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17 março 2015

Opinião: The Sum of all Kisses (Julia Quinn)

Editora: Little, Brow Book Group (2013)
Formato: Capa mole | 373 páginas
Géneros: Romance histórico

Quando comecei a ler romances históricos, comecei pela Amanda Quick e pela Julia Quinn e esta última tornou-se uma das minhas escritoras preferidas dentro do género. Adorei, especialmente, os primeiros seis livros da sua série "Os Bridgertons" e a obra "Minx" é uma das poucas a que dei cinco estrelas no Goodreads. 

O facto de gostar tanto da Julia Quinn prende-se, primeiro com o seu humor e personagens divertidas e segundo com os romances fofinhos. 

Mas, tenho notado que é muito difícil um escritor manter-se original e continuar com a mesma qualidade, depois de já ter escrito umas boas dezenas de livros. E isto tem acontecido com a Julia Quinn, infelizmente. As suas últimas obras têm sido "mais do mesmo".

Foi o que senti relativamente a "The Sum of all Kisses", o terceiro livro da série "Smythe-Smith Quartet". Quem já leu livros da série Bridgerton já ouviu certamente falar dos eventos musicais dos "Smythe-Smith", onde quatro jovens apresentam um número musical a uma plateia sofredora. Esta série foca-se nas jovens que têm de estar na ribalta, muitas delas com a consciência perfeita que não são boas músicas.

"The Sum of all Kisses" tem como protagonista Sarah Pleinsworth, filha de um Conde e prima dos Smythe-Smith (do lado da mãe, claro). Sarah viveu dolorosamente a tragédia que tocou os Smythe-Smith (devido a um duelo, o filho mais velho dos Smythe-Smith e herdeiro ao título de Conde - esta família parece ter muitos - teve de fugir para a Europa e viver exilado) e a família mais próxima.

É por isso que ela odeia Lord Hugh Prentice, que foi o causador da tragédia, quando, há três anos, desafiou Daniel Smythe-Smith para um duelo. Hugh ficou com mazelas devido a um tiro errante e o pai dele jurou vingar-se. Por isso Daniel fugiu.

Hugh quer apenas uma vida calma, mas os fantasmas perseguem-no: ele tem uma perna que não funciona bem e culpa-se pela tragédia que se abateu sobre a família do amigo, os Smythe-Smith. Mesmo quando Daniel volta para Inglaterra, Hugh tem dificuldades em acreditar que aquele o tenha perdoado. Por isso vive atormentado e a antipatia de Lady Sarah Pleinsworth não ajuda.

Mas, forçados a estar juntos devido a dois casamentos na família, Sarah e Hugh terão de conviver, conhecer-se melhor e, talvez, perceber que estavam errados relativamente às suas perceções.

Este livro tem muito de "Orgulho e Preconceito", na medida em que os protagonistas têm uma ideia errónea um do outro e vão ser forçados a estar juntos e a repensar essa ideia.

O que me incomodou neste livro é que tudo é muito... brando. A história é incrivelmente dramática, mas não senti as emoções que deveriam estar por detrás do discurso inflamado de Sarah ou da "auto-depreciação" de Hugh. Todas as "postas de pescada" (perdoem-me a expressão peixeira) trocadas entre os protagonistas me pareceram vazias e sem fogo e isso fez com que me fosse difícil acreditar na mudança de sentimentos que se operou.

Outro aspeto: Sarah foi algo irritante (e o mesmo se pode dizer da sua família), porque julga Hugh por ter feito fugir Daniel e nunca para para pensar que se calhar Hugh também perdeu algo, como por exemplo, o uso normal da perna (só um exemplo). Isto pareceu-me bastante mau, especialmente porque na época não se podia estar sentado a ver TV, a maioria das atividades eram físicas (dançar, caçar, jogos, mesmo andar) e Lord Hugh está assim, bastante limitado, mesmo na escolha de profissões (não nos esqueçamos que, como segundo filho de um nobre, Hugh não tem direito a heranças, tem de fazer dinheiro por si próprio, ou seja tem de escolher o exército, a marinha ou o clero).

Isto fez-me comparar o livro de Julia Quinn aos dois últimos romances históricos que li, em que as atitudes das personagens estão cuidadosamente em sintonia com a sociedade da época e sinceramente, Julia Quinn fica a perder.

No geral, este não é, de todo o melhor livro de Julia Quinn. O seu ponto forte sempre foi a interação entre personagens, mas neste livro as mesmas não têm brilho, vivacidade ou espírito. Uma leitura rápida mas que me desapontou.


Outras obras da autora no blogue:

04 janeiro 2015

Opinião: Para Sir Phillip, com Amor (Julia Quinn)

Editora: Asa (2014)
Formato: Capa mole | 336 páginas
Géneros: Romance histórico

(A edição lida está em inglês, mas apresentam-se os dados da portuguesa).
A Julia Quinn é, há já muito tempo, a minha escritora favorita dentro do género do Romance histórico; e de todas as suas séries e livros, os meus favoritos são os da série Bridgerton, que contam as histórias de amor de oito irmãos e irmãs, filhos de um visconde inglês. Estes livros passam-se ao longo de vários anos, no século XIX.

Este ano, planeio (ainda estou apenas na fase de planeamento, não sei se vou fazê-lo ou não), reler os livros da série, não só porque comecei a adquirir a coleção em português (para viciar outras pessoas, eheh), mas também porque o mês passado reli mais uma vez o meu livro favorito da série, “Para Sir Phillip, com amor”.

Este livro conta a história de Eloise Bridgerton, a quinta filha de oito, e de Sir Phillip, um baronete viúvo que vive no campo, com os seus filhos de 8 anos. Aos 28 anos, Eloise é considerada uma “solteirona” e ela até nem se sente mal com o rótulo, porque tem uma família que a adora e uma melhor amiga na mesma situação.

Mas quando a sua melhor amiga se casa, Eloise começa a reavaliar muitas coisas e a pensar que, talvez, não queira ficar sozinha.

Por seu lado, Sir Phillip, um homem viúvo com duas crianças pequenas que não sabe como controlar, decide que tem de casar novamente para arranjar alguém que olhe pelos filhos e lhe organize a casa.

Entre ambos, desenvolve-se uma correspondência amigável e Sir Phillip decide propor casamento a Eloise (por carta), e convidá-la a visitar o seu lar, para ver se se dão bem o suficiente para se casarem.

Não sei muito bem porque é que este é o meu favorito da série, exceto, talvez, porque os heróis introvertidos e com filhos são dos meus favoritos. Seja como for, este é um dos livros para o qual me viro quando quero uma leitura rápida e fofinha, com crianças a fazer partidas e muito humor.

Como sempre, Quinn tem um humor muito próprio e extremamente eficaz, que deixa qualquer leitor bem-disposto e risonho. As suas personagens são muito humanas e interessantes e a escrita da autora ajuda a focar esses aspetos.

O romance não foge muito ao que é normal neste tipo de livros, mas não é por isso que deixa de ser uma leitura envolvente. É bastante mais leve e menos dramático do que outros livros da série, mas não deixa de ter os seus momentos menos felizes. 

No geral, um livro sobre o qual não tenho muito a dizer exceto que é uma leitura maravilhosa e que a série Bridgerton é ideal para fãs deste género. Uma série (e um livro) a não perder.


Outras obras da autora no blogue:

30 dezembro 2014

Opinião: The Bridgertons: Happily Ever After (Julia Quinn)

Editora: Little, Brown Book Group (2013)
Formato: Capa mole | 384 páginas
Géneros: Romance histórico

Aviso: ligeiros spoilers
Para falar a verdade, não sou grande fã de “short stories” ou contos porque sinto que fica sempre tanto por contar, por desenvolver.

Mas uma vez que sou uma grande fã (ahah) da Julia Quinn que é, provavelmente, a minha autora favorita de romances históricos, decidi ler este livro que reúne os chamados “segundos epílogos” da série Bridgerton.

Passo a explicar. Todos os livros da série Bridgerton têm o seu epílogo, mas a série tornou-se tão popular que os leitores tinham imensas questões relativamente ao que acontecia depois do “feliz para sempre” de cada livro. E, por isso, Julia Quinn decidiu escrever pequenas histórias passadas vários anos após os casamentos que retratam determinadas situações que, claro, reforçam esses finais felizes.

A maioria das histórias é alegre, fofinha e romântica tal como os livros originais. Uma ou duas têm alguma angústia, mas claro, tudo acaba por se resolver.

Fartei-me de rir com a história do Anthony e da Kate, que recria o jogo de Pall Mall onde eles se apaixonaram. Todos os anos eles convidam as pessoas que lá estavam para um novo jogo e tentam ficar com o taco preto, que eles acham que lhes dá sorte.

A história que mais me tocou foi a da Francesca e do Michael, mas não gostei assim muito da resolução. Não me pareceu assim muito realista.

Algumas das histórias focam-se em personagens menores. A de Sophie e Benedict foca-se na irmã adotiva de Sophie, Posy e em como esta encontrou a felicidade.

Para além dos epílogos, o livro contém também um outro conto, intitulado “Violet in Bloom”. Cuja personagem é, claro, Violet, a matriarca dos Bridgerton. Este conto é composto por uma série de “flashes” da vida de Violet e finalmente, o falecido visconde, o seu marido Edmund tem algum protagonismo. É uma história muito fofinha e engraçada da qual gostei muito.

No geral, uma leitura leve e romântica, definitivamente recomendada (de leitura quase obrigatória, mesmo) para quem gosta da série Bridgertons.


Outras opiniões de livros da autora no blogue:

30 setembro 2012

Curtas: O romance está no ar!

Ora bem, aqui vão mais algumas mini-opiniões. Muitos blogues (o Este meu Cantinho, o Bookeater/Booklover e o Cuidado com o Dálmata) chamam a este formato "Curtas" em vez de "mini-reviews" e depois de alguma consideração decidi adoptar também esta designação, que me parece mais adequada e chamativa. Espero que as donas destes blogues não se importem! :)

Esta edição das "Curtas" foca-se em alguns romances históricos que li mas sobre os quais não tenho muito a dizer.

What I did for a Duke
Autor: Julie Anne Long
Série: Pennyroyal Green, #5
Editor: Avon - 2011
Páginas: 371
Mini-Review: Um romance histórico passado no período da Regência Inglesa (1811-1820). Foi uma leitura rápida e envolvente, que não me surpreendeu minimamente pois tem todos os ingredientes típicos deste tipo de livros: uma heroína, um herói e um romance. O desenvolvimento das personagens é incipiente e o desenvolvimento do romance é previsível, mas achei que os protagonistas tinham química, o que para mim, é fundamental neste tipo de livro.
Uma boa leitura para relaxar, para quem gosta do género.


Wicked Intentions
Autor: Elizabeth Hoyt
Série: Maiden Lane, #1
Editor: Grand Central Publishing - 2010
Páginas: 382
Mini-Review: A maioria dos romances históricos passam-se durante a Regência ou durante a época Victoriana (1837-1901). Esta autora vai mais longe e situa os seus romances no século XVIII. Isto pode não parecer significativo, mas na verdade requer muito mais pesquisa, uma vez que a época Georgina é mais rica em termos de mudanças sociais. Neste livro Hoyt explora diversos temas desde a doutrina Puritana até às instituições de caridade da época, passando pelas condições de vida das classes mais baixas (algo que raramente se vê neste género de obras, que se focam na aristocracia inglesa).
Achei que a autora tentou desenvolver demasiadas linhas de acção (o enredo romântico, o passado dos protagonistas, os problemas da irmã da heroína e assassinatos misteriosos) o que fez com que, por vezes, o foco do livro se tornasse pouco claro. 
Ainda assim, foi uma leitura intrigante pelas descrições da época e pelos temas abordados, apesar de o romance me ter parecido um pouco brando e irrealista. O facto da autora ter investido noutras linhas de acção, enriqueceu o livro. Interessante.


Peripécias do Coração
Autor: Julia Quinn
Série: Bridgertons, #2
Editor: Asa - 2012
Páginas: 384
Mini-Review: Julia Quinn foi uma das primeiras autoras que li dentro deste género e terá sempre um lugar especial nas minhas estantes. Apesar de ter encontrado autoras de que gosto bastante, Quinn é... Quinn.
Este é o segundo livro da série Bridgerton e foi publicado recentemente em Portugal (de notar que li a versão inglesa).
Como sempre, gostei. Quinn tem um humor espectacular e as lutas e debates acesos das personagens principais são sempre um prazer de ler. 
Em Peripécias do Coração temos um visconde decidido a não casar por amor e uma jovem cheia de génio. Quando os dois colidem, saltam faíscas e não é só de atracção.
Em suma, não posso deixar de recomendar estes livros a quem gosta de romance histórico. Quinn é realmente uma espécie de Jane Austen moderna!

02 agosto 2010

Opinião: What Hapens in London (Julia Quinn)

Editora: Avon (2009)
Formato: Capa Mole | 372 páginas
Géneros: Ficção Histórica, Romance
Sinopse.

"What Happens in London" é um romance histórico da autoria da escritora americana Julia Quinn (sem livros publicados em Portugal), que goza de um sucesso imenso tanto dentro do seu país natal como no estrangeiro. Apelidada pela imprensa americana como uma Jane Austen contemporânea, Julia Quinn escreve romances históricos que primam pelo seu humor e sensualidade.

O segundo de uma série (série Bevelstoke), "What Happens in London" conta a história de Olivia Bevelstoke, filha de um Conde inglês. Como todas as mulheres do século XIX, a principal missão de Olivia é casar "bem". Mas isso não implica que não se dedique a outras actividades... como espiar o seu novo vizinho, Sir Harry Valentine.

Olivia tem, claro, uma boa desculpa para o fazer; afinal uma das suas amigas trouxe-lhe uma inquietante notícia: Sir Harry Valentine, dizem as más línguas de Londres, é suspeito de ter assassinado a sua noiva!

Assim começa uma história com grandes confusões, algumas situações perigosas (afinal, Harry trabalha para o Ministério da Guerra) e muito humor.

Gosto imenso desta autora e já li a maioria dos seus livros. Os meus favoritos são os da série Bridgerton (refiro aqui as críticas da Whitelady a alguns livros desta série, pois concordo com a maioria dos seus pontos de vista). "What Happens in London" faz também parte de uma série, como já mencionei acima, e apesar de ter gostado deste livro, devo confessar que não foi tão bom como o primeiro; e definitivamente está muitos níveis abaixo dos da Série Bridgerton.

O meu problema com a história prende-se com a facto de não a ter achado muito realista. A autora misturou, quanto a mim, demasiadas linhas de acção e só tratou de algumas delas perto do fim, pelo que o desfecho não foi muito satisfatório. Uma boa parte do livro é dedicado ao desenvolvimento da relação entre as duas personagens principais (Olivia e Harry) - basicamente a fórmula normal deste tipo de livro - e até aqui a autora fez um trabalho excelente.

Mas depois aparece uma nova personagem que vem criar alguma confusão: o Principe Alexei. Se Alexei fosse apenas adicionado como rival de Harry teria sido perfeito, mas não; Alexei é suspeito de cooperar com Napoleão, e isso abre uma nova gama de possibilidades que foram exploradas, muito francamente "à pressa". Primeiro o príncipe era o vilão, depois já não era, e outros acontecimentos posteriores que, para mim, fizeram muito pouco sentido tornaram o enredo muito confuso. Pareceu-me sinceramente que a autora quis acrescentar algo mais à história típica deste género de livros, mas não esteve para se chatear a desenvolver esta segunda parte do enredo como deve de ser.
O final foi, também muito pouco satisfatório e algo "apressado".

No geral, um livro decente dentro do género, mas certamente não um dos melhores da autora.