13 abril 2014

Opinião: Half Bad - Entre o Bem e o Mal (Sally Green)

Half Bad by Sally Green
Editora: Editorial Presença (2014)
Formato: Capa mole | 320 páginas
Géneros: Fantasia Urbana, Lit. Juvenil/YA
Descrição: "Uma estreia literária surpreendente, plena de magia. Um livro que é um fenómeno internacional.
Na Inglaterra dos nossos dias, bruxos e humanos vivem aparentemente integrados. Na realidade, os bruxos têm a sua própria sociedade secreta, as suas regras e a sua guerra, que divide os Bruxos Brancos, considerados «bons», e os Bruxos Negros, odiados e perseguidos pelos Brancos. O herói, Nathan, é filho de uma Bruxa Branca e de um Bruxo Negro e, portanto, considerado perigoso. Nathan é constantemente vigiado pelo Conselho dos Bruxos Brancos desde que nasceu e aos 16 anos é encarcerado e treinado para matar. Mas Nathan sabe que tem de fugir antes de completar 17 anos e a sua determinação é inabalável.
Half Bad é o romance de estreia de Sally Green e o primeiro volume de uma nova trilogia do género fantástico aguardado por todo o mundo com grande expectativa."
(A edição lida está em inglês mas apresentam-se os dados da portuguesa)

Half Bad... "Entre o Bem e o Mal" ou, como eu lhe chamo, "O clone do Harry Potter sem qualquer tipo de desenvolvimento e genérico como tudo", é mais um daqueles livros super, hiper, mega antecipados, que até saiu aqui no mesmo dia em que saiu em inglês e tudo o mais. Basicamente é um daqueles livros com a incrível máquina publicitária de uma grande editora por trás e eu sou a idiota que comprou uma cópia na esperança de que se destacasse realmente, que fosse realmente original e interessante e diferente. Já mencionei original?

Pois, bem, se não gostam de tiradas irritadas, não leiam o resto. Eu estou um bocado irritada com este livro.

Primeiro, os pontos positivos: a escrita é razoavelmente boa. Falta-lhe sentimento, as frases são demasiado curtas mas é competente e prende o leitor. O protagonista não é demasiado irritante. E... é isto.

O protagonista chama-se Nathan e é um bruxo. Ele é filho de um Bruxo Negro e de uma Bruxa Branca e isso faz com que seja olhado com desconfiança pelos Bruxos Brancos (ser Bruxo Negro é, aparentemente, ilegal ou algo do género). Basicamente o Nathan é um maltratado por toda a gente porque tipo, ele é totalmente filho de um Bruxo Negro (atenção isto parece ser uma coisa genética). E?, perguntam vocês. Não faço ideia, respondo eu. Aparentemente é muito mau ser um Bruxo Negro, mas não se sabe bem porquê. Especialmente porque, como disse, parece ser uma coisa de nascença.

Então temos o protagonista super especial que é maltratado (woe). Temos bruxos. Já começam a ver as semelhanças? Eu faço uma lista:
1. Bruxos/Feiticeiros
2. Protagonista especial devido a circunstâncias relacionadas com nascimento/infância
2.5. Protagonista é parente/está relacionado com o vilão mais temido da história
3. Instâncias de bullying, incluindo por um membro da família
4. Os bruxos têm uma designação para as pessoas sem poderes (Não estou a gozar)
5. Bruxos "Negros" são olhados com desconfiança
6. Pureza do sangue tem valor
7. Há um órgão governativo para os Bruxos (o Conselho).
8. Há uma elite de Bruxos que caçam Bruxos Negros.
9. É preciso mais?

Como se isto não bastasse, a autora prescindiu completamente do seu mundo. Quem é que precisa de construir fundações, explicar conceitos ou até fazer com que as personagens usem magia, quando se pode simplesmente lançar o leitor no meio da confusão e esperar que se amanhem? Enfim.

As personagens são numerosas, nada memoráveis e nem com o protagonista consegui criar uma ligação. Dava ideia que a autora estava a tentar que tivéssemos ou pena dele ou que o achássemos rebelde, mas, epá, dizer asneiras não é propriamente rebeldia. :P

O livro tem umas 370 páginas mas muito pouco enredo. Os acontecimentos são vagos, meros esboços, a autora não conseguiu tornar nenhuma cena (ou personagem) digna de nota. O que temos em grande quantidade são cenas mais ou menos violentas, que me parecem estar lá mais para o shock value do que para outra coisa.

Quanto a magia... muito pouca. O sistema quase não é explicado e há muitas coisas que são confusas.

No geral, um livro que sinceramente, não me cativou. Tanto a história, como as personagens e o mundo têm pouco brilho e estão mal desenvolvidos. É como se este livro fosse apenas um molde onde se podem fazer livros sobrenaturais juvenis de sucesso.

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