17 junho 2012

Opinião: Um Baile de Finalistas Infernal (Rosemary Clement-Moore)

Um Baile de Finalistas Infernal de Rosemary Clement-Moore
Editora: Asa / 1001 Mundos (2011)
Formato: Capa Mole | 282 páginas
Géneros: Literatura Juvenil, Fantasia Urbana
Descrição (GR): "Maggie Quinn é uma jovem repórter. Aluna do quadro de honra, jornalista do jornal da escola e fotógrafa do livro de curso.
Faltam seis semanas para a formatura e tudo o que ela quer é sair inteira da secundária Avalon. Uma croma sensata teria mantido a cabeça baixa e continuado a contagem decrescente até ao dia da entrega dos Diplomas. Mas o destino parece ter planos diferentes para Maggie.
A escola secundária pode ser um terreno fértil para a proliferação do mal, mas o cheiro a fogo e enxofre ainda continua a ser algo de invulgar. É o cheiro identificativo do enxofre que faz com que Maggie desconfie que há algo que não está bem. E, quando começam a acontecer coisas que parecem saídas do Twilight Zone, Maggie percebe que depende dela entrar em contacto com a sua Nancy Drew interior e descobrir o que soltou aquele mal antigo, antes que vá tudo para o inferno, literalmente.
Maggie sempre desconfiou que o baile de finalistas é uma obra do diabo, mas parece que a sua presença é obrigatória. Às vezes, uma rapariga tem de fazer certas coisas bastante desagradáveis para salvar a sua cidade de demónios, vindos do inferno, que esmagam a alma. E também das chefes de claque."
ATENÇÃO: Contém ligeiros SPOILERS.
Peguei neste livro com baixas expectativas, confesso. Pareceu-me que ia ser mais um mistério paranormal insonso e pouco original, com uma heroína igualmente insonsa.

Acabei por gostar bastante da leitura. O livro demora um bocado a descolar, mas enquanto a trama não se adensa temos Maggie Quinn para nos entreter; uma rapariga positiva, sempre com resposta pronta.

O início é um pouco confuso. Somos apresentados a Maggie, jornalista para o jornal da escola e uma rapariga nada popular. Claro que a primeira situação do livro é logo um confronto com o grupo de desportistas e líderes de claque da escola, mas Maggie é esperta e tem um dito espirituoso na ponta da língua para fazer frente aos insultos.

Mas depois a nossa protagonista começa a ter sonhos estranhos e é-nos apresentada uma outra faceta dela e da sua família: segundo a avó de Maggie, os Quinn têm um talento algo sobrenatural que se manifesta através de pressentimentos e sonhos. Maggie chama-lhe intuição mas a avó chama-lhe clarividência. Aqui é que fica tudo um pouco confuso porque não nos é explicada a origem ou natureza exacta deste 'poder'. Creio que isto seja propositado; já li outras obras da autora e parece-me que ela gosta de manter os seus eventos sobrenaturais subtis (ou seja tem tudo mais a ver com sensações, pressentimentos e o que não se vê). No entanto, isto criou alguma confusão, como disse, porque faltou alguma história de fundo em relação ao dom de Maggie. E se ela era céptica de início (também por razões desconhecidas) em relação à origem sobrenatural do seu dom, depressa se convenceu do contrário.

Temos então uma heroína com um ligeiro poder sobrenatural que se vê envolvida num mistério também sobrenatural. Começam a acontecer alguns acidentes na escola que parecem ser causados por um fantasma vingativo. Maggie tem um mau pressentimento e decide investigar (como o faria a sua heroína favorita, a Nancy Drew), contando com a ajuda de Justin, um dos alunos universitários do seu pai. 

Depois da história 'arrancar', o livro ganhou nova vivacidade. O mistério é bastante fácil de desvendar (ou pelo menos os culpados são), mas gostei de todo o desenvolvimento que culminou no desfecho passado (onde mais) no Baile de Finalistas. Em termos de ritmo este livro desenrola-se mais regularmente do que outras obras da autora e consequentemente não houve muitos 'tempos mortos'. Gostei do facto de a autora ter feito alguma pesquisa e ter incluído mitos e lendas antigas, nomeadamente sobre a antiga Mesopotâmia. 

Para além de ser previsível o único outro problema a apontar é o facto do romance parecer algo forçado. 

No geral uma leitura leve e intrigante, recomendada para quem gosta de mistérios paranormais com uma protagonista auto-suficiente, inteligente e energética. Estou interessada nas próximas aventuras de Maggie.



2 comentários :

addle disse...

Já tinha visto este livro, mas pensei que fosse mais um desses livros...percebes o que quero dizer? Pelos vistos esconde algumas coisas :)

slayra disse...

Lol, yah. No fundo até é. Não tem nada de especial excepto que adoro a Maggie! É espectacular, fartei-me de rir com as tiradas dela. E pode ser que seja um bocadinho parcial porque gostei dos outros livros da autora. ^_^ De qualquer modo este livro tem criaturas paranormais, um mistério e não se foca no romance. Para mim é bom.