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23 novembro 2011

Opinião: A Revolta (Suzanne Collins)

Editora: Scholastic (2010)
Formato: Capa Mole | 455 páginas
Géneros: Ficção Científica, Lit. Juvenil
Descrição da edição Portuguesa (Ed. Presença): "Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobreviveu e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar…"
AVISO: Contém SPOILERS! 
Eis que chegamos ao último livro da saga, a conclusão da luta épica de Katniss e dos companheiros contra a tirania do Capitólio.

Katniss Everdeen sobreviveu novamente aos temidos "Jogos da Fome". Foi resgatada pelos rebeldes do infame Distrito 13, que toda a gente pensava ter sido há muito destruído. Na verdade, tornou-se a base do movimento contra a ditadura do Capitólio.

Ferida, confusa e traumatizada pelo aprisionamento de Peeta, o seu companheiro dos Jogos, Katniss tem agora de lidar com o facto de que se tornou num símbolo de rebelião, um tordo livre que voa para longe e zomba do Capitólio com as suas acções.

Sinceramente, estava à espera de não gostar particularmente deste livro. A maioria dos fans da série classificou este como o pior dos três e muitos confessaram-se desiludidos. Estranhamente, no entanto, dei por mim a gostar imenso desta leitura. Para mim, "A Revolta" foi bastante superior aos outros dois. E aquela questão que eu tinha sobre como é que a autora ia conseguir "resolver a batalha épica que se avizinha em apenas um livro"? Bem, foi respondida. De forma aceitável, se não perfeita. Apesar de Suzanne Collins deixar bastantes pontas soltas no final do livro, creio que as questões principais são resolvidas.

Gostei do que a autora fez com a história. No fundo, "A Revolta" está estruturado de forma semelhante aos livros anteriores, ou seja, Katniss e os seus aliados estão perdidos numa versão gigantesca dos "Jogos da Fome". Mas, ao mesmo tempo, Collins conseguiu avançar suficientemente com o enredo para nos dar uma conclusão satisfatória. Claro que, como disse, alguns assuntos foram deixados na obscuridade - por exemplo, continuamos sem saber que flagelo destruiu os Estados Unidos e o que aconteceu no resto do mundo.

O que mais me agradou no livro foram as personagens. Certamente que Katniss continua a ser uma personagem algo desconectada das suas emoções, mas ao mesmo tempo as situações do passado e do presente tornam-na mais humana. As consequências das suas acções finalmente apanham a nossa protagonista fazendo com que as suas reacções sejam mais realistas.
Todas as personagens me pareceram pois bastante reais. Katniss não se transformou numa heroína que salva, sozinha, Panem inteira; Peeta sofre por causa do que lhe foi feito; os rebeldes não são pessoas muito boazinhas, têm defeitos e agendas. Ou seja, as personagens estão construídas de modo realista e parecem muito humanas. Não há uma clara definição de quem são os heróis e os vilões, o que está certo e o que está errado, o que é branco e o que é preto.

No geral, "A Revolta" foi uma boa conclusão para a trilogia. As personagens crescem, o cenário é aterrador pelo seu realismo e achei toda a construção do enredo bastante boa. Claro que há muito que fica por explicar mas este livro surpreendeu-me pela positiva. Uma leitura recomendada.

12 março 2011

Opinião: Em Chamas (Suzanne Collins)

Em Chamas de Suzanne Collins
Editora: Editorial Presença (2010)
Formato: Capa mole | 268 páginas
Géneros: Ficção Científica, Lit. Juvenil
Sinopse (Wook.pt): "Depois de no primeiro volume Katniss se oferecer para substituir a irmã mais nova nos Jogos da Fome, que têm como lema «matar ou morrer», contra todas as expectativas, não só Katniss Everdeen venceu os Jogos da Fome, como pela primeira vez na história desta competição dois tributos conseguiram sair da arena com vida. Os dois jovens Katniss e Peeta tornaram-se agora os rostos de uma rebelião que nunca esteve nos seus planos. E o Capitólio não olhará a meios para se vingar… Um ritmo constante de adrenalina numa obra que promete tornar-se uma das leituras mais viciantes do ano."
Aviso: Contém alguns SPOILERS!
"Em Chamas" é o segundo livro da trilogia "Jogos da Fome", publicada em Portugal pela Editorial Presença. Podem ler a minha opinião do primeiro livro aqui.

Neste segundo volume, Katniss volta ao Distrito 12, a sua casa, depois de vencer a edição mais polémica de que há memória, dos Jogos da Fome ; nestes jogos, não só saíram dois vencedores da arena - Katniss e Peeta - como um deles (a nossa heroína - e uso o termo com reservas) cometeu impensadamente um acto simbólico de rebeldia contra o todo-poderoso Capitólio.

Assim, apesar da riqueza e estatuto que lhe dá a sua nova posição, Katniss sente-se inquieta e não sabe se o Capitólio lhe perdoará as suas acções, apesar do seu objectivo ter sido salvar uma vida e não revoltar-se. Quando começa a ouvir rumores (bem escondidos pelo Capitólio) de que os ânimos nos diferentes distritos começam a exaltar-se, Katniss teme o pior para si, Peeta, a sua família e o seu verdadeiro amor e amigo de infância, Gale. E esse temor mostra-se justificado pois as perversas forças do Capitólio decidem que tanto Katniss e Peeta devem entrar, novamente, na arena dos Jogos da Fome; algo que devia ser impossível.

Devo dizer que gostei mais deste segundo livro do que do primeiro. Apesar da autora reciclar a ideia principal da primeira obra - Katniss e Peeta voltam a combater outros tributos nos Jogos da Fome - existem acontecimentos paralelos a esta linha de acção que tornam o livro um pouco mais complexo e interessante. Refiro-me, claro "às chamas" que se espalham rapidamente pelos Distritos e as sublevações consequentes. Por alguma razão, o acto de Katniss faz despertar a esperança da populaça com mais eficácia do que a crueldade repetida de verem os seus entes queridos serem massacrados numa arena todos os anos.

Isto resultou numa progressão real da história ao contrário do que aconteceu no primeiro livro, onde quase não não houve avanço na história senão mesmo no final.

Apesar de tudo, o enredo continua a evoluir lentamente e fazendo o balanço, muito pouco aconteceu nos dois livros, que são ocupados maioritariamente com descrições dos Jogos da Fome (estou curiosa para saber como é que a autora vai conseguir resolver a batalha épica que se avizinha em apenas um livro). Claro que mesmo estes Jogos são diferentes dos primeiros, algo estranho se passa entre alguns dos tributos. Infelizmente, a única perspectiva que temos dos acontecimentos é a de Katniss e deixem-me dizer-vos ela é, de longe, uma das piores protagonistas sobre as quais já li. Tem aquilo que os ingleses chamam "a one track mind" e que nós traduziríamos como "duas palas de lado como os burros" e apesar de registar a estranheza das acções de alguns dos tributos não tenta descodificar o que possa estar por detrás delas.

Digamos que Katniss é, neste livro, um ornamento, um símbolo e pouco mais... a verdadeira acção acontece independentemente dela o que me agradou por um lado (porque, como digo, a rapariga é um pouco tapadinha) e me desagradou por outro porque significou que tanto ela como o leitor são tratados a uma explicação sumária e apressada do que se passou apenas no final do livro.

Outra coisa de que não gostei (ou continuo a não gostar) foi do teor narrativo de Katniss. A personagem continua a parecer-me estranha, pouco emotiva. Creio que a escrita da autora é a culpada. Katniss não é, necessariamente uma pessoa sem emoções; no entanto Collins parece ter dificuldades em pôr as emoções da sua protagonista no papel. É-nos dito, pela própria Katniss que sente isto ou aquilo, mas não há descrição das sensações que acompanham esses estados de espírito, pelo que o leitor fica (ou pelo menos eu fiquei) com a impressão de que as emoções de Katniss são de algum modo, falsas ou incompletas. Já as outras personagens (vistas segundo a percepção da heroína) são muito mais emotivas, pelo que este 'defeito' é apenas reservado a Katniss.

Concluindo, no geral, "Em Chamas" foi uma leitura mais agradável do que "Os Jogos da Fome". Há mais a acontecer e é-nos dada (embora de forma muito insuficiente) mais alguma informação sobre o misterioso Distrito 13. Creio notar uma evolução positiva ao longo dos livros, com a sua crescente complexidade em termos de enredo e desenvolvimento de personagens, pelo que espero que o terceiro livro seja uma boa conclusão da trilogia. Uma leitura interessante, recomendada para os amantes de "Distopia" e ficção científica "leve" (ou seja com pouca explicação de conceitos científicos, lol). Creio que é uma boa série para o público juvenil, mas que apelará também aos adultos que se interessem por mundos futuristas distópicos.

05 novembro 2010

Opinião: Os Jogos da Fome (Suzanne Collins)

Os Jogos da Fome de Suzanne Collins
Editora: Editorial Presença (2009)
Formato: Capa Mole | 286 páginas
Géneros: Ficção Científica, Lit. Juvenil
Sinopse (Editorial Presença): "Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica."

"Os Jogos da Fome" é o primeiro livro da trilogia de ficção científica com o mesmo nome, direccionada para jovens adultos.

Neste livro a acção passa-se num futuro distante em que uma qualquer catástrofe transformou radicalmente o sistema político e social dos Estados Unidos. Qual a catástrofe e há quanto tempo aconteceu não nos é dito. O certo é que Katniss Everdeen, a nossa protagonista, vive em Panem, uma nação dividida em doze distritos (cada distrito é responsável pela produção de um recurso específico) e controlada por um misterioso corpo político, o "Capitólio". Apesar da cidade onde está sediado o Capitólio ser bastante moderna, na maioria dos doze distritos o nível de vida é bastante mais modesto, tendo Katniss de recorrer à caça para alimentar a família.

Todos os anos, o Capitólio organiza um evento chamado "Os Jogos da Fome", que pode ser descrito como uma mistura entre as antigas lutas de gladiadores romanas e o programa "Survivor". Cada distrito deve fornecer, obrigatoriamente, 2 "tributos" um rapaz e uma rapariga com idades compreendidas entre os 12 e os 17 anos. Os Tributos são depois levados para a cidade do Capitólio e largados numa arena onde são instigados a lutar até à morte até haver apenas um sobrevivente. Este é um acontecimento mediático, e tal como um reality-show é transmitido todos os dias em directo e ao qual as pessoas são obrigadas a assistir. Os Jogos da Fome servem o propósito de mostrar o poder do Capitólio sobre os doze distritos (aquando desta explicação, Katniss também nos informa da existência de um décimo-terceiro distrito que há muito tempo atrás se havia revoltado contra o Capitólio, tendo por isso sido destruído).

Quando a sua irmã Prim é escolhida para entrar nos jogos, Katniss decide tomar o seu lugar.

Esta é a história de "Os Jogos da Fome". Não a história "base" ou o ponto de partida, mas o enredo completo. Basicamente Katniss oferece-se para entrar nos jogos no lugar da irmã, entra na arena e tudo o resto é um relato de como ela sobrevive através daquilo que aprendeu por ter de caçar nos bosques perto de casa para alimentar a família. Não digo que não tenha sido uma leitura... interessante, mas as reacções da personagem principal aos vários desafios que lhe apareceram à frente e basicamente a premissa inteira do livro não me pareceram muito... realistas ou credíveis; Katniss não me parece ter a resposta emocional correcta à violência e destruição que acontecem à sua volta. Quanto à premissa, como é que o povo não se revolta? Talvez haja uma explicação, mas não nos é fornecida, o que, confesso, me incomodou. Isto é, claro, fruto da narrativa na primeira pessoa que não nos permite ter informação sobre acontecimentos exteriores à vida do narrador.

No fundo, apesar do conceito ser original (ou mais ou menos, pelo que se diz, acho que o livro "Battle Royale" tem uma história semelhante e é anterior aos Jogos da Fome), penso que o livro sofre devido a um desenvolvimento muito incipiente quer das personagens quer do mundo onde decorre a acção. Digamos que a autora não nos deu "história de fundo" suficiente para termos uma ideia do porquê a sociedade de Panem ser como é. No entanto, sendo apenas o primeiro livro de uma trilogia talvez essa informação nos seja facultada em livros posteriores.

Acho também que a obra seria mais interessante e o potencial do enredo mais bem aproveitado se este livro não se dirigisse ao público juvenil mas a uma audiência mais adulta.

No geral, este livro não foi mau... mas também não foi assim nada de especial. Esperava mais, uma vez que tem tantas boas críticas. Mas considero que foi uma leitura mais envolvente do que outros livros juvenis que li este ano.