

No entanto, nem tudo é perfeito... Sally recuperou a consciência mas não se lembra de nada da sua vida anterior; e a sua recuperação e aprendizagem fazem-se à custa de ser um sujeito experimental para a SymboGen. Ao mesmo tempo, uma misteriosa doença começa a espalhar-se pelo mundo: as pessoas atacadas perdem a noção do "eu" e começam a andar sem sentido (como zombies) até caírem num coma. Sally e o namorado Nathan vão ver-se metidos no meio de algo que os ultrapassa.

Pois bem. Este livro é da Mira Grant por isso, tal como esperava, foi uma leitura compulsiva e interessante. Mas não foi propriamente surpreendente, inovador ou escrito de modo a fazer pensar.

A premissa é de facto, semelhante à de Feed, com a história a passar-se num futuro próximo e a Humanidade à beira de um cataclismo (bem, em Feed, já se deu um cataclismo, mais ou menos) devido a avanços médicos. Tal como em Feed, achei a escrita da autora envolvente e quase cinematográfica; as personagens são carismáticas e é fácil identificar-mo-nos com elas, em certa medida. 

Mas... não há realmente grande profundidade no livro. A autora podia ter desenvolvido melhor outros pontos de vista menos "humanos" que teriam dado um ar de "luta existencial" à coisa. Os vilões têm motivações extremamente simplistas e mal explicadas e não há nenhuma personagem que se destaque assim muito pela sua complexidade. A identidade de Sal(ly) era óbvia desde o início, o Dr. Banks nunca foi mais do que um vilãozeco, o Nathan pouca evolução tem e a Dra. Cale é uma personagem inconsistente. A única personagem da qual gostei foi a Tansy.

No fundo, "Parasite" tem aquela qualidade muito própria (refiro-me à forma como o leitor interage com a história e não à "qualidade" do livro enquanto obra literária) de um filme feito para a TV em que os heróis têm de passar por muitas tribulações para desvendarem uma conspiração que uma qualquer corporação está a tentar encobrir por todos os meios. 

O final é abrupto, deixando-nos em suspenso para o próximo livro.

No geral, uma leitura interessante, compulsiva e divertida (dentro do género), mas pouco mais do que isso. Nalguns aspetos lembrou-me de "A Passagem" de Justin Cronin.

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