10 julho 2014

Opinião: Skin Game (Jim Butcher)

Skin Game by Jim Butcher
Editora: Orbit (2014)
Formato: Capa dura | 464 páginas
Géneros: Fantasia Urbana
Descrição: "Harry Dresden, Chicago’s only professional wizard, is about to have a very bad day….
Because as Winter Knight to the Queen of Air and Darkness, Harry never knows what the scheming Mab might want him to do. Usually, it’s something awful.
He doesn’t know the half of it….
Mab has just traded Harry’s skills to pay off one of her debts. And now he must help a group of supernatural villains—led by one of Harry’s most dreaded and despised enemies, Nicodemus Archleone—to break into the highest-security vault in town so that they can then access the highest-security vault in the Nevernever.
It’s a smash-and-grab job to recover the literal Holy Grail from the vaults of the greatest treasure hoard in the supernatural world—which belongs to the one and only Hades, Lord of the freaking Underworld and generally unpleasant character. Worse, Dresden suspects that there is another game afoot that no one is talking about. And he’s dead certain that Nicodemus has no intention of allowing any of his crew to survive the experience. Especially Harry.
Dresden’s always been tricky, but he’s going to have to up his backstabbing game to survive this mess—assuming his own allies don’t end up killing him before his enemies get the chance…"
AVISO: Alguns SPOILERS (mínimos)
A série Dresden Files, é uma que sigo, com gosto, há já alguns anos. Alguns livros têm sido melhores do que outros, mas no geral são todos leituras muito satisfatórias, com muita ação, magia e aventura. O Dresden é uma personagem interessante e com um ótimo sentido de humor, que mantém uma intriga envolvente.

Depois das grandes (e algo perigosas relativamente à credibilidade da história... até a fantasia tem limites) revelações do livro anterior, este livro afasta-se completamente dessa vertente e a ação é mais ao estilo de... um filme de ação. Ou seja este é um "livro de história pequena" em vez de um "livro de história grande". Passo a explicar os termos inventados, agora mesmo, por mim.

Esta série tem vindo a construir uma mitologia extremamente interessante onde o autor tem colocado as mais diversas criaturas sobrenaturais e adicionado mitos, lendas e religiões. Existe um fio condutor ao longo dos livros, que desenvolve uma história geral, que se desenvolve de livro para livro enredando o Dresden com poderes cada vez mais mortíferos. Isto é a "história grande". E depois há a história de cada livro, que corresponde a, por exemplo, um episódio numa série. É a "história pequena". 

Este livro não avançou o enredo geral (ou "história grande") em nada. Foi uma espécie de "Ocean's 11" com poderes sobrenaturais, em que uma equipa (a qual Harry é forçado a integrar devido à sua associação com Mab), constituída por demónios, ladrões, feiticeiros e metamorfos irá tentar entrar no cofre de... Hades. Leram bem, o Hades, deus grego.

E aqui está o meu primeiro problema com o livro: se a mitologia passa a incluir outras divindades que não Deus (que já foi mencionado noutros livros e há anjos e tudo o mais), como é que isto se processa? São equivalentes ou há uma hierarquia? Se algumas divindades já não são reconhecidas porque é que ainda existem? Porque é que o Hades tem como missão guardar armas poderosas até que sejam necessárias? Quem lhe deu essa missão?

Nada disto nos é explicado. A introdução de Hades complica bastante a construção do mundo, parecendo contrariar um pouco aquilo que nos tem sido explicado ao longo dos outros livros.

Outra coisa que não me agradou foi a tal missão de entrar no cofre do Hades. Houve muita reunião de preparação mas no fundo tudo isso me pareceu fruto de uma fragmentação do enredo.

No geral, uma leitura interessante e compulsiva, mas não é certamente um dos melhores livros da série. Irá agradar aos que gostam de livros/séries "episódicos" (estou a soar como o AXN), mas não gostei da confusão que este livro introduziu no mundo de Dresden (se tivesse sido bem explicado, não me importaria) e... epá, não achei o livro tão fixe, pronto. É isto. Mesmo assim recomendado.

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